Crítica | Terror e claustrofobia no fundo do mar em ‘Ameaça Profunda’

Imagine estar preso em uma instalação científica a inúmeros metros de profundidade na escuridão do fundo do oceano pacífico. Imagine que acontece um acidente e que essa instalação está se despedaçando. Agora, imagine ainda que, além de ter que lidar com todos esses problemas, com uma expectativa quase nula de sobrevivência, você ainda tenha que fugir de estranhas criaturas oriundas das profundezas dos mares. Pois essa é a premissa de Ameaça Profunda, filme de ficção científica estrelado por Kristen Stewart e dirigido por William Eubank.

Apesar de não ser tão ousado quanto poderia (já vamos falar sobre isso), o longa conta com alguns pontos positivos. Um deles se dá pelo fato de que a ação já começa logo nos primeiros frames de projeção. O enredo não gasta nenhum tempo para desenvolver os personagens ou estabelecer o cenário. Assim que a imagem surge, descobrimos que a protagonista está em um laboratório de pesquisas científicas por causa do design do local e já percebemos que é embaixo d’água por causa do desenho de som. Pronto! Começam as explosões e o corre-corre.

Os personagens secundários vão sendo apresentados e desenvolvidos conforme a corrida pela sobrevivência dá início. E é aí onde o filme poderia ter sido mais ousado. Poderia ter quebrado paradigmas. O que acontece aqui é uma mistura de Alien, O Oitavo Passageiro com Cloverfield, O Monstro, que são excelentes filmes, aliás. Mas nesse ponto, Ameaça Profunda poderia ter se esforçado mais para criar sua identidade própria, estabelecendo seus próprios conceitos e elementos diferenciais.

Porém, afirmar que a produção não atinge todo o seu potencial não é a mesma coisa de dizer que se trata de um total fracasso. Muito pelo contrário, o filme é um ótimo entretenimento e muito bem executado. O design de produção é muito bem reproduzido, a fotografia é belíssima (com imagens bem contrastadas, com uma paleta de cores que enche os olhos e que ainda é potencializada por planos com câmeras de mão) e o desenho de som é extremamente bem editado e mixado (o som é de fato, um dos pontos mais fortes do filme). Os efeitos visuais, graças à um orçamento modesto para filmes desse escalão, não fazem feio, pois as cenas que mais precisam desse recurso são escuras e enevoadas pelo fundo do mar. Já em relação à trama, ela até entrega alguns momentos bem tensos e com cenas impactantes, mas que graças ao limitado desenvolvimento dos personagens, fica difícil de gerar empatia.

Kristen Stewart e Vincent Cassel em “Ameaça Profunda” (2020)

O elenco, que conta também com T.J. MillerJessica Henwick e Vincent Cassel, está entregando o que se pede, sem nenhum destaque. A atriz que mais se esforça é Stewart, mas por possuir mais tempo de tela do que por mérito próprio. E isso não se deve a falta de talento da atriz, e sim, a falta de material que ela tinha para trabalhar.

Dito isso, para os os fãs de H.P. Lovecraft, fica a pedida, pois podem ver na tela uma nova inspiração nas criaturas oriundas do horror cósmico do autor. Inclusive, não há como deixar de assistir Ameaça Profunda sem pensar no terrível Chtullu.

UNDERWATER – AMEAÇA PROFUNDA
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RESUMO

Apesar de requentar filmes que mergulham no gênero de ficção científica claustrofóbica, Ameaça Profunda (Underwater) é um terror que agrada.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...