Crítica | Thomas Vinterberg e Mads Mikkelsen retomam parceria no divertido ‘Another Round’ – Crítica

Com a parceria que rendeu uma indicação ao Oscar, Globo de Ouro, BAFTACritics’ Choice Award de Melhor Filme Estrangeiro em 2012, o diretor Thomas Vinterberg acompanhou o ator Mads Mikkelsen em uma trajetória de homem desmoralizado pela sociedade ao ser acusado de pedofilia em A Caça. Em 2020, Thomas Vinterberg retoma sua parceria com Mikkelsen com Another Round (Druk), mas dessa vez acrescentando a presença ilustre de outros três grandes atores, Thomas Bo Larsen, Magnus Millang, Lars Ranthe que, juntamente com o protagonista da série Hannibal (2013), irão tentar, neste drama, resgatar o tesão em viver. 

No longa, quatro amigos, professores do colegial, se reúnem para comemorar o aniversário de um deles. No encontro, debatem a tese do psiquiatra Finn Skårderud de que o ser humano possui um déficit de 0,5% de álcool no sangue. Tentando provar a hipótese levantada pela tese, os amigos decidem beber todos os dias da semana 0,5% de álcool na tentativa de recuperar a vitalidade a muito perdida por eles. A grande aventura, entretanto, possui desastrosos resultados. 

O filme de encerramento da Mostra de SP 2020, também exibido no Festival de Vancouver (VIFF), recebeu quatro indicações ao European Film Award, incluindo Melhor Filme. Sendo um dos mais aguardados do ano, desde que foi anunciado na Seleção doFestival de Cannes o longa de Vinterberg vem traçando uma grande trajetória em festivais internacionais, o que pode leva-lo mais uma vez a ser indicado ao Oscar em 2021 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro representando a Dinamarca. 

Protagonizado por Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Magnus Millang e Lars Ranthe, o longa é guiado pela persona de cada um desses atores. Mads interpreta Martin, um fracassado professor de história que, além de entediar seus alunos, também entedia sua mulher e filhos. Tommy (Bo Larsen) é um solteiro professor de educação física que ainda possui grandes implicações da separação em sua vida. Nikolaj (Millang) é um professor de psicologia que acaba de ganhar o terceiro filho. Enquanto Peter (Ranthe) é um professor de música que possui uma desarmoniosa turma para pôr nos eixos. Todos eles com problemas pessoais e profissionais, encontram na nova experiência cientifica na qual se envolvem, uma forma de transformar suas realidades. 

A amizade dos quatro é o que os une, enquanto cada um deles tece uma diferente rota na trama. O roteiro bem elaborado de Vinterberg e Tobias Lindholm não faz escolhas aleatórias durante seu percurso, mesmo quando opta por caminhos que beirem o clichê, o longa só se solidifica e enfatiza a relação em busca da recuperação de si que cada um dos protagonistas busca. A escolha pelos personagens serem professores tornam a trama ainda mais interessante já que a experiência do uso do álcool serve de pretexto para uma divertida pesquisa cientifica, que, irá dividir o filme através de seus letreiros informando qual o progresso da experiência. 

Interpretados por homens de meia idade, Another Round aposta na vida já estabelecida de seus personagens, que, a essa altura, já não possuem tantas ambições como no passado. Suas conquistas já foram feitas, assim como desfeitas, alguns sonhos esquecidos e outros novos sonhos que surgem no meio da divertida trama. Tentando resgatar a vitalidade a muito perdida pelo comodismo de suas realidades, o filme indaga qual foi o momento que homens tão divertidos e criativos, se perderam em suas próprias jornadas. 

O uso do álcool reestabelece a auto confiança de seus personagens que conseguem, pouco a pouco alcançar suas metas e reconquistar aqueles ao seu redor. Dinamizando suas aulas, todos os professores alcançam o que desejavam ao voltar a ter excelência em seus trabalhos. Entretanto, com o céu alcançado no âmbito profissional, qual seria o próximo passo a seguir? Flertando com o perigo, os pesquisadores decidem arriscar ainda mais o uso diário da bebida, o que desencadeia uma série de problemas em suas vidas. 

Another Round é um filme, que, diferente de A Caça, não gira em torno de uma séria situação com consequências drásticas. O longa utiliza a inercia da meia idade para desenvolver as ambições e subjetividade desses homens, que, já na metade de suas vidas, resgatam paixões e interesses a muito abandonado pelos mesmos. O drama segue uma narrativa sem escolhas ousadas e duvidosas como no seu longa de 2012, e através de close-ups, Vinterberg está determinado a entrar na intimidade de cada personagem para que, destacando-os no meio no qual estão inseridos. 

A trama dos quatro juntos, entretanto, é mais interessante que a de cada personagem sozinho. Com artifícios óbvios, a trama de cada um envolve problemas maritais, problemas com alunos e o próprio problema com a bebida. Mas a força desempenhada quando os quatro amigos estão juntos em cena é inegável, por mais clichê, que suas vidas sejam. Os atores são a alma do longa. Cada qual a seu modo, possuem personalidades diferentes tornando o grupo de amigos ainda mais interessante de se acompanhar. Apesar de possuir maior notoriedade no elenco, os colegas de Mikkelsen não deixam a desejar com relação ao ator, todos estão excelentes. 

Conhecendo a obra do diretor, apesar das consequências desenvolvidas em Another Round, falta a força e impacto trabalhados em A Caça. Entretanto, com direito a uma bela dança de um divertido Mads Mikkelsen fechando o filme, não há como não se divertir e se emocionar com o este leve drama de Vinterberg. 

ANOTHER ROUND | DRUK
4

RESUMO

Protagonizado por quatro grandes atores, Another Round (Druk), cotado para uma indicação internacional no Oscar, é um divertido drama.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.