Festival de Gramado 2020 | ‘Um Animal Amarelo’ e ‘El Gran Viaje al País Pequeño’ são os maiores vencedores; confira a lista

"Um Animal Amarelo", de Felipe Bragança, foi um dos maiores vencedores do Festival de Gramado 2020.

Foram divulgados os vencedores do Festival de Gramado 2020. Marcos Santuário, Pedro Bial e Saledad Villamil foram os membros da curadoria da 48ª edição do evento. Os grandes destaques esse ano foram Um Animal Amarelo, de Felipe Bragança (5 vitórias nas categorias de Longas Brasileiros); El Gran Viaje al País Pequeño, de Mariana Viñoles (4 vitórias nas categorias de Longas Estrangeiros) e O Barco e O Rio, de Bernando Ale Abinader (5 vitórias nas categorias de Curtas Brasileiros).

Festival de Gramado 2020 chegou a ser confirmado para o mês de agosto desse ano. Mas devido à pandemia do novo Coronavírus, o evento foi adiado. Além disso, o atual contexto também influenciou bastante na cerimônia de premiação. No formato virtual, duas apresentadoras, Marla Martins e Renata Boldrini, revelaram todos os vencedores no Palácio dos Festivais e, em algumas categorias, cada indicado teve a chance de aparecer e discursar da sua própria casa. A transmissão foi realizada pelo Canal Brasil com uma equipe reduzida em relação aos anos anteriores, seguindo um protocolo de segurança.

O diretor artístico, Rubens Bandeira, comentou sobre os novos desafios para o evento neste ano. “Nesta edição precisamos nos reinventar. Além de pensar no palco do cinema, na apresentação dos cerimoniais, foi preciso dirigir os programas do Festival, que foram pensados para exibição na televisão e nas redes sociais. Precisamos ter um novo olhar para esse formato, foi um grande desafio.”

Confira aqui alguns dos curtas gaúchos exibidos!

As Comissões do Festival de Gramado 2020

Nas categorias de curtas brasileiros, a comissão julgadora teve a seguinte formação: Juliana Balhego (Roteirista, Diretora e Produtora), Safira Moreira (Diretora de Fotografia, Diretora e Roteirista), Nara Normande (Diretora), Leo Garcia (Roteirista, Produtor, Sócio da Coelho Voador e Diretor-geral do FRAPA – maior Festival de Roteiro da América Latina) e Breno Nina (Ator). Foram 9 categorias disputando o Kikito. Além disso, o vencedor na principal categoria ganhou um prêmio de R$ 6.500,00. Enquanto que os outros receberam R$ 1.000,00. 

A comissão julgadora das categorias de longas estrangeiros foi formada por: Fabio Meira (Diretor e Roteirista), Bruno Polidoro (Diretor de Fotografia), Lucia Caus (Realizadora e Produtora), Armando Babaioff (Ator) e Beatriz Seigner (Diretora, Roteirista e Produtora). Foram 5 categorias concorrendo aos Kikitos. O vencedor como Melhor Filme levou o valor de R$ 12.000,00 e nas outras categorias o prêmio foi de R$ 1.500,00.

Ainda mais, 7 longas brasileiros estiveram em competição. Eles concorreram ao Kikito e ao valor de R$ 2.000, em 11 categorias. O escolhido como Melhor Filme recebeu o Kikito mais R$ 25.000,00. A comissão julgadora foi formada por: Caco Ciocler (Ator, Produtor e Diretor), Karine Teles (Atriz, Roteirista e Diretora), Jeferson De (Diretor e Roteirista), Kiko Ferraz (Desenhista de Som e Produtor de trilhas sonoras) e Sabrina Fidalgo (Diretora e Roteirista).

Mas é necessário lembrar também que, ao longo do Festival de Gramado 2020, os telespectadores tiveram a oportunidade de votar através de seus celulares. Dessa forma, todos eles participaram do Júri Popular.

Momentos Marcantes

O cineasta Ruy Guerra foi um dos premiados no Festival de Gramado 2020.
Ruy Guerra (89 anos) foi premiado pelo longa “Aos Pedaços”

O grande cineasta Ruy Guerra (Os Cafajestes, Os Fuzis) foi escolhido o Melhor Diretor de Longas Brasileiros pelo filme Aos Pedaços, aos 89 anos. Em seu discurso, agradeceu ao Ministério da Cultura, “extinto pelo desgoverno de Jair Bolsonaro”, e comentou sobre a coragem da comissão julgadora ao premiar um filme experimental, “que quebra as regras gramaticais do cinema”. Ruy também lembrou os genocídios das populações indígenas, as vítimas da pandemia e de toda a destruição promovida pelo atual Presidente. “A arte resiste e a arte é vida. Não seremos destruídos, não morreremos.”  Ao final de seu longo discurso, elogiou o jovem diretor de Um Animal Amarelo, Felipe Bragança — que também saiu premiado — e. dedicou o filme ao Joaquim Pedro de Andrade (Macunaíma), seu velho companheiro de Cinema Novo.

A diretora Thais Fernandes fez outro importante discurso ao ganhar o prêmio na categoria Melhor Longa Gaúcho, por Portuñol. Ela fez uma reivindicação, lembrando que só existe uma categoria para a cinematografia gaúcha no festival. Assim, pediu uma ampliação para que outros profissionais do setor cinematográfico do Rio Grande do Sul fossem reconhecidos.

No entanto a emoção tomou conta durante o segmento do In Memoriam. Grandes nomes do audiovisual brasileiro, que fizeram suas passagens no último ano, foram lembrados. Fábio Barreto, Jorge Fernando, Chica Xavier, Sérgio Ricardo, Fernanda Young, Gésio Amadeu, Flávio Migliaccio, Leonardo Villar, Daisy Lúcidi, entre muitos outros.

Os Vencedores do Festival

Veja a lista completa abaixo:

1º) LONGAS BRASILEIROS

MELHOR FILME:
King Kong en Asunción, de Camilo Cavalcante

MELHOR DIREÇÃO:
Ruy Guerra, por Aos Pedaços

MELHOR ATOR:
Andrade Júnior, por King Kong en Asunción

MELHOR ATRIZ:
Isabel Zuaa, por Um Animal Amarelo

MELHOR ROTEIRO:
Felipe Bragança, por Um Animal Amarelo

MELHOR FOTOGRAFIA:
Pablo Baião, por Aos Pedaços

MELHOR MONTAGEM:
Eduardo Gripa, por Me Chama Que Eu Vou

MELHOR TRILHA MUSICAL (empate):
Salloma Salomão, por Todos os Mortos
Shaman Herrera, por King Kong en Asunción

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE:
Dina Salem Levy, por Um Animal Amarelo

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:
Alaíde Costa, por Todos os Mortos

MELHOR ATOR COADJUVANTE:
Tomás Aquino, por Todos os Mortos

MELHOR DESENHO DE SOM:
Bernardo Uzeda, por Aos Pedaços

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI:
Elisa Lucinda, por Por que você não chora?

JÚRI DA CRÍTICA (formada pelos jornalistas especializados Amanda Aouad, Caroline Zatt, Isabel Wittmann, Lúcio Vilar e Matheus Pannebecker):
Um Animal Amarelo, de Felipe Bragança – “Por sua ousadia formal, que resulta em uma instigante mistura de fábula e rapsódia sobre ruínas do passado, do presente e de heranças coloniais indigestas.”

JÚRI POPULAR:
King Kong en Asunción, de Camilo Cavalcante

MENÇÃO HONROSA
Higor Campagnaro, por Um Animal Amarelo

2º) LONGAS ESTRANGEIROS

MELHOR FILME:
La Frontera, de David David

MELHOR DIREÇÃO:
Mariana Viñoles, por El Gran Viaje al País Pequeño

MELHOR ATOR:
Anibal Ortiz, por Matar a Un Muerto

MELHOR ATRIZ (empate):
Daylin Vega Moreno e Sheila Monterola, por La Frontera

MELHOR ROTEIRO:
David David, por La Frontera

MELHOR FOTOGRAFIA:
Nícolas Trovato, por El Silencio del Cazador

JÚRI DA CRÍTICA:
El Gran Viaje al País Pequeño, de Mariana Viñoles – “Pela maneira com q explora o tempo documental e subverte as expectativas em torno da jornada dos personagens, fazendo um registro crítico de questões contemporâneas.”

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
El Gran Viaje al País Pequeño, de Mariana Viñoles – “Pela habilidade em narrar com precisão e afeito o embate entre duas culturas tão diferentes, através do mergulho na humanidade de personagens cativantes que se transformam diante de nossos olhos tendo como resultado algumas cenas inesquecíveis.”

JÚRI POPULAR:
El Gran Viaje al País Pequeño, de Mariana Viñoles

3º) LONGAS GAÚCHOS

MELHOR FILME:
Portuñol, de Thais Fernandes

4º) CURTAS BRASILEIROS

MELHOR FILME:
O Barco e O Rio, de Bernando Ale Abinader

MELHOR DIREÇÃO:
Bernardo Ale Abinader, por O Barco e O Rio

MELHOR ATOR:
Daniel Veiga, por Você Tem Olhos Tristes

MELHOR ATRIZ:
Luciana Souza, por Inabitável

MELHOR ROTEIRO:
Matheus Farias e Enock Carvalho, por Inabitável

MELHOR FOTOGRAFIA:
Valentina Ricardo, por O Barco e O Rio

MELHOR MONTAGEM:
Ana Júlia Travia, por Você Tem Olhos Tristes

MELHOR TRILHA MUSICAL:
Hakaima Sadamitsu/M. Takara, por Atordoado, Eu Permaneço Atento

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE:
Francisco Ricardo Lima Caetano, por O Barco e O Rio

MELHOR DESENHO DE SOM:
Isadora Torres e Vinícius Prado Martins, por Receita de Caranguejo

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI:
Preta Ferreira, pela atuação em Receita de Caranguejo

PRÊMIO CANAL BRASIL (comissão formada pelos Jornalistas: Maria do Rosário, Luiz Zanin, Paulo Henrique, Monica Kanitz, Robledo Milani, Ivonete Pinto e Carlos Heli):
Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho.

JÚRI POPULAR:
O Barco e O Rio, de Bernardo Ale Abinader

JÚRI DA CRÍTICA:
Inabitável, de Matheus Farias e Enock Carvalho – “Pela forma delicada como corporifica a protagonista ausente, trazendo elementos fantásticos para descrever um estado de invisibilidade e dar sentido a uma vivência da transgeneridade.”

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Paulo Victor Costa

Depois que descobriu "The Truman Show" e "Lost", passou a viver de filmes e séries. Também é muito fã dos filmes do Spielberg. Tenta assistir de tudo para poder debater com outras pessoas.