9º Olhar de Cinema | ‘Los Conductos’ não aproveita o potencial de seu personagem – Crítica

Com uma proposta fora da curva do cinema convencional, Los Conductos, primeiro longa-metragem de Camilo Restrepo, se debruça sobre o experimental para guiar a trajetória de Pinky (Luis Felipe Lozano), um jovem rapaz que após uma forte experiência com cultos religiosos, tende a seguir a vida se questionando os limites entre o viver sempre em choque com a pulsão de morte.  O filme foi exibido na seção Novos Olhares da 9º edição do Olhar de Curitiba.

Para contar a história de Pinky no mundo moderno, o filme utiliza uma desconstrução do óbvio para que a forma se agregue ao enredo. Esteticamente, a trama é moldada através de planos fechados que acompanham passagens representativas da vida de Pinky, bem como outras cenas em um plano mais aberto no qual o protagonista narra sua história em voice-over enquanto uma longa estrada, que não possui fim, é seguida. 

Pinky, que passou anos entregue a uma seita guiada pelo “Padre”, seguia seus mandamentos de forma cega e alienada. Entretanto, ao tomar consciência de si e do mundo que estava inserido, o rapaz inicia uma nova vida trabalhando em uma fábrica de camisetas falsificadas. Essa nova vida de Pinky não é a vida dos sonhos. Marginalizado, vive na cidade de Bogotá sob uso de drogas e de memórias que o atormentam. O filme não respira, e nem explica, apenas se costura modulando uma cena atrás da outra de forma frenética, mas que, ao mesmo tempo, transmite tranquilidade. 

Se questionando com sua arma na mão, Pinky tenta construir uma nova vida que o desvencilhe do seu passado, entretanto, enquanto viaja por uma estrada que nunca chega a lugar nenhum, somos arrebatados por cenas que fazem parte da vida do rapaz. Com suas crenças abaladas, após seguir tanto tempo em algo que não vê mais sentido, o intrigante personagem procura na sociedade desmantelada na qual vive, forças e ocupações que o ajudem a continuar seguindo, mesmo que o passado esteja mais presente do que ele gostaria. 

Los Conductos possui uma premissa interessante, entretanto a trama se perde na ambição de sua estética. O longa possui somente 90 minutos, entretanto, quando finalizado, parece que passamos 2h30min na frente da tela. Arrastado e inconsistente, fica difícil acompanhar a história de Pinky quando o que é apresentado em cena parece divergente de sua trama. O que poderia ser uma viajante aventura nas indagações e questionamentos de Pinky perde a força quando a trama não procura explorar o grande personagem que possui. 

Abordando a violência existente em Medelín, Camilo utiliza Pinky como elemento para desencadear os processos violentos e de repressão que possuem na cidade. A arma que Pinky carrega consigo com a frase “está é a minha vida”, a droga utilizada pelo mesmo que utiliza um galpão como seu subterfugio, a vingança que carrega dentro de si contra aqueles que participam da seita da qual ele fez parte, a batida de moto também presente como elemento narrativo. Tudo isso ressaltando o grande teor de violência que habita na região. 

Em busca de um destino que nunca chega, temos em suas divagações na estrada os momentos mais íntimos do personagem, quando há a maior pretensão de conhece-lo e de intimidade. Entretanto, como o filme possui essas cenas em conjunto com o seu passado e cenas do seu presente, Restrepo não decide o que ser, sendo todas as coisas e também nada ao mesmo tempo. Isso transforma a narrativa em algo arrastado e sem um propósito final, o que impede maior conexão com Pinky além de sermos somente alguém que o observa de longe. Los Conductos aborda a violência e suas consequências nos seus personagens, mas essa jornada não é tão apetitosa quanto poderia.

Acompanhe aqui a cobertura do 9º Olhar de Cinema

LOS CONDUCTOS
2.5

RESUMO

Los Conductos possui uma premissa interessante, entretanto a trama se perde na ambição de sua estética.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.