Crítica | Maior e mais trabalhada, 2ª temporada de ‘The Umbrella Academy’ entrega diversão de primeira qualidade

Extremamente aguardada, The Umbrella Academy – que é baseada nos quadrinhos de Gerard Way Gabriel   – retorna para a sua 2ª temporada depois do estrondoso sucesso da primeira. Para a Netflixo sucesso comercial da série já era aguardado, mas talvez, o tamanho alcançado tenha superado todas as expectativas, se tornando a 2ª série original mais assistida da plataforma. 

A família Hargreeves agora retorna com um problema ainda maior em mãos: não só conseguir impedir (mais um) fim do mundo, como também, repetir ou superar a qualidade da primeira temporada que, vale dizer, era bastante alta. Mas, já adiantando e tirando aquele sentimento aflito de que talvez isso não fosse possível, esse segundo ano consegue ser ainda melhor do que o primeiro. 

Após saltar no tempo para fugir do fim do mundo causado por Vanya (Ellen Page), os irmãos Hargreeves vão parar na Dallas da década de 60, porém com cada um em um momento diferente. Estando separados mais uma vez, cada irmão terá sua jornada pessoal, até que o inevitável reencontro acontece quando o Número 5 (Aidan Gallagher) aparece alertando a chegada de um novo fim do mundo dali há alguns dias.  

A princípio, a premissa da temporada pode parecer uma repetição do que já foi visto anteriormente, mas essa sensação não permanece por muito tempo. A série não se mostra focada apenas em impedir um novo fim do mundo, mas sim, também e principalmente, no desenvolvimento pessoal de cada um dos integrantes da família. O roteiro se aprofunda ainda mais nos personagens, tornando a jornada de cada um interessante o suficiente para que, muitas vezes, o fim do mundo fique apenas de pano de fundo. As descobertas em relação a própria família também ajudam nesse quesito, fazendo essa estadia nos anos 60 ser mais reveladora do que aparentava. 

E claro, é de anseio do público ver os irmãos juntos novamente, mas não há pressa para que isso aconteça. Eles passam mais tempo separados do que juntos aqui, e quando acontece, vemos pequenos grupinhos se formando até que todos eles se juntem para o ápice da temporada. Além disso – e o que pode ser frustrante para alguns – poucas vezes vemos eles usando os poderes, principalmente nesses momentos em que estão cada um em um lugar. Mas, para compensar a espera, as cenas em grupo reservam algumas das melhores sequências de ação de séries de super-heróis já vistas na televisão. O último episódio, por exemplo, é recheado delas.  

The Umbrella Academy – 2ª temporada (Netflix)

AMBIENTAÇÃO E PERSONAGENS  

Tendo em mente a ambientação de Dallas na década de 60, é esperado que a série mergulhe com louvor nos cenários, figurinos e cabelos que remetem à época, e mesmo não sendo gravada na cidade em si, ela consegue transparecer perfeitamente o sentimento da época. Um design de produção caprichado, principalmente quando a série/filme pede por isso, é um ponto a mais para que o produto seja bem aproveitado por quem assiste. É o que acontece aqui com cenários e figurinos extremamente glamourosos.  

Porém, nada disso importaria se os personagens não fossem interessantes o suficiente para acompanhar todos os acertos. Os Hargreeves não são isentos de defeitos, e o roteiro nunca procurou esconder esse detalhe. Muito pelo contrário, ele abraça e faz deles motivos grandes o suficiente para que eles amadureçam não só em relação as suas atitudes, como também ao uso dos seus poderes. A favor disso, mesmo o número 5 sendo o centro da história, ele não tira o brilho e o tempo de tela dos outros personagens.  

Vanya é uma das que mais cresce durante a temporada. No ano anterior, ao saber da existência dos seus poderes e de que sua família escondeu esse fato dela, acabou ficando fora de controle causando o fim do mundo. Aqui, a personagem não se lembra do que aconteceu após sofrer um acidente, e passa a maior parte do tempo perdida em relação a si mesma. Conforme ela vai descobrindo, ela se mostra mais madura e consciente do que a explosiva Vanya da temporada passada.  

The Umbrella Academy – 2ª temporada (Netflix)

Ela e Allison (Emmy Raver-Lampman) são as que mais sentem o baque da diferença de épocas, e carregam as jornadas mais representativas até o momento. Vanya, ao se apaixonar por Sissy (Marin Ireland), bate de frente com um mundo em que o amor entre pessoas do mesmo gênero ainda era considerando uma doença, enquanto Allison luta pelos direitos dos negros em uma época que o racismo era mais explícito do que, infelizmente, ainda é hoje. Ela se juntará à um grupo de ativistas que buscam conquistar direitos igualitários no tratamento entre brancos e negros, e a partir disso, protagonizará uma das cenas mais poderosas da temporada.  

Entretanto, é frustrante perceber que Ben (Justin H. Min) continua apagado, apesar de brilhar em um momento específico da temporada. Mesmo estando morto, o personagem se mostra bastante presente para Klaus (Robert Sheehan), e em boa parte do tempo, o sentimento deixado é que ele está ali para ser somente isso: o companheiro de Klaus. Era esperado que o roteiro se aprofundasse mais no passado do personagem, mas vemos pouco tanto dele no presente, como no passado.  

Os vilões continuam sendo um ponto fraco para a série. Mesmo tendo a Comissão como antagonista principal dos Hargreeves, acaba se tornando confuso tentar identificar qual seria a maior ameaça para os irmãos conforme novos personagens vão sendo inseridos na trama. Nenhum deles se mostra ser uma ameaça realmente amedrontadora para eles, fazendo com que aquele sentimento apreensivo de que algo muito ruim pode acontecer não exista. A jornada conseguiria ser ainda mais empolgante se houvesse uma figura antagonista de peso para bater de frente com eles.  

The Umbrella Academy – 2ª temporada (Netflix)

The Umbrella Academy entrega uma temporada mais divertida e consistente que a anterior. Ao adentrar ainda mais no conceito de viagem no tempo, é comum que o roteiro se perca no próprio conceito, mas aqui isso não acontece. Personagens mais maduros, roteiro afiado, trilha sonora escolhida a dedo, e ambientação espetacular são o ponto alto da experiência, que se encerra em alta com questões em aberto que vão deixar qualquer um se coçando para saber o que vem a seguir.

THE UMBRELLA ACADEMY – 2ª TEMPORADA
4.5

RESUMO

The Umbrella Academy aumenta a qualidade da primeira temporada, e entrega um novo e segundo ano maior, mais trabalhado e divertido do que o anterior.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.