Crítica | Dark: 3ª temporada encerra a série de forma genial e surpreendente (sem spoilers)

O tempo como o conhecemos é linear. Sua construção de sentido cultural está diretamente relacionada com a estrutura de nossos pensamentos. Apesar de nossa capacidade de arquivar memórias e as revisitar mentalmente, nosso raciocínio também funciona continuamente. Nossos corpos caminham para frente, não podendo jamais voltar para trás. Ou menos ainda, antecipar o futuro. É difícil se acostumar a pensar de uma forma alternativa, em que seria possível passear entre épocas como se estas fossem cômodos onde abrimos uma porta e entramos. Dark

Criada por Baran bo Odar e Jantje Friese, a série alemã Dark apresenta-se, desde seu início até sua última fase, como um mistério intrincado de difícil compreensão. Justamente por ser uma narrativa construída com argumentos temporais que não estamos familiarizados. Mas aos poucos, passamos a entender esse novo código e nossa percepção se expande. Mesmo que seja necessário montar um esquema na parede com fotos dos personagens e linhas temporais com setas os conectando.

A pergunta não é quando e sim qual mundo. Com esta frase, a segunda temporada de Dark termina e introduz um novo gancho para a terceira e última parte dessa história que se provou uma das mais fascinantes lançadas pela Netflix. Chegamos ao final de uma jornada e seu desfecho, de fato, é bonito e emocionante.

A terceira temporada inicia-se do ponto em que a segunda terminou. A outra Martha (Lisa Vicari) leva Jonas (Louis Hofmann) para outro mundo  e ele o descobre bastante parecido com o seu próprio. Não somente em aparência, mas em situações que se assemelham ao que já vimos acontecer. É um verdadeiro Dejà-Vu (expressão que dá nome ao primeiro episódio). Inclusive, é incrível perceber que os dois mundos tem seus cenários espelhados (o que antes estava na esquerda, agora está na direita).

Os novos mistérios de Dark

Nesta última parte, continuamos a presenciar em todas as cenas o Paradoxo de Bootstrap, em que informações ou objetos não têm uma origem. Além disso, uma nova teoria física é inserida, enriquecendo ainda mais a trama. Apesar de mais lenta que a anterior, a terceira temporada é nostálgica ao conseguir desenrolar o nó instaurado na primeira. É como se estivéssemos nos bastidores espiando como cada evento— tão familiares para nós — aconteceu.

O encerramento de Dark é bem apurado e surpreendente. A temporada final fecha perfeitamente a aventura iniciada em 2017, oferecendo uma conclusão significativa e genial, tanto para seus personagens, quanto para a grande questão envolvendo a circularidade do tempo. Seu epílogo sustenta as expectativas, senão as eleva.

* Nota do editor: A Netflix nos cedeu os oito episódios que encerram a série, e foi necessário um esforço monumental para entregar essa crítica sem spoiler, sem comprometer sua experiência. No próximo fim de semana (27), data da estreia da terceira temporada, volte aqui para acessar a crítica recheada de teorias. Combinado?

DARK - 3ª TEMPORADA
4.5

RESUMO

Com um desfecho bem apurado e surpreendente, a terceira e última temporada de Dark tem um desfecho bem amarrado e emocionante.

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Isa Carvalho

Jornalista e estudante de cinema. Acredita que o cinema é um documentário de si mesmo, em que o impossível torna-se parte do real. "Como filmar o mundo se o mundo é o fato de ser filmado?"