Crítica | Com um enredo simples, ‘The Old Guard’ entrega ótimas cenas de ação

Quando surgiu a notícia de que veríamos Charlize Theron estrelando um novo filme de ação na Netflix, muitos ficaram extremamente empolgados, ainda mais depois da notável performance da atriz em filmes como Mad Max: A Estrada da Fúria e Atômica. Com uma premissa interessante, The Old Guard, baseada na graphic novel de mesmo nome, chegou mostrando que possui bastante potencial.

E de fato, o longa dirigido por Gina Prince-Bythewood já começa com cenas eletrizantes e muita ação, estabelecendo um cenário com ar épico e personagens imortais e extremamente habilidosos em combate. Contudo, o roteiro , que poderia ser excepcional, dá algumas escorregadas que podem desapontar aos públicos mais exigentes.

No filme, quatro guerreiros imortais enfrentam ameaças ao longo dos séculos. Capazes de curar seus ferimentos de batalha em poucos segundos, esses quatro combatentes, liderados por Andy (Theron), acabam por encontrar com Nile (KiKi Layne), uma fuzileira em missão no Afeganistão, que morre em combate, mas algo acontece e ela manifesta seus poderes de cura.

A partir daí, Andy vai guiar a jovem Nile na dura jornada de um guerreiro imortal. O grande problema que vemos no enredo é que ele se apoia demais na graphic novel que dá origem ao filme, e isso se reflete nas decisões dos personagens e nos diálogos. Existe uma certa ingenuidade no roteiro que funciona bastante em histórias em quadrinhos, mas que na tela causa um leve incômodo. Podemos perceber no fato de os personagens mudarem suas personalidades muito rápido, bem como na ocorrência de vilões caricatos e que fazem o mal pelo puro mal, mas entram em contradições quando se mostram apenas gananciosos. De fato, o vilão caricato de histórias em quadrinhos.

Muitas das decisões dos personagens seguem esse raciocínio. Tudo é muito racional e sobra pouco espaço para o lado humano verdadeiro desses personagens. Nos momentos em que vemos Andy e Nile tendo diálogos sentimentais ou na cena em que Andy precisa interagir com a balconista de uma drogaria, é que temos os momentos mais verossímeis do filme.

Porém, apesar desses fatores, que realmente não irão desagradar boa parte do público, o restante é muito bem acertado, e como um bom filme de ação, o elemento fundamental que precisa contar são cenas de combate, e neste aspecto, o filme se sai muito bem. Charlize Theron, conforme já demonstrou em trabalhos anteriores, é uma atriz extremamente física e capaz de treinar para realizar cenas de ação sem dublê e realmente é extremamente impressionante vê-la mesclando técnicas diversas de combate para enfrentar homens bem maiores que ela, assim como sua perícia com armas de fogo e armas brancas, que não fazem feio em nenhum frame.

Dito isso, The Old Guard é um ótimo entretenimento, mas que talvez pelo fato de que um dos roteiristas, Greg Rucka, é o próprio autor da graphic novel, necessitava de um olhar mais maduro em relação à adaptação para o audiovisual, o que de fato, entregaria uma obra mais memorável.

THE OLD GUARD
3.5

RESUMO

Cenas de açao eletrizantes e uma trama bastante presa ao material de origem marcam The Old Guard, longa de ação da Netflix estrelado por Charlize Theron.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...