Crítica | Mulher-Maravilha 1984 é inferior ao primeiro, mas ainda possui seu brilho

Em meio a pandemia, e um lançamento simultâneo no cinema e streaming bastante inusitado e deveras polêmico, Mulher-Maravilha 1984 finalmente está disponível para o público. E antes de comentar sobre o filme, é preciso levantar uma discussão a respeito da recepção que ele vem recebendo na internet.  

Já para tirarmos todos os obstáculos da frente, MM84 não é essa atrocidade cinematográfica que uma parte barulhenta do público vem deixando parecer. Ao ser lançado diretamente no HBO Max no feriado de Natal, uma enxurrada de notas negativas foi adicionada no IMDB, deixando a média do filme mais baixa do que a de Esquadrão Suicida (2016) Liga da Justiça (2017); dois dos filmes mais criticados da DC até o momento. Entretanto, considerando o filme apresentado, será que é realmente para tanto?  

MM84 marca o retorno de Patty Jenkins na direção, e de Gal Gadot se mostrando ainda mais confortável no papel de Diana do que no filme anterior. Dessa vez, há uma grande mudança de tom, fazendo com que o filme não se assemelhe tanto ao original quanto parte dos fãs podem estar esperando. A seriedade da trama vista anteriormente é deixada de lado para dar espaço a algo mais leve e descontraído, mas que ao mesmo tempo foque no desenvolvimento dos personagens e não somente na ação desenfreada.  

Ambientado (obviamente) em 1984, Diana agora sofre com a perda de seu grande amor Steve (Chris Pine), ao mesmo tempo em que se torna arqueóloga no museu Smithsonian. Solitária, ela divide seu tempo entre seu trabalho no museu e salvar o mundo como Mulher-Maravilha. Ao conhecer Barbara Minerva (Kristen Wiig), ela se depara com um artefato perigoso que acaba caindo nas mãos megalomaníacas de Maxwell Lord (Pedro Pascal). 

Jenkins cria uma ambientação oitentista de encher os olhos, se diferindo bastante do clima mais pé no chão que o primeiro propôs. É tudo extremamente colorido e com figurinos extravagantes – dando destaque para a roupa dourada que Diana usa no ato final –. Porém, o que realmente chama a atenção aqui é o desenvolvimento de personagem. Não vá esperando um filme recheado de cenas de ação, pois não é a proposta da vez.  

O roteiro, apesar de bobo quando se trata da trama relacionada ao artefato, busca trazer causas e consequências pros personagens, principalmente para Diana e Maxwell. É inegável os tropeços que ele dá ao longo do caminho, principalmente no ato final, deixando as soluções finais bastante aceleradas, e até um pouco aquém do esperado. Jenkins parece ter escutado as críticas em relação a batalha final exagerada do filme anterior, dando espaço a algo mais contido, tendo como foco a mensagem que ela está querendo passar. Mensagem que, no fim das contas, é a essência da própria Mulher-Maravilha. 

Gal Gadot em “Mulher-Maravilha 1984” (Warner Bros. Pictures/HBO Max)

Essa decisão criativa acaba afetando o ápice de Wiig como Mulher-Leopardo. O embate final entre ela e Diana é decepcionante, criando uma cena escura e curta, diferente do restante do filme. Apesar disso, Barbara se mostra uma personagem bastante presente durante toda a projeção, tendo sua transformação bem desenvolvida, saindo de uma mulher inocente e atrapalhada, para uma tomada pela inveja e poder. 

As sequências de ação, apesar de poucas, ainda conseguem divertir, mesmo tendo um ou outro ponto do CGI que merecia uma revisão. Gadot se mostra muito mais confortável no papel, esbanjando carisma e preparo físico. Seus momentos com Steve também são bastante leves, e quando a trama exige uma entrega dramática maior, ela se sobressai mais uma vez.  

MM84 traz uma mensagem de esperança que se encaixa perfeitamente nos dias de hoje. Apesar dos adiamentos, o filme parece chegar ao público no momento certo. Depois de um ano caótico, encontrar um blockbuster que se preocupe em entregar um discurso esperançoso e reconfortante é algo extremamente bem-vindo.  

Talvez não seja a sequência bombástica que todos estavam esperando, mas Mulher-Maravilha 1984  está longe de merecer toda a recepção negativa que teve. Os defeitos são claros – com a duração excessiva inclusa, vale dizer – mas não conseguem tirar todo o brilho do filme. Vale ressaltar, também, as homenagens aos quadrinhos, e à série original da personagem exibida nos anos 70//80, são de deixar qualquer fã emocionado.  

MULHER-MARAVILHA 1984
3.5

Resumo

Mulher-Maravilha 1984 talvez não seja a sequência bombástica prometida, mas possui seu brilho no desenvolvimento dos personagens, e na mensagem esperançosa necessária para os dias de hoje.

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Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.