Crítica | ‘A Cor que Caiu do Espaço’ não faz feio na (difícil) missão de adaptar Lovecraft

A Cor que Caiu do Espaço Nicolas Cage

H.P. Lovecraft é sem dúvidas, a maior referência no horror cósmico. O autor é referenciado em muitas obras que foram consagradas ao longo dos anos. Dizem que poucas são produções literárias de fantasia que não beberam na fonte da obra desse autor. Contudo, graças à complexidade dos detalhes de suas mitologias, é bastante difícil adaptar suas obras para o audiovisual e muitos foram os que tentaram e falharam. Dessa forma, a missão que o diretor Richard Stanley assumiu foi de grande responsabilidade. Felizmente, o filme foi bastante bem sucedido em sua proposta com  A Cor que Caiu do Espaço.

No conto que deu origem ao filme, um meteoro cai do céu, junto com uma cor que não pode ser definida por quem a vê, mas que começa a afetar a sanidade mental de uma família que morava próximo do local da queda. Gradualmente, todos os membros da família começam a ficar completamente insanos, ao mesmo tempo em que coisas estranhas começam a acontecer. A cor misteriosa começa a afetar todo o local nas redondezas.

A Cor que Caiu do Espaço contextualizou a história para os dias atuais. O pai de família é representado pelo amado e odiado Nicolas Cage, conhecido por protagonizar filmes excelentes e também entregar atuações desastrosas que acabam por criar filmes que se tornam pérolas da cultura pop.

Um elemento muito bem construído no longa é o body horror, o tipo de filme de horror em que o elemento assustador é uma alteração monstruosa do corpo humano. Nesse caso, de alparcas também. É impossível assistir a esse filme sem relacioná-lo com O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982).

 Nicolas Cage em “A Cor que Caiu do Espaço” (2019)

O elenco está acertadíssimo e Cage, apesar de não performar uma de suas atuações mais brilhantes, não faz feio e cumpre a proposta de maneira exemplar, especialmente nos momentos em que seu personagem está mais surtado.

O único problema desse filme são algumas efeitos visuais, que talvez por causa do baixo orçamento, causam uma certa estranheza. Porém, isso não é suficiente para estragar a experiência. Os momentos em que esses mesmos efeitos criam uma atmosfera psicodélica funcionam perfeitamente ao que está acontecendo na trama.

Outro fator memorável e elogiável ao filme é a referência à H.P. Lovecraft, na pele do personagem Ward Phillips, uma vez que o autor se chamava Howard Phillips Lovecraft. Contudo, contextualizando para a época atual, o mais controverso é o fato de o ator ser negro, uma vez que Lovecraft era inegavelmente racista, o que pode ser observado nos conteúdos racistas presentes em suas obras. Há também, outras referências à obra do autor, quando vemos o livro dos mortos, Necronomicon, na posse da adolescente Lavinia (Madeleine Arthur), em um de seus rituais estranhíssimos.

Um fato interessante é que os realizadores (que contam com a participação de Elijah Wood) afirmaram que este é apenas o primeiro de uma trilogia e que o próximo projeto já está em desenvolvimento e pretende adaptar o conto O Horror de Dunwich, também de Lovecraft.

Madeleine Arthur em “A Cor que Caiu do Espaço” (2019)

Para quem gosta de um terror psicológico ao estilo O Iluminado de Stanley Kubrick, a filmes com elementos mais horrendos como os de Jhon Carpenter, e mesmos os fãs de Lovecraft, a conferência de A Cor que Caiu do Espaço é necessária e divertida.

A COR QUE CAIU DO ESPAÇO | COLOR OUT OF SPACE
3.5

RESUMO

Nicolas Cage retorna em mais um projeto do estilo ame ou odeie em A Cor que Caiu do Espaço, terror que adapta a obra de H.P. Lovecraft.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...