Crítica | 3ª temporada de ‘Elite’ se despede do elenco original em alta

Elite possui uma fórmula certeira de sucesso, mas que sofre com o aparecimento de desgaste muito mais cedo do que outras séries do gênero. A criação de um mistério por temporada, utilizando flashbacks e depoimentos para a polícia para contextualizar a história, é, inegavelmente, uma forma interessante de engajar o público. Porém, com a repetição dessa fórmula por 3 temporadas seguidas, a série se encaminhava para um desgaste, colocando em risco a qualidade que vinha sido entregue até então. 

Sabendo disso, a produção da série tomou a difícil decisão de encerrar o arco de seus personagens principais aqui, para que, no futuro, possa continuar com uma renovação de elenco que lembra bastante o que Skins Glee fizeram alguns anos atrás. Ainda não há muitas informações de como essa mudança será feita; se alguns nomes vão permanecer, ou se será feita uma renovação completa. Mas, por enquanto, mesmo sem informações oficiais, é inegável o que a série pretendia com essa temporada. 

Logo no primeiro episódio, descobrimos que Polo é assassino. Tendo isso como base, o desenrolar da temporada retorna às origens, intercalando flashbacks com depoimentos dos personagens. Por mais que a série tenha adotado esse formato no ano anterior, dessa vez ele remete diretamente ao visto na primeira temporada com a investigação do assassinato de Marina (María Pedraza). Claramente, um artifício a mais para dar um ar de despedida e nostalgia ao público. 

Desde os materiais de divulgação, a temporada tentou engajar a curiosidade do público em cima da morte de Polo, mas, mais uma vez, o que mais se destaca são as histórias paralelas e os dramas adolescentes. O grande acerto de Elite é possuir personagens extremamente carismáticos que conseguem carregar uma temporada inteira sem precisar apelar somente para o mistério principal. Em certos momentos, lembrar que há um assassino a ser descoberto ali pode ser uma tarefa complicada. 

Elite – 3ª temporada (Netflix)

Esse terceiro ano triunfa ao tornar Lu (Danna Paola) um dos maiores destaques. Com um potencial guardado desde o início, a garota possuía momentos pontuais na trama, mas nunca com uma presença consideravelmente ativa, sempre sendo vista como a patricinha mimada. Na verdade, seu desenvolvimento era sempre em volta de algum homem, ou em intrigas com personagens femininas. Dessa vez, ela ganha uma reviravolta tremenda tendo seu arco e desenvolvimento próprio, sem precisar do apoio de ninguém além dela mesma. Sua amizade com Nadia (Mina El Hammani) é uma grande surpresa, o que torna seu crescimento ainda mais significativo.  

Polo (Álvaro Rico) também acaba sendo beneficiado pelo roteiro, ganhando um arco de redenção bastante crível. A decisão de não o deixar preso e sim causando incômodo com sua presença tanto em Las Encinas quanto fora dela foi um acerto. Seu arco é bem construído, provando mais uma vez ser um dos personagens mais intrigantes da série, e fazendo com que sua morte – anteriormente comemorada – seja sentida no último episódio. A tarefa de fazer o público simpatizar com um antagonista não é fácil, e Elite consegue isso muito bem. 

Apesar de muitos acertos, a série derrapa em criar algumas tramas que acaba se tornando incoerentes com o que havia sido construído até ali. Omar (Omar Ayuso) é o mais afetado por isso, tomando decisões duvidosas até mesmo com o que ele vinha dizendo desde o início da temporada. A adição de Malick (Leiti Sene) acaba tornando tudo ainda mais caótico, principalmente por afetar não só o relacionamento de Omar com Nadia, mas também com Ander (Arón Piper). 

Mesmo sem informações sobre o futuro da série, o último episódio procura não só encerrar o arco do assassinato de Polo, como também o de todos os alunos de Las Encinas. A sensação de estarmos nos despedindo de cada um daqueles adolescentes é impossível de ignorar, ainda mais por termos aquele típico final de novela que mostra o rumo que cada um tomou na vida. Pode ser brega para alguns, mas consegue arrancar lágrimas dos mais fanáticos com muita facilidade. É um final justo para toda a jornada que vimos até então. 

Existe possibilidade de continuar? Sim, e o roteiro não esconde isso deixando uma pequena abertura para caso decidam manter alguns nomes do elenco. Mas, por agora, se esta for a última vez que vemos esses personagens, não há como negar que a despedida foi à altura. Resta saber qual será a decisão dos showrunners para o futuro de Elite, já que ela já está renovada para a 4ª e 5ª temporada.

ELITE - 3ª TEMPORADA
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RESUMO

Prometendo encerrar o arco do assassinato de Marina, Elite marca sua terceira temporada com despedidas e uma trama que possui seus tropeços, mas que consegue entregar o que a série tem de melhor: mistério, dramas e bons personagens.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.