Crítica | Diana faz ‘The Crown’ reluzir ainda mais na 4ª temporada

O máximo possível de discrição parece ter sido sempre um mote da família real inglesa (e principalmente de seu centro, a rainha Elizabeth II). Porém, algo que brilha não pode ser discreto e Diana Spencer, a Lady Di, certamente não passava despercebida aonde quer que fosse, ainda mais depois que se tornou a princesa de Gales, entrando para a realeza mais famosa do mundo. E assim como aconteceu na vida real, Diana é o destaque da quarta temporada de The Crown, que recentemente estreou no catálogo da Netflix.

Dessa forma, através da interpretação brilhante da jovem Emma Corrin, o público é levado a se apaixonar mais uma vez pela figura cativante e inspiradora que a princesa era e, a mais uma vez, se solidarizar com o casamento conturbado e infeliz que teve com sua alteza real, o príncipe Charles (Josh O’Connor).

Estamos agora nas décadas de 70 e 80, época em que, impedido de se unir a Camila Parker-Bowles (Emerald Fennell), por quem sempre foi apaixonado, Charles escolheu a vivaz Diana como esposa e teve seus dois filhos, William e Harry. Mas se o mundo achava que estava presenciando um conto de fadas da vida real, estava redondamente enganado, como o destino depois se encarregou de mostrar (e a série apenas começou a retratar).

Mesmo assim, a princesa não foi a única figura importante da história da Inglaterra que que o seriado trouxe na presente temporada. Margareth Tatcher, a Dama de Ferro, também fez sua entrada triunfal na pele da excelente Gillian Anderson. Com a voz meio rouca da personagem que interpretou, a atriz mostra porque a primeira-ministra de determinação inabalável que governou a Inglaterra de 1979 a 1990 foi uma das mulheres mais notáveis na política mundial.

Gillian Anderson na 4ª temporada de “The Crown” (Netflix)

A atuação dessas duas atrizes foi tão impactante que talvez tenha tornado esta a mais cativante e bonita das temporadas de The Crown, mas é claro que nada disso teria sido possível sem o maravilhoso roteiro do criador Peter Morgan.

Assim, a série mais cara da Netflix continua fazendo jus a cada centavo gasto com sua produção, sendo difícil apontar qualquer defeito técnico. Até a mudança de cor dos olhos da rainha Elizabeth, que aconteceu quando Olivia Colman  substituiu Claire Foy como rainha Elizabeth, foi explicado. Se a sorte contribuiu com que Foy possuísse os mesmos olhos azuis da soberana, o mesmo não se aplica a Colman, cujos olhos são castanhos. Tentaram lentes de contato e CGI, mas ambos os artifícios estragaram as expressões da atriz mais velha, o que atrapalharia a experiência do espectador. Melhor mesmo deixar esse pequeno detalhe de lado.

Sendo assim, a trilha sonora é tão relevante, os figurinos e as ambientações continuam tão iguais aos reais e a semelhança dos atores com seus personagens verdadeiros é tanta, que impressiona. Tudo isso explica o sucesso da obra e as várias indicações e premiações que teve (e ainda terá). Não me surpreenderá se Colman e Helena Bonham Carter concorrerem novamente ao Emmy em suas respectivas categorias.

Por outro lado, não custa chamar a atenção para as críticas mais fortes que a série teve nessa temporada (principalmente as negativas, vindas da própria família real), mas elas não chegam a ser surpreendentes, já que estamos falando de uma das épocas mais conturbadas da história da realeza inglesa. Há que se relembrar também que estes acontecimentos são relativamente recentes e que muitos de seus protagonistas ainda estão vivos.

Emma Corrin brilha como a jovem Diana na 4ª temporada de “The Crown” (Nertflix)

Porém, como entretenimento e contrabalanceando a verdade com a ficção, The Crown continua perfeita e chamando a atenção do mundo. Mesmo que não seja um conto de fadas em seu mais puro significado, tem príncipes e princesas dançando em bailes, castelos e jardins, belas fardas e banquetes. Mas se passarmos para o real, tem seres humanos, intrigas, romances proibidos, recessões econômicas e tramas políticas diabólicas, um prato cheio para quem gosta de uma boa história.

Era uma vez, um seriado imperdível sobre uma boa rainha cujo reinado ainda não chegou ao final nem na vida real. Por enquanto, novamente nos despedimos de um elenco incrível que dará lugar a um novo no ano que vem. Ele nos contará mais um capítulo desse enredo cativante e trará Elizabeth Debicki no papel da linda princesa rejeitada. E será que o príncipe continuará desencantado? Só nos resta esperar para ver.

THE CROWN – 4ª TEMPORADA
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RESUMO

Diana (Emma Corrin) é o destaque da 4ª temporada de The Crown, e Margareth Tatcher (Gillian Anderson) chega para reforçar com ferro o sucesso da série.

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Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.