Crítica | É guerra entre irmãos na 5ª temporada de Lúcifer!

Quase da mesma forma como o famoso Poema de Sete Faces de Drummond, teve início a quinta temporada de Lúcifer, na Netflix. Depois do instigante final do ano passado, quando o rei do inferno retornou ao seu trono para aplacar a rebelião dos demônios (deixando sua amada Chloe (Lauren German) para trás), Miguel, o irmão gêmeo do diabo mais querido do mundo, resolve fazer uma visitinha à Terra, mas de um jeito meio torto, como dizem aqueles belos versos.

“Quando nasci, um anjo torto

Desses que vivem nas sombras…”

Mas se as intenções do renomado arcanjo eram tão mesquinhas quanto as intenções de um ser celestial não deveriam ser, quais sejam, assumir a identidade e a vida de seu irmão caído (do qual morria de inveja), elas também foram a motivação para que Lúcifer (Tom Ellis) voltasse à Los Angeles, à Lux, à L.A.P.D, à Chloe e, claro, a nós, os saudosos espectadores.

Saudosos, sim. Porém, apesar de termos sidos brindados com todo o charme da série e principalmente dos seus protagonistas (Tom Ellis dessa vez em dose dupla) e Lauren German e suas divertidas investigações de crimes na Cidade dos Anjos, infelizmente não fomos agraciados com a melhor das temporadas (essas ficaram mesmo lá atrás, em 2016 e 2017).

Tom Ellis em dose dupla na 5ª temporada de Lúcifer (Netflix)

E assim, mesmo que Lúcifer tenha cumprido com o objetivo da quinta parte, que era fazer o diabo e a detetive ficarem juntos finalmente, tivemos que aguentar alguns episódios e cenas bem cansativos. O melhor exemplo é o episódio noir no qual Lúcifer conta a Trixie a história de como conseguiu o anel da imortalidade de Lilith. A excelente qualidade técnica que caracterizou o estilo proposto (trilha sonora inclusa), não impediu que o episódio em específico parecesse se arrastar para muito além de seus 55 minutos (um dos mais longos da temporada). Arrisco a dizer que ele foi até mesmo desnecessário.

Apesar disso, o carisma de Lúcifer e Chloe nos impede de ficar chateados por muito tempo! Ainda é muito interessante como o senso comum continua sendo muitas vezes invertido pela trama, como o fato de um arcanjo ser o vilão enquanto o herói continua sendo o diabo – não dá para deixar passar o fato de que as asas de Miguel são negras, enquanto as de Lúcifer são brancas, ou o fato de o poder do arcanjo ser o de trazer à tona o medo das pessoas.

E por falar em irmãos gêmeos, Ellis continua dando um show de interpretação. Nessa temporada, destaca-se sua expressão corporal, notadamente quando, na pele de Miguel, ele vai ficando literalmente mais torto (dá-lhe Drummond!) à medida que os outros personagens vão começando a desconfiar de sua identidade. Ele até consegue ficar menos bonito, por incrível que pareça.

Sendo assim, a rivalidade entre Lúcifer e mais esse irmão (a família é grande) é a força motriz da 5ª temporada, enquanto os outros personagens, consciente ou inconscientemente, orbitam em volta dela. Miguel usa o bebê Charlie para atazanar Amenadiel (D.B. Woodside) e a carência de Maze (Lesley-Ann Brandt) para manipulá-la, até que a situação chega num ponto em que o Todo Poderoso precisou intervir, claro. Quando as crianças fazem muita bagunça, o Pai tem que por ordem na casa, certo? Tenho fé que sim.

Lúcifer – 5ª temporada (Netflix)

Não obstante, é notável como em meio à comédia a série vai inserindo questões com as quais nós humanos lidamos desde o começo dos tempos, como as indagações sobre a justiça divina, a predestinação, o egocentrismo, as falhas humanas, a amizade e as relações familiares. E falando nesse último ponto (as relações familiares), gostei particularmente do episódio que se passa num hotel em referência direta a O Iluminado. Até que a icônica cena do velocípede do filme de Stanley Kubrick ficou bastante legal no contexto de Lúcifer.

Destaque para a excelente Ella (Aimee Garcia) que, apesar da desilusão amorosa que sofreu, continua sendo responsável por boa parte das risadas que damos com a série.

No fim, o que se pode dizer é que a 5ª temporada não foi tão boa quanto poderia, nem tão ruim que não mereça ser assistida. Pelo menos deixou um gancho que pode dar em algo bom no season finale, afinal, o Pai Nosso que estás no Céu não está mais no Céu. Ele está em entre nós.

LÚCIFER – 5ª TEMPORADA
3.5

RESUMO

Tom Ellis em dose dupla e o carisma da dupla de protagonistas seguram a 5ª temporada de Lúcifer, disponível na Netflix.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.