Crítica | Parte 4 de ‘La Casa de Papel’ chega com muita ação, tensão e lágrimas

É fato que uma das séries mais populares da Netflix é, sem dúvidas, La Casa de Papel. A primeira temporada (que por motivos estratégicos de marketing foi dividida em duas partes pela gigante do streaming, foi escrita de uma forma que a história finalizasse de uma forma fechada e concreta, não abrindo ganchos para uma nova temporada. Porém, conhecendo um pouco sobre a indústria audiovisual, é fácil prever que um fenômeno dessa proporção não poderia se dar por satisfeito com apenas uma temporada e uma segunda temporada logo viria.

Com uma desculpa que as vezes beira a forçação de barra para impulsionar o enredo, a fórmula do sucesso da primeira temporada voltou a ser utilizada no ano passado, na ocasião do lançamento da Parte 3, quando para resgatar um dos membros da equipe que estava sob custódia do governo, a equipe volta a se unir em um novo assalto. Dessa vez, no Banco Nacional da Espanha.

A Parte 4, propriamente dita, se inicia logo após os eventos ocorridos na Parte 3, quando o grupo de assaltantes liderados pelo Professor (Álvaro Morte) se viu em maus lençóis. Dentro do banco, os assaltantes lutavam contra o tempo para salvar a vida de Nairobi (Alba Flores), que foi alvejada por um tiro após um estratagema da astuta Alicia Sierra (Najwa Nimri). Fora do banco, o Professor sofre com a suposta perda de sua amada Raquel (Itziar Ituño), ao mesmo tempo em que foge da polícia, que está em seu encalço no meio da floresta.

Algumas facilidades do roteiro parecerem forçadas. Especialmente quando alguns acontecimentos pendem a história para o lado dos policiais, pois em algumas ocasiões, a capacidade de dedução de Sierra parece quase sobrenatural. Já em outros, quando pende para o lado dos assaltantes, apesar de muitos de seus planos realmente serem lógicos, em alguns momentos, o Professor parece um tipo de mágico, que conta demais com a sorte. Exemplo disso é quando analisamos eventos que ocorrem da forma exata como ele previu, mesmo que na vida real, várias possibilidades diferentes pudessem acontecer. Porém, ainda assim, a história é muito bem contada, e de fato, prende o expectador, fazendo-o ignorar na maioria das vezes, essas pequenas ‘trapaças’ de narrativa.

A direção de fotografia de La Casa de Papel sempre foi e continua sendo um deleite visual. Em parceria com a direção, os tons frios, com bastante verde e um pouco de azul, deixam as cenas com um aspecto frio e potencializa a sensação de tensão que é gerada pelas cenas. Em um mundo frio e cruel como esse, têm-se a impressão de que não há misericórdia a favor dos protagonistas e por causa disso, eles precisam se esforçar triplamente para obter sucesso. Os enquadramentos de câmera são extremamente interessantes, abusando do plano baixo para aumentar a dramaticidade, tornando os personagens (em geral, o Professor), figuras heroicas e poderosas. O uso de planos fechados (principalmente nas cenas tensas, como é o caso da sequência inicial, quando os assaltantes estão realizando uma cirurgia em Nairobi) tornam as cenas sufocantes, o que é potencializado pela trilha sonora.

Mas o que mais faz com que a série fique interessante são os personagens. E como eles transbordam carisma! É difícil não se afeiçoar a eles, inclusive pelos vilões. Os destaques ficam novamente para o Professor,  que vive agora, seu momento mais difícil, para a agente do governo Alicia e, claro, para Nairobi, que se tornou para muitos fãs, a personagem mais interessante da série. Menção honrosa para as decisões impulsivas (e muitas vezes problemáticas) de Tokio (Úrsula Corberó), para a sensibilidade de Helsinque (Darko Perik), às tramoias de Palermo (Rodrigo de La Serna) e para as aparições em flashback do falecido e (extremamente) querido Berlin (Pedro Alonso). Seguimos também com o desenvolvimento (por vezes, dramático) do relacionamento de Rio (Miguel Herrán) e Tokio e de Denver (Jaime Lorente) e a química inusitada entre Nairobi e Bogotá (Hovik Keuchkerian).

Com uma trama que se assemelha com um jogo de xadrez entre o Professor e Sierra, alguns imprevistos podem por tudo a perder, quando o assassino profissional que atua como chefe de segurança do governador, Gandía (José Manuel Poga), proporciona uma das maiores (se não a maior) sequências de ação de toda a série. Como se isso não bastasse, ainda acontecem, como já era de se esperar, as inúmeras tramoias e manipulações de Arturo (Enrique Arce), o famigerado Arturito.

Interessante ressaltar também que para aqueles que esperavam por uma conclusão, talvez possam ficar frustrados, pois essa não será a última temporada de La Casa de Papel. A história termina em um gancho extremamente angustiante, assim como foi na temporada anterior.

A Parte 4 é eletrizante e extremamente dramática e fará com que os expectadores fiquem tensos em suas poltronas, mas também os fará derramar muitas lágrimas. Importante ressaltar é que desta vez, podemos sentir na pele o “preço” que os personagens de La Casa de Papel estão pagando por causa de suas atitudes. Apesar de seus ideais filosóficos e de seus conceitos de revolução, a série nos lembra bem que o que eles estão fazendo é um crime, e portanto, isso acarreta em consequências.

LA CASA DE PAPEL – PARTE 4
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RESUMO

Dramática e eletrizante, La Casa de Papel não se poupa de seus exageros, mas entrega em sua Parte 4 consequências reais para seus protagonistas.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...