Produtores de ‘Game of Thrones’ explicam ausência de Lady Stoneheart na série

Por que Lady Stoneheart, ou a Senhora Coração de Pedra, nunca apareceu em Game of Thrones? Se você é fã de As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, certamente já se perguntou sobre a ausência de uma das personagens mais intrigantes da obra literária nunca sequer ter aparecido na série da HBO.

Alerta de spoiler dos livros: Lady Stoneheart é Catelyn Stark ressuscitada e com uma personalidade vingativa. Na série, Catelyn é assassinada com seu filho Robb Stark no Casamento Vermelho durante a terceira temporada do programa. A personagem ressuscitada faz duas aparições importantes nos livros A Tormenta de Espadas e O Festim dos Corvos. Como ainda há mais dois livros a serem publicados, a participação dela na história original ainda não possui um desfecho.

Em entrevista ao jornalista James Hibberd do EW, que escreveu recentemente um livro com os bastidores sobre a série – Fire Cannot Kill a Dragon –, os showrunners e produtores David Benioff e D. B. Weiss abriram o jogo e falaram porque deixaram um dos personagens favoritos dos fãs fora da série.

A cena em que ela aparece pela primeira vez é um dos melhores momentos ‘sagrados’ dos livros“, admite Weiss. Então, quais seriam as razões alegadas para a ausência de Lady Stoneheart?

A primeira razão diz respeito a um possível conflito nas histórias planejadas para as páginas e para a TV, que poderiam estragar o final dos livros. “Parte do motivo pelo qual não queríamos mostrar isso tinha a ver com coisas que apareciam nos livros de George que não gostaríamos de estragar”, disse Benioff.

A segundo motivo foi que já na 3ª temporada, os criadores já haviam planejando a morte e ressurreição de um dos protagonistas da história, entre as temporadas 5 e 6, e queriam que isso fosse o mais chocante e cheio de suspense possível. Na visão de ambos, era como se utilizar o recurso novamente pudesse soar como uma trapaça. “Sabíamos que teríamos a ressurreição de Jon Snow chegando”, contou Benioff. “Muitas ressurreições começam a diminuir o impacto da morte de personagens. Queríamos manter a relevância disso [a ressureição].”

A terceira razão alegada foi que o Casamento Vermelho, dirigido por David Nutter foi um dos momentos mais impactantes da série. Para os produtores, trazer de volta Catelyn Stark poderia enfraquecer o que foi realizado em tela no excelente episódio citado, e que uma versão morta-viva de Catelyn não estava à altura da atriz Michelle Fairley, muito menos era o final mais adequado para a personagem.

O último momento de Catelyn foi tão fantástico, e Michelle é uma atriz tão grande, trazê-la de volta como um zumbi que não fala parecia um desperdício”, justificou Benioff.

Michelle Fairley em atuação visceral no “Casamento Vermelho” – Game of Thrones 3×09 (HBO)

O que pensa George R. R. Martin?

Se você chegou até aqui, deve ter se perguntado o que o próprio autor do livro e criador da personagem pensou disso. Acontece que Martin foi totalmente a favor da inclusão do personagem e tinha seus motivos para isso. “Lady Stoneheart tem um papel nos livros”, diz o autor. “Seja o suficiente ou interessante o suficiente. Acho que sim ou não a teria colocado. Uma das coisas que queria mostrar com ela é que a morte que ela sofreu muda você.”

Corroborando a opinião, durante uma entrevista para a Esquire China em 2018, Martin frisou: “Nos livros, os personagens podem ser ressuscitados. Depois de Catelyn ser ressuscitada como Lady Stoneheart, ela se torna uma assassina fria e vingativa. No sexto livro, eu continuo escrevendo sobre ela. Ela é uma personagem importante na série de livros. [Manter a personagem] é uma mudança que eu queria fazer na série.

Em outras palavras, o que Martin quer dizer é o básico de qualquer história que estabeleça suas regras. A possível ressurreição é mostrada antes da morte de Catelyn, quando conhecemos o personagem Beric Dondarrion, ressuscitado pela sexta vez por Thoros de Myr.

Desta forma, mesmo com o recurso da ressurreição já estabelecido, o mais provável é que os criadores da série não quisessem dar um contorno fantástico tão cedo a uma protagonista, quando mesmo com vários aspectos de fantasia introduzidos, a série ainda se notabilizava pelas maquinações políticas. Isso se intensificou mais à medida em que a série foi caminhando para seu desfecho, quando em grande parte, toda a coerência possível parece ter morrido, também.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...