Lista | Top 10 documentários para expandir sua visão de mundo durante a quarentena

Todo o mundo se encontra na mesma situação de enclausuramento, acometidos pela pandemia do Coronavírus as pessoas se viram obrigadas a mudar suas rotinas e permanecerem em casa de modo a retardar e consequentemente, evitar uma maior disseminação do vírus. Assim, apesar de muitos conseguirem garantir seus afazeres através do home office, sobra tempo para ver e rever aquele “comfort movie” na Netflix.

Entretanto, que tal aproveitar esse tempo para conhecer novas histórias, de grandes personalidades, de pessoas comuns, histórias reais que parecem filmes e assim, conhecer um pouco mais para além das notícias que chegam até nós no dia a dia? Aqui vai uma lista com um Top 10 de documentários para expandir sua visão de mundo durante a quarentena:

Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho

Se você ainda não é familiarizado com o trabalho de Eduardo Coutinho, talvez esteja na hora. E que tal começar pela grande obra de sua carreira? No início da década de 60, um líder camponês, João Pedro Teixeira, foi assassinado por ordem dos latifundiários do Nordeste. O longa que possuía narrativa semidocumental através das filmagens de sua vida, interpretada pelos próprios camponeses, foram interrompidas pelo golpe militar de 1964. Parte da equipe foi presa sob a alegação de comunismo, e o restante dispersou-se. Dezessete anos depois, o diretor retoma o projeto e procura a viúva Elizabeth Teixeira e seus dez filhos, espalhados pela onda de repressão que seguiu ao episódio do assassinato.

O tema principal do filme passa a ser a trajetória de cada um dos personagens que, por meio de lembranças e imagens do passado, evocam o drama de uma família de camponeses durante os longos anos do regime militar. O longa recebeu os prêmios FIPRESCI e Interfilm do Fórum de Cinema Jovem do Festival de Berlim de 1985.

O filme ocupa a quarta posição na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. E o primeiro lugar na lista do livro “Documentário Brasileiro 100 Filmes Essenciais”, eleito através de uma votação realizada por críticos associados e convidados da Abraccine. Outros três filmes de Coutinho aparecem no top 5: Jogo de Cena (2007) em segundo lugar, e Edifício Master (2002) na quarta posição. Ambos também recomendados pelo Quarta Parede POP!

O documentário está disponível na íntegra no Youtube.


Eu Não Sou o Seu Negro (2016), de Raoul Peck

Em 2018 o diretor de Moonlight (2016), filme vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2017, Barry Jenkins, se dedicou ao seu novo trabalho intitulado Se a Rua Beale Falasse. O filme é uma adaptação de um livro lançado em 1974, o quinto romance de James Baldwin. O livro narra os esforços de Tish (Kiki Layne), que está grávida, para provar a inocência de Fonny (Stephan James), seu noivo, um homem negro, preso injustamente.

Assim como Se a Rua Beale Falasse, o documentário Eu Não Sou o Seu Negro é baseado em uma obra do romancista e poeta estadunidense James Baldwin. O mesmo escreveu uma carta para o seu agente sobre o seu mais recente projeto: o livro Remember This House, que relata as relações étnicas durante a luta dos direitos civis dos Estados Unidos através da vida e morte de alguns dos amigos do escritor, como Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Junior. Entretanto, com sua morte, em 1987, o manuscrito inacabado foi confiado ao diretor Raoul Peck, que o transformou nesse incrível documentário exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto e indicado do Oscar de Melhor Documentário em 2017.

O documentário está disponível para compra (R$ 12,90) ou aluguel (R$ 3,00) no Google Play e para compra (R$ 9,90) no Itunes Brasil.


Estou Me Guardando Para Quando O Carnaval Chegar (2019), de Marcelo Gomes 

O diretor Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus) vai até a cidade de Toritama, conhecida como o centro ativo do capitalismo local, onde mais de 20 milhões de jeans são produzidas anualmente em fábricas caseiras. Lá, encontra os proprietários destas fábricas, que antes trabalhavam em indústrias e agora são seus próprios chefes. Orgulhosos de terem seu próprio negócio, eles trabalham sem parar em todas as épocas do ano, exceto durante o carnaval. Próximo a época carnavalesca do ano, cada um dos trabalhadores vende tudo que possuem em casa e descansam em praias paradisíacas.

O documentário está disponível na Netflix.


For Sama (2019), de Waad al-Kateab, Edward Watts

O longa relata a história da cineasta síria, Waad al-Kateab, que filmou durante cinco anos sua vida na cidade de Aleppo tomada por rebeldes durante a rebelião síria. Ficando na cidade para lutar por uma Síria livre, ela se apaixona, se casa e tem uma filha, tudo enquanto documenta a terrível violência que a cerca. O documentário teve sua estréia no Festival de Cannes, onde levou o Olho de Ouro, prêmio criado em 2015 e voltado para as produções documentais. O filme também foi indicado a Melhor Documentário no Oscar 2020.

Disponível no serviço Phillos. Leia a nossa crítica.


Minding the Gap (2018), de Bing Liu

Vencedor do Prêmio Especial do Júri de Direção Estreante no Festival de Sundance, Minding the Gap acompanha três jovens que se juntam para conseguirem escapar de suas famílias voláteis e da cidade onde nasceram, localizada em uma parte dos EUA que passa por um declínio da indústria.

O jovem Bing Liu, estreante na direção, passou 12 anos de sua vida filmando suas aventuras de skate com seus amigos, as frustrações da adolescência e as semelhantes situações que abarcaram suas vidas. Enfrentando agora a responsabilidade da vida adulta, revelações inesperadas ameaçam a longa amizade do grupo. O longa foi indicado a Melhor Documentário no Oscar de 2019.

Disponível no Globosat Play pelo Canal Off.


​O.J.: Made in America (2016), de Ezra Edelman

O documentário é uma crônica da ascensão e queda de O.J. Simpson, cujo julgamento de alto perfil expôs a extensão das tensões raciais americanas, revelando uma nação dividida e fraturada. Uma das tramas mais famosas da história dos Estados Unidos e provavelmente a narrativa mais importante da cultura recente do hemisfério ocidental.

Dividido em cinco episódios, esta é uma análise do conto definitivo sobre o culto à personalidade, celebridades, a mídia, racismo, poder e sobre o sistema de justiça criminal. Ganhou o Oscar 2017 de Melhor Documentário em longa-metragem. Tornou-se o filme mais longo a ganhar um Oscar com 7 horas e 47 minutos, superando Guerra e Paz (1966), filme soviético que detinha esse recorde com 7 horas e 7 minutos em 1969, quando levou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro.

Disponível no serviço de streaming do site da ESPN.


Shirkers – O Filme Roubado (2018), de Sandi Tan

Em 1992 a diretora Sandi Tan filmou seu primeiro road movie em Singapura com seu enigmático mentor norte-americano, Georges. O mesmo pegou as fitas e alegou que faria a edição do material, entretanto sumiu com todas as filmagens que eles realizaram. Vinte anos depois, o projeto em 16mm foi recuperado, fazendo Tan, agora uma romancista em Los Angeles, embarcar numa odisseia pessoal para encontrar as pegadas do desaparecido Georges.

Tan levou o Prêmio de Direção no Festival de Sundance em 2018, além de ter sido indicado a Melhor Documentário no Film Independent Spirit Awards 2019.

O documentário está disponível na Netflix.


Terráqueos (2005), de Shaun Monson

Narrado pelo ativista e recente vencedor do Oscar de Melhor Ator Joaquin Phoenix, o documentário Terráqueos relata a dependência e a exploração cruel e desrespeitosa dos homens com relação aos animais. O filme explora todos os âmbitos no qual os animais estão presentes no dia a dia, utilizados desde a companhia (pet-shops, fábricas de filhotes e abrigos), na alimentação (criação, abate), nas vestimentas (comércio de peles e couros), no entretenimento (circos, rodeios, touradas), e também na pesquisa científica (experimentos científicos, testes de cosméticos).

O documentário está disponível na íntegra no Youtube.


The Hunting Ground (2015), de Kirby Dick

Em 2019 Lady Gaga figurava entre as estrelas presentes na temporada de premiações pela sua performance no filme Nasce Uma Estrela (2019), na qual foi indicada à categoria de Melhor Atriz e Melhor Canção por ‘Shallow‘. Entretanto, sua primeira indicação ao Oscar veio em 2016 na categoria de Melhor Canção, com a música Til It Happens To You’. A canção original faz parte do longa The Hunting Ground, documentário sobre os inúmeros casos de estupro nos campus universitários americanos, explorando os problemas com as administrações dessas instituições, que se preocupam mais encobrir os fatos do que resolvê-los.

Com depoimentos de vítimas, um retrato de como as pessoas que sofrem esse tipo de violência lutam por justiça e educação, apesar da frequente retaliação e assédio com as quais são obrigadas a conviver. ‘Til It Happens to You‘ também foi indicada a Melhor Canção Composta para Mídia Visual no Grammy Awards de 2016.

Atualmente não disponível no Brasil.


Três Estranhos Idênticos (2018), de Tim Wardle

Na Nova York de 1980, três completos estranhos descobrem que são trigêmeos idênticos separados durante o nascimento, nascidos em 1961 e adotados como bebês de seis meses por famílias separadas, sem saber que cada criança tinha irmãos.

Combinando imagens de arquivo, cenas encenadas e entrevistas atuais, o documentário revela como os irmãos se descobriram aos 19 anos e, posteriormente, procuraram entender as circunstâncias de sua separação. A feliz reunião dos três os lança para uma fama internacional, mas também traz um segredo extraordinário e perturbador. O longa estreou no Festival de Sundance, de onde levou o Prêmio Especial do Júri por Narrativa, além disso, foi indicado a Melhor Documentário no 72º Prêmio BAFTA de Cinema.

O documentário está disponível para compra no Google Play (R$ 24,90) , no Youtube (R$ 24,90), no Itunes Brasil (R$ 24,90) e no Looke (R$ 64,9).

Fiquem em casa e continue acessando o Quarta Parede Pop para mais dicas do que ver nessa quarentena. Confira aqui nosso Top 10 filmes brasileiros para ver na Netflix durante a quarentena.

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Juliana Oliveira

Estudante de psicologia e fascinada pelo audiovisual. Acredita que o cinema seja uma arte de teor político que dá voz a quem não é ouvido. Gosta de conhecer novas culturas e acredita que o cinema seja a melhor forma para isso, expandindo assim a visão de mundo dentro se sua limitada realidade.