Mostra de SP 2020 | ‘Apenas Mortais’ opta pela simplicidade ao tratar do Alzheimer – Crítica

Apenas Mortais (Being Mortal) marca o primeiro trabalho da chinesa Liu Ze na direção. Logo em seu projeto de estreia, ela escolha abordar a história de uma família lidando com um membro que sofre de Alzheimer. O tema é extremamente delicado, e para tratá-lo de forma respeitosa é preciso estudar tanto a doença como a mudança na vivência familiar que, com certeza, também é afetada.  

De fato, Liu Ze não se preocupa em se distanciar tanto de outros projetos que também tiveram como foco o Alzheimer. Algo que ela tenta fazer de diferente, é manter o foco não somente no diagnosticado, mas sim no restante da família que está lidando com o patriarca doente. O Alzheimer não afeta exclusivamente uma pessoa. Suas consequências conseguem afetar quem está a redor que passam dia após dia lutando com as dificuldades que ele traz. 

O roteiro segue pelo ponto de vista da filha que segue morando com o pai diagnosticado, procurando dar uma abordagem mais íntima da vivência familiar. Enquanto procura focar nas dificuldades da situação, podemos ver um pouco mais de sua vida pessoal, e como ela também pode ser acometida pelo Alzheimer.  

A simplicidade com que tudo isso é mostrado é o que mais chata a atenção. Apenas Mortais é um filme para se sentir, emergir e tentar se colocar no lugar daquelas pessoas. É doloroso, mas é justamente na dor do realismo que o filme ganha impacto. Não há exageros e nem momentos extremamente forçados para tirar emoção do espectador. É tudo entregue na simplicidade. 

Talvez o grande público não chegue a ter contato com essa obra, mas aqueles que tiverem a oportunidade vão receber uma experiência imersiva, que explora os sentimentos dos personagens em meio a uma doença extremamente difícil de lidar.

Acompanhe aqui a cobertura do Quarta Parede POP da Mostra de SP 2020

APENAS MORTAIS | BEING MORTAL
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RESUMO

Apenas Mortais oferece uma experiência imersiva e delicada ao trazer o impacto do Alzheimer no convívio familiar.

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Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.