Crítica | ‘Invasão Zumbi 2: Península’ decepciona como sequência

Em 2016, o público era presenteado com uma obra  sul coreana bastante importante para a cultura pop em geral, mas mais especificamente para os filmes de terror. Train to Busan ou Invasão Zumbi, como veio a ser chamado no Brasil, surgiu como mais uma obra com a temática de zumbis. Contudo, o que o longa definitivamente não poderia ser considerado, era como “mais um filme de zumbi”.

Com um enredo extremamente bem escrito, elenco bem acertado, o primeiro longa tinha uma narrativa que apostava em uma história eletrizante como uma locomotiva, o que combinava bastante, uma vez que a maior parte do filme acontece dentro de um trem, mas tendo como benefício um cenário claustrofóbico e personagens com forte desenvolvimento dramático. Se tornando rapidamente um sucesso de crítica e de bilheteria, era natural que uma sequência seria produzida e é aí que entra Península, que contou novamente com a direção de Yeon Sang-ho, diretor do primeiro filme.

É fato de que seria uma tarefa bastante difícil fazer frente ao primeiro filme, mas isso não é o foco da conversa, pois Península não apenas faz feio se comparado a Invasão Zumbi, mas também faz feio diante de várias obras de terror. Existem, de fato, alguns elementos interessantes, inspirados nos conceitos estabelecidos pelo primeiro longa, mas também acrescentando novas ideias, como por exemplo, os zumbis que atacam com seus corpos colados, assemelhando-se a uma espécie de monstro formado por uma massa de mortos vivos é uma imagem perturbadora. Mas os acertos da sequência acabam por aí.

Nesta segunda empreitada, um grupo de mercenários contratados por criminosos resolve invadir uma península que foi completamente dominada pelos zumbis para botar as mãos em um caminhão cheio de dólares americanos. Mas os problemas começam quando o grupo e atacado por uma trupe de sobreviventes, que aprenderam a viver na nova realidade da península dominada, e que adquiriam o infame hábito de realizar esportes sangrentos envolvendo prisioneiros e zumbis. Enquanto isso, o mercenário Jung Seoq (Gang Dong-Won), se une a outros sobreviventes para resgatar seu companheiro que foi feito prisioneiro e assim, recuperar o caminhão cheio de dinheiro e levar para os mercenários em seu navio, a única forma de escapar com vida da península.

O grande problema de Península, além do roteiro, é tentar criar um arco dramático como no primeiro filme, pois falha ao simplificar alguns conceitos que foram muito bem trabalhados anteriormente. Se no primeiro longa, o público criava empatia com uma menina, aqui, há duas meninas, uma bem criança e outra adolescente, mas que estão extremamente avulsas e mal desenvolvidas, afastando-as do público. Da mesma forma, os laços de amizade estabelecidos entre o protagonista e seu companheiro não emocionam.

As únicas cenas interessantes do terror são as cenas de ação realizada com efeitos práticos, com tiroteios e conflitos com zumbis, só que esses momentos são extremamente raros, pois o longa aposta em longas perseguições de carro que são tão mal realizadas por computação gráfica que mais parecem gráficos de playstation do início dos anos 2000. E, para piorar, a cena final, apesar de emocionante, é tão forçada e composta por facilidades de roteiro, que chega a incomodar. Peninsula é um filme medíocre se comparado a Invasão Zumbi, mas ainda possui alguns elementos consagrados pelos filmes de gênero que talvez interesse alguns fãs dessa categoria.

INVASÃO ZUMBI 2: PENÍNSULA | TRAIN TO BUSAN 2
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Summary

Filme é medíocre se comparado ao primeiro Invasão Zumbi.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...