Festival de Toronto | Brasileiro ‘Casa de Antiguidades’ integra seleção do Festival de Toronto com ‘Nomadland’ e ‘The Father’; veja a lista

A temporada de festivais de cinema é uma das melhores fases para quem gosta de cinema e também da temporada de premiações, já que os filmes que chegam lá costumam antes passar por uma série de festivais. Esse ano, entretanto, devido a pandemia do coronavírus, vários desses festivais não puderam ocorrer em prol da saúde coletiva. Mas alguns festivais já retomam suas atividades e propõem uma possível jornada no segundo semestre de 2020.

Após o Festival de Veneza exibir sua programação, chegou a vez do Festival de Toronto (TIFF), um dos maiores festivais de cinema americano que ao longo dos anos recebeu filmes que se consagraram tanto no festival quanto no Oscar. Sendo assim, o TIFF está programado para ocorrer do dia 10 à 19 de setembro, de uma forma diferente daquela vista nos últimos anos: o festival será presencial nos primeiros cinco dias de evento, e via online no restante.

A pandemia atingiu muito o TIFF, mas respondemos voltando à nossa inspiração original – trazer o melhor do cinema para o público mais amplo possível”, disse Cameron Bailey, diretor artístico e co-diretor do TIFF. “Nossas equipes tiveram que repensar tudo e abrir nossas mentes para novas idéias. Em inúmeras videochamadas nos últimos três meses, reconstruímos nosso Festival para 2020, aproveitando nossas cinco décadas de compromisso com forte curadoria, apoio a cineastas e envolvimento com o público…“, completou Bailey.

Dessa forma, o TIFF irá receber alguns poucos convidados da industria do cinema e da imprensa, mas a maior atividade do festival será feita de forma online. A Conferência da Indústria do TIFF e as exibições para a imprensa será feita virtualmente através da nova plataforma digital do Festival. Ressalta-se ainda, que mesmo com as dificuldades impostas pelo COVID-19, o número de diretoras com filmes na programação do TIFF subiu de 36% para 44% desde 2019.

Lembrando ainda que do Festival de Toronto saíram os indicados ao Oscar dos últimos anos e também os últimos vencedores. O grande prêmio da premiação o People’s Choice Awards é escolhido pelo público do festival. Desde 2012 todos os filmes que venceram o grande prêmio do Festival foram indicados a Melhor Filme. Parasita (2019) ganhou o prêmio de Melhor Filme Internacional em 2019, enquanto Jojo Rabbit (2019) ficou com maior prêmio.

A vencedora do Oscar Frances McDormand em “Nomadland” (2020)

Pra ficar de olho em Toronto

A programação do festival possui filmes já confirmados nos festivais de Cannes e Veneza como Nomadland, de Chloe Zhao que, acompanha Frances McDormand dando vida a uma mulher que depois de perder tudo na Grande Recessão, embarca em uma jornada pelo oeste americano, vivendo como uma nômade moderna.

Casa de Antiguidades, do diretor João Paulo Miranda, que esteve na lineup do Festival de Cannes e do Festival de San Sebástian. O longa brasileiro trabalha temas como racismo e xenofobia ao retratar um homem que sai do interior de Goiás para viver no Sul ultraconservador enquanto luta para se reconectar com seus ancestrais e o folclore.

A estréia da atriz vencedora do Oscar Regina King na direção, One Night in Miami, é um filme baseado na peça teatral de Kemp Powers. A peça acompanha como seria um possível encontro entre Malcolm X (Kingsley Ben-Adir), Muhammad Ali (Eli Goree), Sam Cooke (Leslie Odom Jr.) e Jim Brown (Aldis Hodge) em 1964. Os direitos do filme já foram adquiridos pela Amazon.

Summer of 85 do diretor francês François Ozon, que também figurou na lista dos selecionados para o Festival de Cannes. O filme é uma adaptação do livro Dance on My Grave, de Aidan Chambers, que Ozon leu quando foi lançado na década de 80. O longa conta a história de um romance de verão entre dois jovens.

Dirigido por Naomi Kawase, True Mothers também foi selecionado para Cannes. O filme que já possui trailer, acompanha a história baseada no romance de Mizuki Tsujimura, True Mothers, na qual um jovem casal luta e enfrenta o dilema universal da infertilidade. Não conseguindo ter um filho biológico, o casal decide adotar, mas seis anos depois, uma mulher que afirma ser a mãe biológica da criança regressa para os atormentar.

A Suitable Boy​ ​da diretora Mira Nair, é baseado no romance clássico escrito pelo indiano Vikram Seth. A obra é uma minissérie da BBC dividida em seis episódios, que foi lançada pela Netflix na Índia. A trama se passa na Índia nos anos 50, período em que o país está esculpindo sua própria identidade como uma nação independente e também prestes a ir às urnas para sua primeira eleição geral democrática.

Ammonite, o longa de Francis Lee, também selecionado para Cannes, conta a história real da paleontologista Mary Anning, que aos poucos se apaixona pela mulher de um cliente, uma moça muito mais nova chamada Charlotte. O longa é protagonizado por Kate Winslet e Saoirse Ronan.

Another Round, de Thomas Vinterberg, diretor de A Caça (2012), retoma a parceria com Mads Mikkelsen. No filme, quatro amigos, todos professores do ensino médio, testam a teoria de que melhorarão suas vidas mantendo um nível constante de álcool no sangue.

David Byrne’s American Utopia, filme de concerto americano dirigido por Spike Lee, consiste em uma gravação ao vivo de uma performance na Broadway de uma versão modificada do álbum American Utopia de David Byrne consistindo de 11 músicos. O concerto será lançado pela HBO.

The Father, de Florian Zeller é baseado na peça Le Père do próprio diretor. Um homem recusa toda a ajuda de sua filha à medida que envelhece. Ao tentar entender as mudanças nas circunstâncias, ele começa a duvidar de seus entes queridos, de sua própria mente e até mesmo da estrutura de sua realidade. O filme é protagonizado por Anthony Hopkins e Olivia Colman que vivem pai e filha respectivamente. Bem recebido no Festival de Sundance, o filme também foi selecionado para o Festival de San Sebastian, além de ser um dos longas mais aguardados para 2020.

Antonio Pitanga em “Casa de Antiguidades”

Programação Completa – Festival de Toronto 2020

‘180 Degree’, de Rule Farnoosh Samadi (Irã)
’76 Days’, de Hao Wu, Anonymous, Weixi Chen (EUA)
‘Ammonite’, de Francis Lee (Reino Unido)
‘Another Round (Druk)’, de Thomas Vinterberg (Dinamarca)
‘Bandar Band’, de Manijeh Hekmat (Irã/Alemanha)
‘Beans’, de Tracey Deer ​(Canadá)
‘Beginning (Dasatskisi)’, de Dea Kulumbegashvili (Georgia/França)
‘The Best is Yet to Come (Bu Zhi Bu Xiu)’, de Wang Jing (China)
‘Bruised’, de Halle Berry (EUA)
‘Casa de Antiguidades’, de João Paulo Miranda Maria (Brasil/França)
‘City Hall’, de Frederick Wiseman (EUA)
‘Concrete Cowboy’, de Ricky Staub (EUA)
‘David Byrne’s American Utopia’, de Spike Lee (EUA)
‘The Disciple’, de Chaitanya Tamhane (Índia)
‘Enemies of the State’, de Sonia Kennebeck (EUA)
‘Falling’, de Viggo Mortensen (Canadá/Reino Unido)
The Father’, de Florian Zeller (Reino Unido/França)
‘Fauna’, de Nicolás Pereda (México/Canadá)
‘Fireball: Visitors from Darker Worlds’, de Werner Herzog, Clive Oppenheimer (Reino Unido/EUA)
‘Gaza mon amour’, de Tarzan Nasser, Arab Nasser (França/Alemanha/Portugal/Palestina/Catar)
‘Get the Hell Out (Tao Chu Li Fa Yuan)’, de I-Fan Wang (Taiwan)
‘Good Joe Bell’, de Reinaldo Marcus Green (EUA)
‘I Care A Lot’, de J Blakeson (Reino Unido)
‘Inconvenient Indian’, de Michelle Latimer (Canadá)
‘The Inheritance’, de Ephraim Asili (EUA)
‘Lift Like a Girl’, de Mayye Zayed (Egito/Alemanha/Dinamarca)
‘Limbo’, de Ben Sharrock (Reino Unido)
‘MLK/FBI’, de Sam Pollard (EUA)
‘The New Corporation: The Unfortunately Necessary Sequel’, de Joel Bakan, Jennifer Abbott (Canadá)
‘New Order’, de Michel Franco (México)
‘Night of the Kings’, de Philippe Lacôte (Costa do Marfim/França/Canadá/Senegal)
‘Nomadland’, de Chloé Zhao (EUA)
‘No Ordinary Man’, de Aisling Chin-Yee, Chase Joynt (Canadá)
‘Notturno’, de Gianfranco Rosi (Itália/França/Alemanha)
‘One Night in Miami’, de Regina King (EUA)
‘Penguin Bloom’, de Glendyn Ivin (Austrália)
‘Pieces of a Woman’, de Kornél Mundruczó (EUA/Canadá/Hungria)
‘Preparations to Be Together For an Unknown Period of Time’, de Lili Horvát (Hungria)
‘Quo Vadis, Aïda?’, de Jasmila Žbanić (Bósnia e Herzegovina/Noruega/Holanda/Áustria/Romênia/França/Alemanha/Polônia/Turquia)
‘Shadow In The Cloud’, de Roseanne Liang (EUA/Nova Zelândia)
‘Shiva Baby’, de Emma Seligman (EUA/Canadá)
‘Spring Blossom’, de Suzanne Lindon (França)
A Suitable Boy’, de Mira Nair (Reino Unido/Índia)
‘Summer of 85’, de François Ozon (França)
‘The Third Day’, de Felix Barrett, Dennis Kelly (Reino Unido)
‘Trickster’, de Michelle Latimer (Canadá)
‘True Mothers’, de Naomi Kawase (Japão)
‘Under the Open Sky’, de Miwa Nishikawa (Japão)
‘Violation Madeleine’, de Sims-Fewer, Dusty Mancinelli (Canadá)
‘Wildfire’, de Cathy Brady (Reino Unido/Irlanda)

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.