Crítica | Apesar de longo, ‘A Barraca do Beijo 2’ diverte a quem procura uma diversão escapista e descompromissada

A Barraca do Beijo se tornou uma espécie de caso polêmico da NetflixO filme é, inegavelmente, um grande sucesso, mas a recepção do público é bastante mista, com alguns ressaltando os relacionamentos problemáticos que o filme aborda de forma romantizada, e com outros apenas querendo curtir um romance adolescente clichê sem se aprofundar nos erros. Gostando ou não, o alvoroço causado garantiu uma sequência (e um terceiro filme já foi gravado e está programado para 2021).  

Desde o lançamento do primeiro filme em 2018, também dirigido por Vince Marcello, muita coisa mudou na vida do casal principal, interpretados por Joey King Jacob ElordiJoey protagonizou a minissérie The Act, que levou as telas a chocante história real de Gypsy Rose Blanchard e sua mãe Dee Dee, alavancando diversas indicações por sua atuação nas principais premiações, como o Emmy e o Globo de Ouro. Já Jacob marcou presença na série Euphoria, que foi um estrondoso sucesso em 2019, interpretando o problemático adolescente Nate. Sua atuação também recebeu diversos elogios, mas não conseguiu alavancar indicações nas premiações, pelo menos até o momento.  

Tendo isso em mente, era difícil imaginá-los voltando a interpretar Elle Noah, em A Barraca do Beijo 2. Mas, sinceramente, não havia como fugir, e pelo menos Joey pareceu se divertir ao interpretar a personagem novamente. Carismática ao extremo, ela é a alma do filme, e apesar do roteiro e a direção não ajudarem nesse quesito, ainda assim consegue entregar uma atuação satisfatória. Jacob não passa o mesmo sentimento, dando uma sensação constante de que está ali apenas para cumprir contrato.  

Porém, mesmo demonstrando desinteresse, o ator não chega a afetar o filme, que é consideravelmente melhor que o seu antecessor. A produção parece ter escutado as críticas em relação as problemáticas da história, e escreveu um roteiro que, apesar de ainda ser bobo e com diversos momentos de vergonha alheia, se mostra mais maduro e com personagens masculinos menos possessivos e agressivos como vistos anteriormente.  

Esse ponto é extremamente positivo pois, considerando o público-alvo do longa, acaba sendo menos provável que os adolescentes espelhem um relacionamento igual aos que o primeiro filme apresentou entre Elle e Noah/Elle e Lee (Joel Courtney). O maior problema do gênero, e ainda mais dos exemplares lançados pela Netflix, é a falta de cuidado ao abordar o romance entre jovens de forma não abusiva e romantizada. A insistência do público mais velho precisa estar sempre presente para mostrar para os futuros projetos que não é aceitável existir esse tipo de problemática de forma alguma.

A Barraca do Beijo 2 (2020) – Netflix

O ENREDO DE A BARRACA DO BEIJO 2

Mas, afinal, o que acontece em A Barraca do Beijo 2? A história continua focando no desenvolvimento do namoro entre Elle e Noah, que agora mantém um relacionamento a distância por Noah estar atualmente na faculdade. Ao mesmo tempo em que lida com a distância, ela ainda terá que pensar mais afundo no seu futuro e em qual faculdade pretende ingressar, além de ter que se preocupar com o surgimento de um novo garoto para abalar seus sentimentos. 

Parece muita história para um filme só, e realmente é. Para juntar tudo isso, a duração do longa se estendeu para mais de 2 horas, o que acaba sendo cansativo e carregado demais para um filme que pretendia ser apenas um passatempo adolescente. Era necessário condensar os acontecimentos em uma duração mais aceitável, tornando-o mais dinâmico e direto ao ponto do que rodar demais em círculos para chegar em um lugar que todos já sabem qual será. 

Porém, a real intenção da produção é entregar diversão, e isso ela entrega. Aqueles que decidirem embarcar nas 2 horas e 12 minutos de duração, e conseguirem desligar o cérebro, vão encontrar um filme que não se leva a sério, recheado de momentos vergonha alheia, mas que conseguem ser ignorados devido ao carisma dos personagens. É apenas um clichê adolescente escapista e nada mais do que isso.  

Os personagens tomam inúmeras decisões questionáveis, e a maioria dos conflitos poderiam ser resolvidos com apenas uma conversa entre os envolvidos, mas a graça do gênero é o drama, então criticar a falta de diálogo chega a ser inútil considerando o que estamos assistindo. O mesmo pode ser dito de várias cenas em que se analisadas mais a fundo não fariam o menor sentido, como por exemplo o encerramento da competição de dança no final do filme. O acontecimento principal dali é completamente inverossímil se considerarmos todo o contexto que gira em torno dela, e como Elle sabia que a competição estava sendo televisionada. 

A Barraca do Beijo 2 (2020) – Netflix

O filme até mesmo tenta alcançar um pouco do público mais velho que pode acabar assistindo ao filme com os mais novos (ou por conta própria, talvez) entregando pequenas referências de filmes teen dos anos 80. A própria mãe de Noah e Lee, Mrs. Flynn (Molly Ringwald) foi uma figura carimbada dessas produções, como Clube do Cinco (1985) Gatinhas e Gatões (1984), por exemplo. Os mais atentos conseguirão pegar as referências que em alguns momentos estão mais escancaradas, e em outros não.  

A Barraca do Beijo 2 é mais um exemplar de filme para desligar o cérebro e curtir as cafonices e baboseiras. Mas, ele não precisava ser algo a mais do que isso, certo? Apesar da duração excessiva, e da qualidade questionável do roteiro, ele sai na frente do primeiro por conseguir retirar as problemáticas da história, entregando um filme divertido e despretensioso, ótimo para desfrutar em uma sexta à noite.  

A BARRACA DO BEIJO 2
2.5

RESUMO

A Barraca do Beijo 2 retira as problemáticas da história que o filme anterior apresentou, e se mostra uma diversão pretensiosa para uma sexta à noite.

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Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.