Crítica | ‘Rebecca – A Mulher Inesquecível’ só impressiona pela estética

É uma baita responsabilidade produzir remakes dos considerados clássicos do cinema. Rebecca – A Mulher Inesquecível é o novo longa de suspense da Netflix e o diretor Ben Wheatley assume a proposta de adaptar o romance de  Daphne du Maurier. E talvez sua repercussão fosse um pouco melhor se tal história já não tivesse sido adaptada antes por ninguém menos que Alfred Hitchcock

No longa, Lily James interpreta uma jovem criada que se apaixona pelo viúvo rico Maxim de Winter (Armie Hammer). Após um romance intenso entre os dois e, com isso, casamento, a nova Sra. de Winter chega à Manderlay, onde precisa aprender a rotina da alta sociedade. No entanto, a memória da antiga mulher de Maxim – Rebecca – ainda permanece na mansão como uma sombra sufocante. 

O elenco principal – Lily James, Armie Hammer e Kristin Scott Thomas – é bastante apurado e satisfatório, com destaque para a jovem atriz que mostra um bom potencial na carreira. A direção de arte é outro ponto a ser elogiado. Há um tom de elegância e sofisticação que nunca se perde na trama. No entanto, é provável que seja esse mesmo elemento que enfraquece a obra. Parece ser tudo muito estilizado, encenado, o que causa uma sensação um tanto “plástica” e forçada à obra. 

É impossível não comparar os dois filmes, mesmo que o primeiro date de 1940, uma época completamente diferente da atual. Talvez seja a diferença, pois este Rebecca possui um ar mais moderno. Há um enfoque nos ambientes, figurinos, paisagens e opulência da história. Já na adaptação de Hitchcock, a ótica parece ser mantida nas performances de seus personagens. 

Armie Hammer como Maxim de Winter e Lily James como Mrs. de Winter em Rebecca (2020) – Netflix

Há vários componentes passíveis de elogios neste interessante suspense. No entanto, não há muita harmonia na junção dos mesmos. Ficamos com a sensação de que se quis fazer muito e, no final, é quase como se faltasse alguma coisa. A estetização exagerada também contribui para retirar um pouco a veracidade da narrativa de Rebecca – A Mulher Inesquecível. Não conseguir esquecer que se trata de uma dramatização faz nos perdermos justamente no mistério apresentado. 

REBECCA - A MULHER INESQUECÍVEL | REBECCA
2.5

RESUMO

Rebecca – A Mulher Inesquecível – tem uma estética belíssima, mas não consegue ir além disso.

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Isa Carvalho

Jornalista e estudante de cinema. Acredita que o cinema é um documentário de si mesmo, em que o impossível torna-se parte do real. "Como filmar o mundo se o mundo é o fato de ser filmado?"