Crítica| ‘Resgate’ não inova no conteúdo, mas é bom de ação

Duas facções inimigas comandam a Índia através do tráfico de drogas. O líder de uma sequestra o filho do líder da outra. Chris Hemsworth é contratado para salvá-lo. Está concluída a trama de Resgate (Extraction), do diretor iniciante Sam Hargrave.

Sempre fui defensora dos roteiros simples e continuo sendo. A simplicidade do texto de um filme na maioria das vezes em nada afeta sua qualidade. Porém, um elemento novo, alguma coisa na hora da montagem, da edição, a forma de contar a história é que destaca um filme do resto, que separa o trigo do joio.

Em Resgate, Sam Hargrave se esforçou bastante e merece aplausos por isso. Claro que contou com a ajuda dos veteranos Joe e Anthony Russo na produção, mas isso não tira seu mérito. Para um primeiro longa, o diretor foi muito bem, porém não tanto para que sua obra se destacasse no oceano de filmes de ação de mesmo tipo que existe por aí.

Não obstante a excelente atuação de Chris Hemsworth, o seu Tyler Rake não é diferente de tantos outros personagens, como o Mike Banning de Gerard Butler na trilogia Invasão à Casa Branca (Olympus Has Fallen), Invasão a Londres (London Has Fallen) e Invasão ao Serviço Secreto (Angel Has Fallen); o Bryan Mills de Liam Neeson em Busca Implacável (Taken); ou o clássico John McClane de Bruce Willis em Duro de Matar (Die Hard). Na verdade, Tyler e seu protegido Ovi (Rudhraksh Jaiswal) lembram muito O Exterminador (Arnold Schwarzenegger ) e John Connor (Edward Furlong) em sua fuga no excelente O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (Terminator 2: Judgment Day).

E apesar dos clichês (como o barão do tráfico que nada em riqueza enquanto seus capangas fazem o trabalho sujo para ele) e dos equívocos (como um homem ser atropelado por um caminhão à toda e sair andando com apenas um nariz quebrado), estes são perdoáveis, principalmente em razão da qualidade da produção que, como já disse o próprio Chris Hemsworth em vídeo de bastidores, não foi feita em estúdio, mas em cenários reais da Índia – o ator até admitiu que nunca tinha feito anda igual. Destaque para uma sequência de ação única sem cortes que dura 11 minutos e 30 segundos e que é simplesmente de tirar o fôlego. Nela, a câmera inquieta parece levar o espectador para dentro de um jogo de video-game, sem dúvida o ponto alto do filme. Ademais, não dá para negar a imersão que Resgate proporciona, já que até o calor do ambiente é natural e real.

Chris Hemsworth em Resgate (2020) – Netflix

Apesar disso, não há como exaltar demais o filme de Hargrave, já que ele não sai do lugar do comum. É apenas mais um dentre vários, como já dito. O fato de Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis terem sido cotados para liderar o projeto não me deixa mentir. Não obstante, Resgate é uma boa pedida para os fãs de ação e consegue distrair bastante.

Fora isso, o que fica é bem simples: sobrou qualidade, mas faltou novidade.

RESGATE | EXTRACTION
3.5

RESUMO

Apesar da estrutura narrativa não inovar em nada, o longa de Sam Hargrave é um ótimo começo para o diretor estreante.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.