Crítica | Faltou ousadia a ‘Power’, o divertido filme de super-heróis da Netflix

Projeto Power estreou na Netflix apoiando-se em uma premissa interessante e um elenco de bastante peso. Com cenas de ação eletrizantes e efeitos visuais de encher os olhos, o filme escrito por Mattson Tomlin e dirigido pela dupla Henry Joost e Ariel Schulman é bastante divertido, porém, no fim, deixa a sensação de que poderia ter ousado mais.

No longa, Nova Orleans sofre com a disseminação de uma nova droga que proporciona cinco minutos de poderes a quem toma. Porém, para descobrir qual o seu poder, é preciso tomar, o que por si só já gera o risco de explodir. Nesse cenário, o ex-militar Art (Jamie Foxx) começa a investigar o desaparecimento da filha utilizando-se de métodos deveras violentos, e no seu caminho, acaba se  deparando com Robin (Dominique Fishback), uma colegial que sonha em ser rapper e um dos únicos policiais não corruptos da cidade, Frank (Joseph Gordon-Levitt).

Ainda que relutantes no começo, o trio é obrigado a enfrentar uma rede de traficantes liderados pelo excêntrico Biggie (Rodrigo Santoro) e outros personagens poderosos.

Power (2020) – Netflix

O próprio cenário estabelecido pelo enredo abria um leque com inúmeras possibilidades. Porém, faltou ao roteirista ousadia, explorando mais esse cenário. O filme é bem executado no que se propõe, com uma história que começa muito bem e finaliza com um excesso de clichês, que apesar de não tornar a obra ruim, não a transforma em memorável.

O fato de mais uma vez vermos um ator latino (Santoro) interpretando o papel de um traficante mostra como até mesmo o casting segue a essência clichê da produção. O que faltou nessa obra foi um pensamento um pouco mais fora da caixinha e ambicioso.

Contudo, os últimos frames finalizam em uma vibe bastante agradável, apesar de o clímax não ter emocionado tanto assim. A própria presença do hip-hop no filme é um dos fatores mais interessantes e que dão personalidade ao longa.

Power é um filme divertido, sobretudo para um público menos exigente, mas também é mais um exemplo de um projeto com potencial enorme, mas que se contenta com o que é seguro.

Rodrigo Santoro em “Power” (2020) – Netflix

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Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...