Crítica | ‘Hereditário’: um terror real e assustador

Resenha de:
Iron Ferreira

Reviewed by:
Rating:
4
On 25 de junho de 2018
Last modified:25 de junho de 2018

Summary:

Tenso e realista, "Hereditário" aposta na ambientação e é um terror psicológico que mexe com o emocional do público.

Seguindo a mesma linha de terrores psicológicos que vem ganhando força no cinema, como o excelente A Bruxa (2015), Hereditário (Hereditary) aposta em uma trama complexa e com cenas macabras, que prometem amedrontar até os espectadores mais céticos. Dirigido por Ari Aster, o filme possui um roteiro bem trabalhado e é uma excelente aposta para quem gosta de um suspense tenso e realista.

Annie Graham (Toni Collette) vive com seu marido Steve (Gabriel Byrne) e seus dois filhos, Peter (Alex Wolff) e Charlie (Milly Shapiro). Após a morte de sua mãe, Annie percebe que sua família começa a ser perturbada por estranhos eventos sobrenaturais. Mesmo morta, sua mãe parece estar sempre presente pelos cômodos da casa, especialmente junto à sua filha Charlie, com quem a matriarca tinha uma ligação especial. À medida em que a personagem busca desvendar os motivos por trás dessas situações paranormais, sinistros segredos familiares vem à tona.

Hereditário é um ótimo exemplo para mostrar que filmes de terror não precisam estar fadados a monstros irreais, espíritos demoníacos e/ou sustos momentâneos e sem sentido. O terror presente na produção é real e muito bem construído. Partindo de um roteiro bem elaborado, o longa se aproveita de uma boa direção para contar uma história sombria. O realismo é a principal característica utilizada para transmitir tensão.


Além de uma boa ambientação, a maior parte das cenas acontecem em uma casa localizada no meio de uma floresta sombria. O filme utiliza uma paleta de cores escuras, o que contribui para potencializar a sensação de medo. O drama trabalhando em cena é psicológico, e construído de maneira crescente. Sendo assim, o filme assusta mais pelas possibilidades do que pelos reais acontecimentos.

A escolha dos atores é um ponto positivo, uma vez que todos entregam uma boa atuação, contribuindo com a veracidade da trama. O destaque vai para Toni Collette, que está muito bem no papel principal, além de protagonizar a cena mais triste do filme. Milly Shapiro também agrega muito valor à produção com sua interpretação de uma criança reclusa e misteriosa.

O desenvolvimento em Hereditário é bem trabalhado, e o crescente suspense leva o espectador à agonia. A comparação entre a casa e as maquetes, produzidas pela personagem de Annie, é bem elaborada e transmite a sensação de que a família vive sobre constante vigilância. Talvez o único ponto negativo da produção seja o desfecho. Não que o final seja ruim, mas ele poderia ser mais grandioso e melhor explicado.


Hereditário é um ótimo filme de terror e eleva o patamar do gênero, que nos últimos anos ficou preso a produções genéricas e com roteiros fraquíssimos. Ao optar por uma trama bem desenvolvida e uma ameaça pouco explorada, o filme entrega um terror psicológico que mexe com o emocional do público.

Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.