Crítica | Melancolia resume a experiência de assistir ‘A Química que Há Entre Nós’

Baseado no livro de Krystal SutherlandA Química que Há Entre Nós marca a primeira aposta da Amazon Prime Video em conversar com o público adolescente a partir de seus conteúdos originais. A plataforma ainda está construindo seu catálogo original, e mesmo com os diversos lançamentos mensais, ainda não havia entregado um específico que poderia chamar a atenção desse público. 

Indo na contramão das comédias românticas adolescentes que andam marcando presença atualmente, o filme apresenta um clima bastante melancólicos. Não há momentos em que as coisas pareçam que vão se caminhar para um terreno mais leve, muito pelo contrário, ele se mostra bastante confortável em não deixar com que haja momentos que tirem esse sentimento de melancolia. Esse é um ponto extremamente positivo e que ajuda bastante na imersão.  

A Química que Há Entre Nós acompanha a história de Henry (Austin Abrams), adolescente que sonha em se tornar escritor, e que está tentando uma vaga no jornal da escola. Ali, ele vai conhecer Grace (Lili Reinhart), uma garota misteriosa que, aos poucos, conforme a amizade (e romance, claro) dos dois vai avançando, mostra ter um passado bastante complexo. 

Conforme seus traumas vão sendo revelados, podemos ver que o filme busca discutir assuntos muito mais pesados do que somente o primeiro amor e as dificuldades de ser adolescente. Entretanto, o ponto negativo desse fator acaba sendo a falta de coragem do roteiro em adentrar ainda mais nos sentimentos de Grace.  

O principal erro, o qual já vem desde a obra original, é a história ser narrada pelo ponto de vista de Henry. Por mais que o garoto tente entender e ajudar Grace, sua maior preocupação ainda parece ser a de não querer ter seu coração partido. Essa constante preocupação do garoto que é jogada na cara do espectador em um dos momentos mais fortes da trama, tira um pouco do espaço do aprofundamento dos assuntos que Grace carrega.  

Lili Reinhart
Lili Reinhart como Grace Town em “A Química que Há Entre Nós (Chemical Hearts) – Amazon Prime Video

 

Se pararmos para analisar, não precisariam ser feitas drásticas mudanças caso Grace fosse a verdadeira protagonista. Ainda poderíamos ter o mistério em volta do seu passado, e a descoberta do primeiro amor de Henry. A diferença do ponto de vista principal e a forma com que o roteiro se desdobraria seriam as principais formam para que todas as dores de Grace fossem vistas pelo seu olhar… o olhar de quem as sente. E nada melhor do que acompanharmos uma história de perda, luto, e culpa, sendo narrado por quem está conectado por esses assuntos. 

Porém, mesmo sem essas mudanças, a direção de Richard Tanne ainda consegue entregar detalhes que fazem a experiência ser um pouco mais rica. A coloração, tanto da fotografia, quanto das roupas dos personagens diz bastante sobre a personalidade e os sentimentos deles. Quando há mudanças, percebemos a mistura de cores de um personagem com o outro. É algo sutil, mas que para os olhares mais atentos é uma ajudinha a mais a entender o que se passa na cabeça de cada um deles. 

O elenco também consegue fazer um bom trabalho, principalmente Lili, que dá tudo de si para viver Grace. Não é de hoje que ela vem mostrando seu talento – ela em As Golpistas também merece destaque -, e aqui entrega sua melhor atuação até o momento. Mesmo sem ter o aprofundamento necessário, ainda é possível sentir a dor que a personagem carrega e esconde para si. A química entre ela e Austin também é bastante palpável, o que é essencial nesse tipo de história.  

A Química que Há Entre Nós está longe de ser ruim. Pelo contrário, ele consegue se diferir dos grandes exemplares do gênero mais recentes, mesmo que ainda apresente alguns clichês. Porém, a falta que faz acompanharmos a história pelo ponto de vista de Grace acaba tirando um pouco do aprofundamento necessário para que o filme atingisse seu ápice, deixando a sensação de que havia um certo receio de entregar algo mais melancólico e pesado.  

A QUÍMICA QUE HÁ ENTRE NÓS | CHEMICAL HEARTS
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RESUMO

Longe de ser ruim, A Química que Há Entre Nós é um filme melancólico e triste, mas que se beneficiaria de um diferente ponto de vista principal.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.