Mostra de SP 2020 | ‘Walden’ desperdiça todo o seu potencial com sua narrativa – Crítica

Existem vários filmes ao estilo de Walden, da diretora tcheca Bojena Horackova. Obras que permeiam as memórias de seus personagens em narrativas que buscam provocar sentimentos de nostalgia em seus espectadores. Obras que poetizam a vida, até mesmo (principalmente) em seus momentos mais simples. Talvez tenha sido esse o objetivo do longa assistindo na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Infelizmente, não supriu as expectativas. 

Após trinta anos exilada na França, Jana (Ina Marija Bartaité) volta à sua cidade natal na Lituânia em busca de lembranças de seu primeiro amor, Paulius. Durante sua jornada à procura de um lago o qual seu namorado chamava de Walden, a história volta no tempo para nos mostrar o contexto dessa paixão. Em cenas do passado, há uma atmosfera de promessas frente a um futuro incerto sobre a queda ou não do comunismo e o sonho do Ocidente. 

Pela sinopse, a trama tinha potencial para aproximar-se do tocante, do emocional. Mas é um filme muito confuso. O roteiro perde-se um pouco e é difícil ter a certeza do que está acontecendo ali. Talvez tenha sido intencional criar um clima apático, principalmente devido ao momento histórico da época. Os jovens em cena sempre comentam sobre o cenário político e se “as coisas irão mudar”. Esse tom esperançoso e, ao mesmo tempo, sem esperança, tingido de cores frias e fechadas, é alcançado. O problema é que tal apatia acaba por contaminar toda a obra. 

Há uma grande aura apática, inerte e letárgica em toda a duração do longa. É impossível identificar-se com qualquer um dos personagens ou até mesmo sentir empatia por suas histórias. Essa evidente “frieza” nos distancia de imediato dos relatos ali contados, além de impor um ritmo demasiado lento a tudo.

Um ponto positivo de Walden é conseguir falar sobre a conjuntura política da época sem explicitar tais condições. A mensagem é bastante sutil, o que é interessante. Mas não o suficiente para nos prender às imagens. 

Acompanhe aqui a coberta da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo feita pelo Quarta Parede POP

WALDEN
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RESUMO

Walden parte de uma boa premissa, mas não alcança potencial ao entregar uma história apática e lenta.

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Jornalista e estudante de cinema. Acredita que o cinema é um documentário de si mesmo, em que o impossível torna-se parte do real. "Como filmar o mundo se o mundo é o fato de ser filmado?"