Crítica | ‘Reality Z’: produção brasileira de zumbis não funciona nem como trash

Recentemente entrou para o catálogo da Netflix, a minissérie Reality Z, que tinha como objetivo entregar uma espécie de “The Walking Dead” brasileira, tendo inclusive a participação de Sabrina Sato para servir de chamariz para o público.

Com uma produção razoável, a série poderia ter funcionado de duas formas. Se os realizadores buscassem um thriller assustador, utilizando o suspense como base e mostrando aos poucos os zumbis e os elementos pós apocalípticos, poderia causar desconforto, alguns sustos e até disfarçaria alguns efeitos toscos. A segunda fórmula de sucesso seria se entregar de vez ao galhofa, semelhante ao que foi desenvolvido na série Ash vs Evil Dead, produzindo um trash de respeito e provocando significativas gargalhadas no público.

O problema é que a série não se decide em qual dos dois ela pretende seguir e acaba criando um híbrido sem graça dos dois. Na maior parte do tempo, Reality Z se leva a sério demais, criando dramas que nem de longe convencem, algo que é evidenciado pelo roteiro extremamente ingênuo que por vezes parece que foi escrito por um pré-adolescente. Não que histórias de adolescentes ou mesmo pré-adolescentes não possam ser interessantes, desde que escritas de forma competente, mas o que vemos aqui é a falta de maturidade no enredo.

No quesito terror, não há uma única cena que surpreenda, cause desconforto ou mesmo que o mínimo susto. Os personagens são completamente incompetentes, incapazes de tomar uma única decisão meramente parecida com a de um ser humano normal vivendo uma situação parecida com aquela. Se um zumbi está batendo na porta, a personagem vai até a porta e abre só porque não aguenta mais o barulho que ele está fazendo. Uma desculpa esfarrapada para que os personagens tenham que enfrentar o zumbi.

E por aí vai. Dizer que a trama de Reality Z  é repleta de clichês seria um eufemismo. Há cenas que dão verdadeira vergonha alheia. Se o personagem é vilão, ele é vilão em todos os aspectos, asqueroso e caricato como se fosse um personagem de história infantil. Isso sem falar nos diálogos que mais parecem que foram ditos por uma malfeita peça de Shakespeare.

Reality Z – 1ª temporada (Netflix)

A produção chega a entregar algumas coisas interessantes em relação a alguns cenários, mas nada que vá impressionar. Apesar de haver várias cenas de ação, nenhuma delas é muito inspirada. Na verdade, elas se parecem quase todas idênticas. Quando há embates físicos ao invés de tiroteio monótono, as coreografias de ação são simples e com a câmera em primeiríssimos planos para disfarçar a falta de treino dos atores ou de uma coreografia de ação melhor desenhada.

Em alguns momentos, a edição aposta em câmeras lentas dramáticas para aumentar a dramaticidade da cena, mas é um elemento que se mostra extremamente infrutífero, uma vez que podemos ver o quão brega a cena foi filmada e nem esse efeito pode mascarar essas características.

Para quem gosta de produções de trash e não é muito exigente, Reality Z pode se mostrar como um bom entretenimento, mas para a maioria do público, especialmente aquele que gosta de boas histórias, essa série é uma total perda de tempo. Chega a ser triste ver mais um fiasco brasileiro, mas podemos nos apoiar que a exportação do material, talvez por causa da falta de contexto cultural, faça sucesso em outros países.

REALITY Z – 1ª TEMPORADA
1

RESUMO

Série brasileira Reality Z pretende se lançar como uma opção do gênero, mas falha ao não saber se entrega terror com profundidade ou trash.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...