Crítica | ‘A Caminho da Lua’ é mais bonito do que bom de enredo

Recentemente, as animações a que assisto, desde Trolls 2, passando por Os Croods 2: Uma Nova Era, entre outras, têm me agradado bastante. Então cheguei em A Caminho da Lua (Over The Moon) e não me decepcionei, apesar de que, dentre aqueles que citei, o longa se encontre na última posição.

A história segue Fei Fei, uma garota inteligente apaixonada pela lua que resolve empreender uma viagem espacial para encontrar a deusa Chang’e.

Totalmente em CGI, não é de se admirar que a força de A Caminho da Lua esteja na fotografia, deslumbrante e realmente especial (como não me canso de repetir, quando olhamos para filmes como esse, em que cada frame parece uma obra de arte, é difícil acreditar que ainda não atingimos a perfeição).

Seja como for, no entanto, o roteiro deixa um pouco a desejar, trazendo uma história que, apesar de muito bonitinha, não é lá grande coisa, ainda mais se pensarmos que os co-diretores da película, Glen Keane e John Kahrs, são conhecidos por fazerem parte do departamento de animação de clássicos da Disney como A Pequena Sereia, Aladdin, A Bela e a Fera, O Cão e a Raposa, Tarzan, Monstros S.A., Os Incríveis, Enrolados e por aí vai. Sendo assim, sobre o trabalho artístico não há nada que se possa dizer contra, os dois trouxeram até mesmo o designer de alta costura Guo Pei para desenhar as roupas de Chang’e, é mole? Mas existe mais a se observar.

Fato é que A Caminho da Lua aposta muito na fofura e consegue cativar bastante nesse quesito – como não ranger os dentes com a coelhinha Pulinhos, por exemplo? -, apesar de cometer um equívoco em inserir, num dado momento, um personagem chamado Gobi, igualzinho ao Olaf de Frozen que eu, particularmente, acho bastante irritante. Além disso, a apresentação de Chang’e como uma deusa pop star em vez da entidade especial que seria de se esperar é uma quebra de expectativa que não é muito bem-vinda, uma vez que não se encaixa em absoluto na vibe que nos tinha sido apresentada anteriormente.

A Caminho da Lua – 2020 (Netflix)

Sendo assim, a animação não tem muito mais a oferecer do que uma bela visão, uma vez que, como já mencionado, a história é um tanto fraquinha se considerarmos várias outras produções e perde força a partir do momento em que Fei Fei chega à lua, quando o exagero no neon é um pouco demais.

Por isso, quando vejo toda a atenção que A Caminho da Lua está recebendo, bem como todas as indicações na presente temporada de premiação, não entendo como outros filmes como o maravilhoso Abominável não geraram a mesma repercussão. As duas histórias inclusive se parecem até certo ponto, sendo que Abominável ganha em matéria de enredo e se iguala no quesito fofurice.

Claro que assistir à animação não é nenhuma perda de tempo e garante um bom momento de diversão, mas a conclusão é que A Caminho da Lua está sendo um tanto superestimado. A viagem pela idade das pedras com Os Croods ou pelo Himalaia com Yi e Everest em Abominável são com certeza mais agradáveis e, no geral, bem melhores.

A CAMINHO DA LUA | OVER THE MOON
3

Resumo

Quebra de expectativa e neon demais fazem a animação A Caminho da Lua perder força.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.