Crítica | 3ª e última temporada de ‘Baby’ enfatiza as consequências dos atos de suas personagens

Em sua temporada final, Baby já não precisa mais mostrar a que veio. Baseada no caso real de prostituição infantil acontecido na Itália, nomeado de Baby Squillo, a série já reuniu todas as polêmicas que poderia ter reunido, e agora se encaminha para um encerramento que prova, mais uma vez, que ela não está ali para romantizar o caso, e sim para alertar os perigos dele. 

Baby pode não ter conquistado um grande público em território brasileiro, mas que conseguiu alavancar 3 temporadas devido ao seu sucesso mundo afora – principalmente na Itália.  Baby Squillo é comentado até os dias de hoje devido as proporções que alcançou em 2014, ainda mais por envolver nomes importantes da elite italiana.  

A série da Netflix chega em sua última temporada enfatizando que não há como abordar uma história como essa sem mostrar as consequências que as atitudes dos personagens mereciam ter. Esse é um ponto extremamente positivo pois o roteiro poderia ter desviado das problemáticas, e entregado um final feliz apenas para deixar os fãs alegres. 

LUDOVICA E CHIARA

Ludovica (Alice Pagani) continua sendo o grande destaque da história, e se mostra bastante amadurecida se compararmos com a forma que a personagem iniciou a série. Ela saiu de ser vista como uma garota extremamente inconsequente, para ser a porta-voz da sua relação com Chiara (Benedetta Porcaroli). Ludo sabe a gravidade dos seus atos, e não se importa em levar a culpa por algo que não fez para proteger a quem ama. Felizmente, seu final chega a ser um respiro confortante em meio a tanta turbulência e sofrimento que ela foi obrigada a passar anteriormente.  

Chiara demora a ter noção de seus atos, tendo sua relação com Ludo como sua principal fonte de motivação para se responsabilizar pelo que fez. O roteiro deixa claro os motivos que fizeram a personagem adentrar nesse mundo, enfatizando a contraposição entre ela e Ludovica, que tiveram motivações extremamente opostas. 

A contraposição entre elas, inclusive, é um dos temas mais debatidos da temporada. Mesmo sendo melhores amigas e tendo adentrado nessa vida juntas, é clara a diferença entre uma e outra. Talvez, a única semelhança que tenham, é de sofrerem pela falta de atenção vinda dos pais, o que foi um ponto crucial de motivação para tudo o que aconteceu. Chiara assume que fez o que fez porque quis, mas afirma não ser a única culpada, como diz seu depoimento final.

Alice Pagani e Benedetta Porcaroli em Baby (Netflix)

A DIREÇÃO EM BABY  

Neste último ano, é notável o investimento maior que os produtores tiveram na construção dos episódios. Eles apostam muito mais em cenas experimentais para representar os sentimentos das protagonistas, deixando a experiência mais dinâmica e visualmente atrativa. Há uma animação no início do terceiro episódio direcionada ao desenvolvimento de Ludovica que consegue representar a personagem perfeitamente. É bonita, e ainda entrega pequenos easter-eggs sobre que o veremos no último episódio.  

Baby poderia ter se afundado logo de início na própria proposta, mas consegue se sobressair entregando algo maduro, sem deixar de lado a carga adolescente que é o que, com certeza, atraiu a atenção de algumas pessoas. Os episódios finais encerram a trama sem um clímax propriamente construído, mas satisfaz ao dar aos personagens um fim justo. Considerando que encontrar um encerramento assim é raríssimo nos dias de hoje, a série consegue se sobressair entre algumas do gênero. 

BABY - 3ª TEMPORADA
3

RESUMO

Mais experimental, a temporada final de Baby entrega um foco maior na direção e na entrega de um final justo para seus personagens.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.