Crítica | 2ª temporada de ‘Castle Rock’ traz uma nova e arrepiante aventura no universo de Stephen King

Não é de hoje que a tarefa de adaptar para o audiovisual a obra literária de um autor famoso não é nada fácil. Ainda mais quando se trata do mestre do horror, Stephen King. Porém, o que Castle Rock tenta fazer é uma abordagem diferente, não simplesmente elencando uma das histórias do autor para adaptar para a telinha, mas sim, apostando em vários personagens, locais e conceitos criados por ele, interligados por diversos eventos.

À primeira vista, essa aposta poderia ser bastante segura, porém, ainda há algumas ressalvas a serem consideradas e é aqui onde temos o primeiro calcanhar de aquiles dessa série.

Se na primeira temporada o expectador era apresentado a uma trama complexa, envolvendo viagem no tempo e um enredo difícil de compreender, dessa vez, a trama é bem mais simples. Tendo como personagem principal, Annie Wilkes (Lizzy Caplan), a estrela do livro Misery, somos apresentados a eventos que irão ocorrer na famigerada Castle Rock, mas que também irão envolver a icônica Derry (lar de It, a Coisa) e Jerusalem’s Lot (palco de A Hora do Vampiro, o segundo livro na carreira de King e uma das suas obras mais assustadoras).

Fugindo de seu passado, juntamente com sua filha Joy (Elsie Fisher), Annie tem uma chegada bastante conturbada em Castle Rock, onde se vê envolvida nos problemas de Pop Merrill (Tim Robbins, escalado por conta de seu personagem no longa Um Sonho de Liberdade) e seus familiares, inclusive os herdeiros da família Merril (conhecidos por seus traços problemáticos e violentos) e seus filhos adotivos vindos de um conflito na Somália.

Tim Robbins em Castle Rock
Castle Rock – 2ª temporada (Starzplay/Hulu)

Os maiores problemas dessa adaptação estão na junção de duas histórias de tons completamente diferentes. O universo de Annie (e suas questões psicológicas) é completamente mundano, sendo que o cenário de A Hora do Vampiro é completamente sobrenatural. Dessa forma, em muitos momentos, a personagem parece que está deslocada no meio dos eventos.

Mesmo assim, a série é muito bem realizada, entregando momentos de muito suspense e ação. A direção de fotografia é em muitos momentos, claustrofóbica, assim como as cenas descritas em A Hora do Vampiro e as atuações estão todas muito bem acertadas, apesar de não possuir nenhum grande destaque (com exceção, talvez, de Lizzy Caplan).

Talvez uma opção interessante fosse dividir os arcos em temporadas diferentes. Annie é uma personagem muito forte para dividir a história, portanto, seu arco poderia ter sido aproveitado em uma temporada exclusiva. Da mesma forma, a história inspirada nos conceitos levantados por A Hora do Vampiro mereciam um desenvolvimento próprio.

Porém, o que não se pode negar é a eficácia do final. Nos minutos finais do último episódio, o enredo dá uma guinada e brinca com a expectativa do expectador, entregando um desfecho que não só aproxima o arco da personagem, como também entrega uma das cenas de maior suspense e carga dramática de toda a série até agora.

CASTLE ROCK – 2ª TEMPORADA
3.5

RESUMO

Em sua segunda temporada, Castle Rock exagera ao unir duas histórias distintas, mas acerta no tom, com destaque para Annie, de Lizzy Caplan.

Aonde assistir: Starzplay (streaming)

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...