Crítica | ‘Expresso do Amanhã’ faz o público se divertir e refletir ao mesmo tempo

Grande foi a surpresa do público quando a Netflix anunciou o lançamento mundial da serie O Expresso do Amanhã (originalmente exibida nos EUA pela TNT), adaptação da série francesa de livros escrita por Jacques Lob, Le Transperceneige. A empolgação foi expressiva graças à adaptação realizada pelo diretor Bong Joon-ho em outubro de 2013, que tinha encabeçando o elenco, o astro Chris Evans, além de uma poderosa crítica social em um insano filme de ação e ficção científica. Contudo, apesar de se basear nos mesmos conceitos estabelecidos pelo filme, a série tem muito mais história para contar.

Em um mundo pós-apocalíptico onde o planeta foi tomado por uma nova Era do Gelo, um grupo de sobreviventes coexiste em um trem ultra-tecnológico que possui um sistema de combustível infinito, além de produzir calor e energia elétrica enquanto estiver em movimento. No interior do Snow Piercer, o trem de 1001 vagões, como é chamado, uma sociedade se desenvolve em um sistema de castas, separadas pelos vagões em quatro categorias, os Frentistas, milionários que vivem uma vida com os mais sofisticados luxos e mimos,  Segunda e a Terceira, que compreendem as classe média alta e baixa, além de comporem os trabalhadores e mantenedores da locomotiva e por fim, o Fundo, um local marginalizado onde a comida é pouca e reina a miséria, habitado por um grupo de pessoas que adentrou o trem à força para sobreviver ao colapso terrestre, conhecidos por não possuírem passagens.

O enredo acompanha Layton (Daveed Diggs), ex-policial e o líder dos Fundistas, que estão se organizando para realizar mais uma revolução e tomar o trem, a fim de estabelecer regras mais coerentes e justa distribuição dos recursos ao longo dos 1001 vagões. Porém, o rumo das coisas muda quando um assassinato ocorre e Melanie Cavill (Jennifer Connely), a encarregada mais importante do trem e representante direta do líder e responsável pela construção do Snowpiercer, o Senhor Wilford, convoca Layton, o único detetive do trem, para investigar e descobrir quem é o assassino.

A partir daí, dividido entre suas obrigações para com seus entes queridos do Fundo e a investigação, Layton é exposto a intrigas que podem pôr em risco a vida de todos os sobreviventes a bordo do Snowpiercer.

Expresso do Amanhã (Netflix)

Além de uma premissa bastante interessante e extremamente simbólica quando critica elementos existentes na sociedade contemporânea, a série é também muito divertida de acompanhar, uma vez que os episódios foram lançados semanalmente. Os personagens são cativantes e a trama é bem desenvolvida.

Também é interessante o mistério que envolve o Senhor Wilford, que nunca aparece para os passageiros, além do fato de que o público é exposto a uma série que eventos envolvendo as hipocrisias dos passageiros da frente. Interessante ressaltar a presença de personagens de índole questionável tanto nos vagões da frente, quanto nos demais vagões, inclusive no Fundo.

Criada por Josh Friedman e com um design de produção bem inspirado, uma direção de fotografia que valoriza o aspecto claustrofóbico gerado pelos corredores estreitos do trem, além de atuações bem realizadas e efeito visuais convincentes, Expresso do Amanhã é uma excelente série para quem quer se divertir com um entretenimento fácil, mas também para os públicos que gostam de refletir.

EXPRESSO DO AMANHÃ – 1ª TEMPORADA
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RESUMO

Baseado nos conceitos do filme de Bong Joon-ho, Expresso do Amanhã apresenta uma história cheia de mistérios e simbolismos.

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Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...