Mostra de SP 2020 | ‘Em meus sonhos’ falha ao tentar emocionar entregando uma experiência cansativa – Crítica

Em meus sonhos (Bir Düs Gördüm) possui uma excelente premissa. Ele narra a história de Tarik, um garoto que sofreu um acidente de carro com seus pais, e como consequência disso, passa a morar na aldeia de seus avós. Sem lembrar de nada do que aconteceu, o filme acompanha o cotidiano do garoto naquele novo ambiente enquanto tenta se lembrar do ocorrido. 

Marcando seu primeiro projeto como diretor, o turco Murat Çeri parece perdido na própria proposta. Não se sabe que caminho ele pretende seguir com a premissa estabelecida muito bem nos primeiros minutos. Em alguns momentos parece que ele quer seguir para um lado mais infantil, acompanhando a vida de Tarik na aldeia; em outros parece seguir como um drama sobre saúde mental; e na maior parte do tempo ele se mostra focado em relatar o cotidiano e costumes dos moradores da aldeia. 

É um apanhado de boas possibilidades, mas que juntas se mostram uma bagunça. O ritmo extremamente lento também não colabora, deixando uma experiência que mostrava a intenção de ser contemplativa, apenas cansativa. São longos takes do garoto brincando com outros meninos, e de situações que não parecem acrescentar muito a história.  

Apesar disso, a fotografia tenta disfarçar os erros entregando algo belíssimo de se assistir. Por meio dela, o diretor tenta acrescentar algo ao desenvolvimento do garoto, mas tudo parece ficar na superfície. Ele ameaça sempre ir além, mas parece nunca ter coragem de adentrar o suficiente na mente do garoto, e explorar o trauma que ele sofreu. 

Em meus sonhos tinha potencial, mas não soube aproveitá-lo devidamente. O ritmo arrastado prejudica qualquer envolvimento emocional com o que está sendo mostrado, mesmo que a intenção tenha sido o completo oposto. É uma pena, deve-se dizer. 

Acompanhe aqui a cobertura do Quarta Parede POP da Mostra de SP 2020

EM MEUS SONHOS | BIR DÜS GORDÜM
1.5

RESUMO

Longa se perde na própria premissa e entrega uma experiência cansativa.

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Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.