Marielle Franco | Escolha de José Padilha para direção causa polêmica

Foi anunciado no último dia 7 que a Globoplay vai produzir e lançar uma série sobre a vida da ex-vereadora Marielle Franco, brutalmente assassinada em 14 março de 2018, ao lado de seu motorista, Anderson Gomes. No entanto, a escolha do diretor José Padilha (Tropa de Elite e O Mecanismo) para comandar o projeto gerou várias críticas nas redes sociais.

De acordo o site G1, estão previstas duas temporadas para a série, que deve ser lançada em 2021. A primeira retrataria a vida de Marielle Franco. A segunda temporada apresentaria as investigações de seu assassinato.

O roteiro da série será escrito por Antonia Pellegrino (Bruna Surfistinha e Tim Maia) e George Moura, que já trabalhou em minisséries como O Canto da Sereia (2013) e Amores Roubados (2014). Antonia também é casada com o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL – RJ), que era muito amigo de Marielle e a acompanhou em toda a sua carreira política.

Críticas ao Diretor José Padilha

José Padilha, ao ser anunciado para dirigir a série sobre a ex-vereadora, recebeu diversas críticas por posicionamentos adotados por ele nos últimos anos. Essas críticas se intensificaram após o lançamento de O Mecanismo, da Netflix. A série, estrelada por Selton Mello, é considerada problemática pela maneira como retrata alguns personagens, como o Juiz Sérgio Moro (na história chamado Juiz Paulo Rigo e interpretado por Otto Jr.), e pela parcialidade adotada em relação ao cenário político do Brasil, omitindo questões importantíssimas como a economia e os temas sociais. Padilha, inclusive, defendeu fortemente o Juiz em relação à prisão do ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Moro hoje é Ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Jair Bolsonaro.

O cineasta publicou no jornal Folha de São Paulo uma nota intitulada “Linchamento Moral”, na qual ele tenta se defender dessas críticas.

No texto, ele conta que conheceu Marielle Franco e o Deputado Federal Marcelo Freixo após uma exibição do documentário Ônibus 174 – o 1º filme de Padilha. O diretor também fala que os dois o ajudaram bastante nas pesquisas realizadas para os filmes Tropa de Elite. Ele também defendeu a produção da série sobre a ex-Vereadora para “pressionar as autoridades a encontrar e punir quem matou Marielle” e para levar o nome dela “aos quatro cantos da Terra”.

José Padilha reclama do fato de ter sido “tachado de fascista” e diz que os críticos “atacaram a legitimidade da família de Marielle, atacaram a Mônica (companheira de Marielle), e atacaram Marcelo Freixo.” Além disso, ele faz uma breve análise acerca de seus posicionamentos políticos e acaba – de maneira bizarra – estabelecendo uma relação entre a sua situação e os discursos de Martin Luther King e Malcolm X – mesmo tentando esclarecer que ele não esteja se comparando aos dois. “O inimigo, amigos, é o ódio.”, finaliza seu texto.

Críticas à Antonia Pellegrino

A roteirista Antonia Pellegrino também sofreu várias críticas por comentários realizados ao tentar justificar a escolha de José Padilha para a direção do projeto. Sobre o cineasta, ela disse: “Sou progressista e não-punitivista. Ele se arrependeu. As pessoas erram. E não acho que seja um erro suficiente para a gente cancelar uma pessoa.”

A agência de jornalismo Alma Preta, especializada na temática racial no Brasil, publicou uma nota, criticando fortemente a produção: “É revoltante mais uma vez ver a branquitude disfarçar de boas intenções a apropriação da imagem de uma mulher negra lésbica, favelada, mãe, filha, irmã e esposa.”

Antonia chegou a realizar um outro comentário no Twitter, tentando se explicar: “Existe um racismo estrutural no Brasil q impediu, até hoje, a formação de um spike lee brasileiro. Não é supremacia branca. É denúncia.”

No entanto, ela recebeu mais críticas. A produtora cultural, Andreza Delgado – criadora da PerifaCon -, por exemplo, disse: “Na real você ainda consegue ser mais racista, chamando por um Spike Lee brasileiro e desqualifica toda uma gama de profissionais negros, como se existisse um jeito só de fazer cinema e audiovisual. Nós negros somos diversos e de aliada você não tem é nada.”

Veja outra resposta abaixo:

PerifaCon é um evento criado por Luíze TavaresIgor NogueiraAndreza Delgado e Gabrielly Oliveira com o objetivo de quebrar estereótipos e aumentar a visibilidade para a cultura geek nas periferias de São Paulo. “Tem nerd na periferia consumindo e produzindo e isso precisa ter visibilidade a apoio. Muitas e muitos vieram antes para que a gente pudesse estar aqui e nada vai nos parar”, diz o site oficial da PerifaCon. Veja mais aqui.

Busca por Diversidade na Série sobre Marielle

Diante de tantas polêmicas, foi anunciado que a Globo e a Antifa Filmes estão em busca por diretores e roteiristas negros para trabalharem na produção. De acordo com o jornalista Daniel Castro, do site Uol, a ideia é que pelo menos um cineasta negro dirija alguns episódios da série. A nome mais cotado é o de Jeferson De (Bróder, de 2011, e M8: Quando a Morte Socorre a Vida, que será lançado esse ano). Porém, José Padilha continuará liderando a produção.

Marielle Franco foi uma grande defensora do feminismo e dos direitos humanos. Lutou bastante contra a operação de milícias no Rio de Janeiro e contra a intervenção federal, realizada em 2018.

A quinta vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro denunciava constantemente abusos de autoridade realizados pela Polícia Militar contra os mais pobres. Depois de quase dois anos de sua morte, as investigações ainda não foram capazes de responder uma questão muito séria: Quem está por trás desse crime?

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Paulo Victor Costa

Depois que descobriu "The Truman Show" e "Lost", passou a viver de filmes e séries. Também é muito fã dos filmes do Spielberg. Tenta assistir de tudo para poder debater com outras pessoas.