Crítica | Westworld 3×02: Maeve conhece a Matrix em “The Winter Line”

Após uma estreia de terceira temporada que trouxe novos ares para a série,Westworld retornou à sua fórmula clássica, com muitas reviravoltas e linhas do tempo distintas. Porém, para a nossa alegria, a maior parte das soluções para os conflitos de The Winter Line foram oferecidas no próprio episódio, que guardou para os minutos finais seu desdobramento mais importante.

Se o episódio anterior colocou Dolores e Caleb, aqui temos uma narrativa focada em desenvolver as jornadas de Bernard (Jeffrey Wright) e Maeve (Thandie Newton). O primeiro, coadjuvante, mais uma vez, busca reunir peças para compreender sua situação. A segunda, dona deste capítulo, quer liberdade. Seria, portanto, uma narrativa repetitiva, se comparado ao que eles fizeram anteriormente nas temporadas passadas. Porém, desta vez, os objetivos parecem movimentar a história com mais rapidez, mesmo que para isso tenha ficado a sensação de temos passado tempo demais no War World.

Alguns plot twists são interessantes em The Winter Line. A revelação de que Stubbs (Luke Hemsworth) é um anfitrião não chega a ser uma grande surpresa, mas seu papel na trama passa a ser muito mais interessante agora. Imagine os dois – ele e Bernard – ativando o modo serial killer. Niguém segura. A jornada dos dois nos porões da Delos confere uma espécie de despedida do parque, que provavelmente não veremos mais em funcionamento, a não ser em flashbacks.

Outra introdução bem-vinda é o retorno de Lee Sizemore, mesmo que seja do mundo dos mortos. E salvo na nuvem. Simon Quarteman sempre nos traz este personagem muito bem em tela, e aqui confere uma outra abordagem, mas a aventura no parque da Segunda Guerra Mundial também tem Rodrigo Santoro como bom coadjuvante da narrativa de Maeve, que mesmo preso mais uma vez ao script de anfitrião.

Rodrigo Santoro em “The Winter Line” – Westworld (HBO)

Há, no entanto, um ponto de incoerência no arco de Maeve, embora eu já avise de antemão que isso pode ser apenas um preciosismo e eu possa viver bem com isso. Há uma narrativa em que ela acorda e vive uma trama de espionagem, engana oficiais, foge é pega em uma emboscada. Até ai, tudo certo. Em Westworld, ou no Shogun World, ou no Raj, os perturbados visitantes escolhem chapeús pretos ou brancos. Aqui, se você é bom, vai matar nazistas. Mas se vai ser mau, será um nazista. Embora o mundo atual esteja cada vez mais estranho, é difícil supor que um parque assim possa fazer sentido.

Analisando o ponto mais interessante em The Winter Line, como já fora mencionado, ao fim do episódio sabemos exatamente o que aconteceu, sem pontas soltas, o que é bom. Nas temporadas anteriores, Maeve passaria alguns episódios na simulação. Aqui, descobrimos que ela está em uma camada inferior simulada, e pode, ainda, não ter encontrado Serac no mundo real. Não ainda. A propósito, Vincent Cassel já dá sinais de que é uma grande adição ao elenco. Não está muito claro ainda o que ele exatamente quer, e porque quer, quem e o que ele é. Nós teremos que juntar essas peças nos próximos domingos (se você for ao reddit deve encontrar milhares de teorias sobre isso).

A grande informação aqui, e que agora muda a nossa percepção sobre a série, é a realidade simulada. Agora, não são apenas anfitriões e consciências – como Ford – que vivem na nuvem, mas estamos falando de camadas, em um conceito que reúne elementos de Matrix com A Origem. Não chega a ser uma novidade, pois Dolores já frequentou esse ambiente virtual, e já conhecemos o conceito da Forja. Mas, admitir que tudo o que vimos, até agora, pode fazer parte também de um ambiente simulado, é para nos fazer pensar por horas e horas.

Vincent Cassel em “The Winter Line” – Westworld (HBO)

 

Últimas palavras

* Rehoboam, aquele sistema que conhecemos no episódio anterior e terá grande impacto nesta temporada, tem detectado anomalias, e com isso, aprendemos que Westworld fica em algum lugar do sul da China. E dá para chegar de barco. Pois é.

* Quando Maeve “revive” pela segunda vez, ela pede a Hector que a poupe de enrolações e a leve direto ao carro. Quantas vezes já fizemos isso nas temporadas anteriores? Obrigado por isso.

* Westworld sempre gostou de brincar com a linha temporal de seus episódios, e aqui, é possível afirmar que a jornada de Bernard esteja se passando em um ponto diferente da história de Maeve. Pelo menos, não está tudo entrecortado e a trama se move para frente. Vai dar menos trabalho recapitular essa temporada, presumo.

Jeffrey Wright em “The Winter Line” – Westoworld (HBO)

* É inusitado para um programa que mantém um tom mais frio a participação dos criadores de Game of Thrones, David Benioff e D.B. Weiss. É divertido ver um Drogon robô, mas é uma participação que está ali apenas para ser um lance de amigos entre os produtores das séries.

* O arco da simulação de Lee Sizemore é algo bem-vindo em The Winter Line e não soa como trapaça. A resposta vem logo, e isso não impede a conexão com esta versão do personagem. O melhor, no entanto, é quando Maeve diz que o verdadeiro Lee faria a coisa porque isso é o que deveria ser feito. Nem sempre Westworld oferece uma visão pessimista dos humanos e esta é uma prova.

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Léo Barreto

Carioca, apreciador de filmes e séries em tempo integral, quando o Bernardo (filho dele) deixa. Iniciou sua admiração pela sétima arte com os clássicos da sessão da tarde e se apaixonou pelo mundo das séries quando o Voo 815, da Oceanic, caiu misteriosamente em algum lugar no meio do nada...