Anselmo Duarte | Conheça a cinematografia do ator e diretor

No último dia 21 de abril, o ator, diretor e roteirista, Anselmo Duarte, teria completado 100 anos de idade. Assim, essa figura tão importante para a história do cinema brasileiro não poderia deixar de ser lembrada. Nascido na cidade de Salto, São Paulo, um dos momentos mais marcantes da carreira de Anselmo ocorreu em 1962. Nesse ano, ele recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes pelo filme O Pagador de Promessas, o único brasileiro a atingir tal feito.

Anselmo Duarte começou a sua história no cinema como molhador de tela aos 10 anos de idade no Cine Pavilhão, em Salto. Antes de mais nada, no início dos anos 30, eram exibidos os filmes mudos e o projetor ficava posicionado atrás da tela. Logo, o aparelho costumava esquentar bastante. Dessa forma, a função do jovem era a de jogar água a cada vez que dois rolos do filme eram transmitidos, evitando, assim, um possível incêndio. Porém, dizem algumas biografias sobre o ator, que ele tinha o desejo de tornar-se projecionista.

Ele viveu na cidade de Salto até os 14 anos. Logo depois, se mudou para São Paulo e arranjou um emprego como datilógrafo num escritório de contabilidade. Com o passar do tempo, Anselmo conseguiu se formar em Economia e foi morar no Rio de Janeiro. Foi lá que a sua carreira na tela de cinema teve início.

O Começo da Carreira de Anselmo Duarte

Na década de 40, o cinema carioca vinha ganhando cada vez mais força. Curiosamente, Anselmo conseguiu o seu primeiro papel como figurante num filme do diretor Orson Welles. A produção It´s All True (1942) foi uma parceria entre a RKO e o governo estadunidense. Esse último enviou ao Brasil alguns cineastas, como o já citado Welles e John Ford, para realizarem os seus filmes, além de patrocinar uma série de turnês de famosas estrelas de Hollywood na época. Mas, atualmente, o longa é considerado perdido.

Posteriormente, em 1947, Anselmo atuou no longa Querida Susana, de Alberto Pieralisi, distribuído pela Cinegráfica São Luiz. Nesse mesmo ano, ele também participou da produção Não Me Diga Adeus, do diretor argentino Luis Moglia Barth. O musical, feito em parceria entre Brasil e Argentina, teve cenas gravadas em Petrópolis, RJ.

Em 1948, o ator participou do filme Inconfidência Mineira, escrito e dirigido por Carmen Santos. O longa era uma reconstituição do episódio histórico que ocorreu em Minas Gerais no século XVIII. No entanto, a produção, que levou 11 anos para ficar pronta, não teve uma boa recepção nas bilheterias. Consequentemente, a Brasil Vita Filmes, que produziu o filme, foi à falência.

Anselmo, nessa época, também apostou em outros trabalhos no meio artístico, como participações em radionovelas. Além disso, se arriscou em outras profissões. Dessa forma, ele chegou a trabalhar como redator e repórter na revista Observatório Econômico e Financeiro.

Os Trabalhos na Atlântida

Logo no ano de 1948, Anselmo Duarte foi contratado pela Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil, com um salário de 13 mil cruzeiros. A companhia foi criada em 1941 pelo cineasta Moacir Fenelon e, 66 filmes depois, em 1962, ela fechou.

Assim, o ator fez a sua estreia na produtora com o filme Terra Violenta (1948), do diretor estadunidense, Edmond Bernoudy. O drama apresentava a questão da forte concentração de terras nas mãos de uma elite latifundiária.

Logo em 1949, Anselmo trabalhou pela primeira vez como roteirista em Carnaval no Fogo, dirigido por Watson Macedo. A chanchada musical contava a história de dois bandidos que se hospedam num hotel no Rio de Janeiro para assaltarem turistas. Antes de mais nada, esse filme foi muito importante para a história da Atlântida, uma vez que abriu várias possibilidades de roteiros. Nessa produção, há a mistura da comédia com as histórias de policiais; a ideia do par romântico e da triangulação do casal com o vilão; a consagração da dupla cômica Oscarito e Grande Otelo; e a transformação da figura de Anselmo Duarte no “mocinho” e galã dos filmes. Ainda mais, o longa foi distribuído pela Columbia Pictures.

Ainda em 1949, Anselmo atuou nos filmes O Caçula do Barulho, de Ricardo Freda, e Pinguinho de Gente, de Gilda de Abreu. O primeiro era uma comédia, que contava a história de seis irmãos que precisam ajudar o caçula da família, que vivia se envolvendo em confusão. Enquanto que o segundo, um drama, apresentava Nini (Isabel de Barros), uma jovem que sonhava em ter uma linda boneca. No entanto, sua mãe, Maria Lúcia (Vera Nunes) só conseguia ter dinheiro para pagar o aluguel e comprar comida. Por esse trabalho, Anselmo ganhou o prêmio de Melhor Ator por parte da revista A Scena Muda (1921-1955).

As Primeiras Parcerias com Watson Macedo

Além de Carnaval no Fogo, no ano de 1950, Anselmo volta a trabalhar com o diretor Watson Macedo mais duas vezes. Primeiramente, na comédia Aviso aos Navegantes (1950). Estrelado pela dupla OscaritoGrande Otelo, o filme conta a história de uma companhia teatral a bordo de um transatlântico, retornando ao Brasil depois de uma série de apresentações na Argentina. Mais uma vez a produtora Atlântida investiu nas comédias musicais, no carnavalesco. Porém, o filme não foi muito bem recebido pela crítica. Essa apontou, principalmente, problemas no enredo e nas atuações.

Em seguida, foi a vez do longa A Sombra da Outra (1950). Watson até então era bastante conhecido por suas chanchadas, com muitos espetáculos musicais. Portanto, essa nova parceria entre o diretor e Anselmo era uma grande mudança de estilos. Por esse trabalho, eles ganharam da Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos os prêmios de Melhor Filme e Melhor Ator (Anselmo Duarte). Além disso, recebeu da Crítica do Rio de Janeiro o prêmio de Melhor Diretor. Infelizmente, tudo que resta do filme hoje são apenas uns negativos, que precisam de restauração, e alguns textos da época.

Logo depois, em 1951, mais uma parceria entre os dois. Trata-se de Maior que o Ódio, um drama policial com roteiro de Jorge Dória. Por esse, Anselmo voltou a receber uma série de prêmios pela sua atuação.

No entanto, seus anos na Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil estavam chegando ao fim. Anselmo ainda teria mais um trabalho na produtora em 1952. Dessa vez como roteirista do filme policial, Amei Um Bicheiro, em parceria com Dória. Mas ele não chegou a ser creditado na função.

Vera Cruz: Uma Nova Fase na Carreira de Anselmo Duarte

No início da década de 50, os jornais vibravam com a abertura da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, criada pelos italianos Franco Zampari e Francisco Matarazzo Sobrinho, em São Paulo. Eles vendiam a ideia de uma nova fase do cinema brasileiro; era um período de modernização. Ademais, a Vera Cruz era vista como o surgimento de uma “Hollywood brasileira”, devido aos altos investimentos feitos nas produções e nas contratações das estrelas. Além da ideia de tentar alcançar o mercado internacional.

Logo nos primeiros anos de funcionamento, a produtora começou a recrutar uma série de estrelas do cinema. Dentre esses, estava o galã da época, Anselmo Duarte. O ator deixou a Atlântida no Rio de Janeiro e passou a receber na Vera Cruz um altíssimo salário de 50 mil cruzeiros. Além disso, ele teria acesso a um carro, motorista particular e um apartamento de luxo.

Do mesmo modo, o seu início na Vera Cruz foi um sucesso. Em 1952, estreava nos cinemas o musical Tico-Tico no Fubá, de Adolfo Celi. Nesse, Anselmo interpretou uma versão romantizada do compositor Zequinha de Abreu. O longa, que foi distribuído pela Columbia Pictures, contou com um orçamento de mais de 6 milhões de cruzeiros e teve uma boa recepção tanto por parte da crítica quanto do público. Inclusive, a produção concorreu à Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1952. Porém, perdeu para os longas Dois Vinténs de Esperança, de Renato Castellani, e Othello, de Orson Welles.

Ainda naquele ano, Anselmo atuou em Apassionata, de Fernando de Barros, e Veneno, do italiano Gianni Pons. Ambos, além de contarem com grandes orçamentos para época, também foram bem recebidos.

Em 1953, Anselmo Duarte estrelou, ao lado de Eliane Lage Ruth de Souza, o filme Sinhá Moça, do diretor argentino Tom Payne. Segundo o próprio ator, esse era seu trabalho preferido. O drama, baseado no romance de mesmo nome da escritora Maria Dezonne Pacheco Fernandes (que também trabalhou como roteirista do filme), foi um sucesso internacional. Dessa forma, chegou a receber o Leão de Bronze no Festival de Veneza. Além desses, também ganhou o prêmio de Melhor Filme do Ano pelo Tema Social no Festival de Havana. Quanto às honrarias nacionais, Sinhá Moça conquistou o Prêmio Saci (dado pelo jornal O Estado de S. Paulo) nas categorias Melhor Produtor (Edgar Batista Pereira), Melhor Atriz (Eliane Lage) e Melhor Atriz Secundária (Ruth de Souza).

Anselmo Após a Vera Cruz

A Companhia Cinematográfica Vera Cruz, no fim das contas, não deu certo. Devido aos altos investimentos nas produções e nos salários das estrelas, chegou uma hora que os empresários por trás da companhia começaram a pegar empréstimos cada vez maiores. Além disso, havia uma forte complicação com a distribuidora Columbia Pictures, que comprava as fitas por valores pequenos, mas sem investir muito na promoção delas no mercado internacional. Com isso, o retorno financeiro da Vera Cruz era baixíssimo. Assim, a produtora fechou em 1954, após pouco mais de 40 filmes.

Pouco tempo depois, Anselmo Duarte retornou ao Rio de Janeiro e se reuniu mais uma vez com Watson Macedo. Dessa forma, eles trabalharam na comédia Sinfonia Carioca (1955), produzida pela Brasil Vita Filmes. E, depois disso, também em 1955, os dois lançaram o musical e ficção científica, Carnaval em Marte, escrito pelo próprio Anselmo.

Ainda mais, nesse mesmo ano Anselmo protagonizou Senhora (1955), de Alberto Pieralisi. No ano seguinte, ele atuou no filme de aventura Diamante, de Eurides Ramos.

Anselmo também atuou e roteirizou mais um longa dirigido por Watson. Trata-se de Depois Eu Conto (1956). Também faziam parte do elenco a atriz Dercy Gonçalves e Grande Othelo.

A Estreia na Direção

Mas é em 1957, que sua carreira começou a tomar um novo rumo. Anselmo fez a sua estreia na direção com a comédia romântica, Absolutamente Certo. Ademais, ele também protagonizou a história e escreveu o roteiro ao lado de Jorge Dória. Por esse filme, o ator recebeu algumas homenagens, como o Prêmio Saci de Melhor Roteiro e o Prêmio do Governador do Estado de SP de Melhor Ator e Melhor Roteiro.

Por outro lado, ele continuou trabalhando com antigos parceiros de Vera Cruz. Em 1957, Anselmo retornou à SP para protagonizar Arara Vermelha, de Tom Payne. O grande destaque dessa história, na verdade, foi a atriz Odete Lara, que recebeu alguns prêmios, como Prêmio da Associação Brasileira dos Cronistas Cinematográficos do RJ na categoria Melhor Atriz.

No ano de 1958, Anselmo Duarte, ao lado de Eva Wilma, trabalhou na comédia O Cantor e O Milionário, de José Carlos Burle. Novamente, ele recebeu a honraria do Governador do Estado de SP como Melhor Ator.

No final da década de 50, Anselmo viajou à Espanha para trabalhar no filme musical do diretor Luis LuciaUm Raio de Luz (1960). Imediatamente após seu retorno ao Brasil, ele já trabalha como ator, diretor e roteirista no longa As Pupilas do Senhor Reitor (1961). Durante a produção, Anselmo comprou os direitos de um livro do autor Dias Gomes.

O Auge da Carreira de Anselmo Duarte

É assim que, em 1962, sua carreira chegou ao auge ao escrever e dirigir O Pagador de Promessas. O longa conta a história de um homem humilde, chamado Zé do Burro (Leonardo Villar), que tenta entrar numa igreja, carregando uma cruz enorme, para cumprir uma promessa. Ainda estão no filme Glória MenezesGeraldo Del ReyOthon BastosAntônio Pitanga, entre muitos outros.

O Pagador de Promessas é um dos filmes mais marcantes do cinema brasileiro. Ainda mais, a produção teve uma grande repercussão internacional. Além da honraria no Festival de Cannes, o longa também tornou-se o primeiro a ser indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme Estrangeiro. No entanto, acabou perdendo a estatueta dourada para o filme Sempre aos Domingos (França).

Por outro lado, a premiação internacional que Anselmo recebeu foi bastante criticada por cineastas e intelectuais aqui no Brasil. Na época, um movimento cinematográfico importantíssimo, chamado Cinema Novo, estava se formando. A partir disso, certas questões acerca do cinema brasileiro começaram a ser discutidas e revisadas. Anselmo trazia consigo a figura de galã, que foi construída durante anos por grandes empresários. Era um tipo de cinema o qual os cinemanovistas se opunham fortemente, o cinema industrial/comercial, inspirado no imperialismo hollywoodiano.

Além disso, de acordo com o site Diário de Pernambuco, o cineasta referiu-se de maneira desrespeitosa ao lema do movimento (“Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça”). Anselmo argumentou que estavam tentando prejudicar sua imagem. No entanto, em entrevista ao Memória Viva, ele comentou que se dava bem com a maior parte do grupo do Cinema Novo. Ainda mais, de modo absurdo, puxou a autoria do movimento cinematográfico brasileiro para si, baseado num comentário feito durante o festival em 62.

A Década de 60

Após a premiação (e a polêmica) em Cannes, Anselmo Duarte levou um tempo para retornar aos trabalhos. Assim, em 1965, ele produziu, dirigiu e roteirizou o longa Vereda da Salvação. Estrelado por Raul Cortez, a história apresentava pequenos produtores rurais nordestinos, que entram num grupo, liderado por um homem que acreditava ser a reencarnação de Jesus Cristo.

Vereda da Salvação participou do Festival de Berlim e disputou o prêmio principal. Mas perdeu para Alphaville, de Jean-Luc Godard. Por outro lado, o filme foi bastante perseguido pela Ditadura Militar no Brasil e, inclusive, foi impedido de se candidatar ao Festival de Cannes daquele ano. Segundo o próprio Anselmo na entrevista citada acima, o impedimento ocorreu, pois ele estava sendo acusado de ser “comunista”. Ainda mais, sobre um dos membros que estava avaliando o filme, ele contou: “Não é que sejamos ignorantes. O problema é outro. Tem gente de pés descalços, gente do campo – que seriam os sem-terra –, o senhor é comunista. O senhor só não foi preso porque tem um nome…“.

Como ator, Anselmo ainda interpretou personagens em filmes como: a comédia A Espiã que Entrou em Fria (1967); o drama O Caso dos Irmãos Naves (1967), de Luís Sérgio Person; o musical Juventude e Ternura (1968); e o filme policial A Madona de Cedro (1968). Percebe-se nesse final de década que Anselmo retornou a alguns gêneros, pelos quais sua carreira tinha sido construída.

Enquanto que, como diretor e roteirista, ele trabalhou em Quelé do Pajeú (1969), estrelado por Tarcísio Meira. Essa produção foi premiada com o Coruja de Ouro na categoria Melhor Edição e entrou na lista dos 12 melhores filmes do ano pelo INC (Instituto Nacional de Cinema).

A Década de 70 e a Degradação do Cinema Brasileiro

A década de 70 foi bastante difícil para todo o país e não foi diferente para o setor do cinema. Devido ao contexto de Ditadura Militar, muitos cineastas foram perseguidos e o audiovisual sofreu uma série de mudanças. É implementado um projeto forte de cinema alienante e que excluía completamente as discussões políticas, sociais ou econômicas dessas produções. Dessa forma, Anselmo Duarte seguiu esse rumo, inclusive, se arriscando num gênero bastante expressivo do governo autoritário: a pornochanchada.

Anselmo dirigiu em 1971 o filme Um Certo Capitão Rodrigo, baseado no romance O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo. O projeto estava previsto para ser realizado na década de 50 pela Vera Cruz. Porém, ele foi arquivado por questões econômicas na Companhia. Ainda nesse ano, o ator foi membro do júri no Festival de Cannes. Na ocasião, O Mensageiro, de Joseph Losey, saiu com o prêmio principal.

Em 1972, ele atuou e roteirizou o longa Independência ou Morte, de Carlos Coimbra. Estrelado por Tarcísio Meira e Glória Menezes, o filme foi o mais assistido nos cinemas naquele ano (mais de 2.9 milhões de pessoas). No ano seguinte, Anselmo produziu, dirigiu e escreveu O Descarte (1973), baseado no romance policial de Flávio VieiraUm Crime Perfeito.

O ano de 1974 foi marcado por participações em alguns filmes. Primeiramente, na produção dirigida por Lenita PerroyNoiva da Noite: O Desejo de Sete Homens. Em seguida, no longa O Marginal, de Carlos Manga, que também escreveu o roteiro ao lado de Dias Gomes. E, por fim, no documentário Assim Era a Atlântida, que apresenta a história da Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil, que fez sucesso por suas chanchadas. Contudo, em 1975, apenas uma participação no filme A Casa das Tentações, de Rubem Biáfora.

A Decadência do Cineasta

A partir de 1976, Anselmo, além de estrelar, dirigiu e escreveu duas comédias: Ninguém Segura Essas MulheresJá Não Se Faz Amor como Antigamente. Ambos os filmes são divididos em episódios. Porém, o segundo citado foi dirigido em parceria com Adriano Stuart e John Herbert.

Enfim, Anselmo teve mais dois trabalhos como ator na década 70. Esses foram: Paranoia (1977), dirigido por Antônio Calmon; e Embalos Alucinantes: A Troca de Casais (1978), de José Miziara. Também desempenhou outras funções em filmes como: diretor e roteirista em O Crime de Zé Bigorna (1977); roteirista em O Caçador de Esmeraldas (1979); e produtor e diretor em Os Trombadinhas (1979). Curiosamente, esses foram os últimos trabalhos de Anselmo desempenhando tais funções.

É interessante destacar que em O Crime de Zé Bigorna, o diretor retomou as suas origens no cinema, uma vez que os personagens interpretados por Lima Duarte Stênio Garcia também eram molhadores de tela.

O Fim da Carreira de Anselmo Duarte

À primeira vista, a década de 80 seria diferente. Isso porque era um período de redemocratização. A Ditadura Militar estava, portanto, chegando ao fim. No entanto, a década perdida foi marcada por profundos problemas políticos, econômicos e sociais, tais como: hiperinflação, desemprego, queda no crescimento, entre muitos outros. Do mesmo modo, todo esse contexto se refletia no cinema.

Nesse período, Anselmo Duarte atuou em apenas três produções. Estrelou o filme Tensão no Rio (1982), escrito e dirigido por Gustavo Dahl, que tentou retratar esse cenário de redemocratização. Também participou do documentário de David CardosoEstou com Aids (1985). Dois anos depois, Anselmo atuou na comédia romântica Brasa Adormecida (1987), de Djalma Limongi Batista.

Porém, a figura ficou anos e anos sem se envolver com o cinema. Posteriormente, em 2009, ele fez uma participação no documentário O Homem que Engarrafava Nuvens, de Lírio Ferreira, que falava sobre o compositor Humberto Teixeira. Em seguida, no mesmo ano, o ator e diretor recebeu do Governador de SP na época, José Serra, a Ordem do Ipiranga, a maior honraria do Estado. O cineasta morreu no final daquele ano, devido à uma complicação de um AVC, que ele teve anteriormente.

Em suma, mesmo que Anselmo Duarte tenha tido pontos altos e baixos em sua carreira, o ator atravessou diferentes momentos da história do cinema nacional. O ator foi de galã dos filmes da Vera Cruz a único brasileiro vencedor da Palma de Ouro, passando por uma grande briga com representantes do Cinema Novo, que colocou em discussão o que era o cinema brasileiro. Desse modo, é possível, além de conhecer a carreira dele, conhecer também a história do cinema e revisá-la.

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Paulo Victor Costa

Depois que descobriu "The Truman Show" e "Lost", passou a viver de filmes e séries. Também é muito fã dos filmes do Spielberg. Tenta assistir de tudo para poder debater com outras pessoas.