Série sobre a vida de Marielle Franco será produzida e lançada pela Globoplay

A Globoplay anunciou durante um evento no Rio de Janeiro que vai produzir e lançar uma série sobre a vida da ex-vereadora Marielle Franco, brutalmente assassinada em 14 março de 2018, ao lado de seu motorista, Anderson Gomes. O projeto será dirigido por José Padilha (Tropa de Elite e O Mecanismo).

De acordo o site G1, estão previstas duas temporadas para a série, que deve ser lançada em 2021. A primeira retrataria a vida de Marielle Franco. A segunda temporada apresentaria as investigações de seu assassinato.

O roteiro da série será escrito por Antonia Pellegrino (Bruna Surfistinha e Tim Maia) e George Moura, que já trabalhou em minisséries como O Canto da Sereia (2013) e Amores Roubados (2014). Antonia também é casada com o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL – RJ), que era muito amigo de Marielle e a acompanhou em toda a sua carreira política.

Também foi anunciado um documentário, intitulado Marielle – o Documentário, cujo primeiro episódio será exibido na Globo no dia 12 de março após o programa Big Brother Brasil.

Confira abaixo o anúncio de Antonia através de sua conta no Instagram:

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Eu nunca escolhi contar esta história. Esta história me escolheu, em 14 de março de 2018. Cinco anos antes, conheci Marielle na casa de amigos em comum. Acabamos nos aproximamos em 2015, quando a primavera das mulheres ganhou as ruas do Brasil, e nós estávamos lá, lutando. Em 2016, quando soube que ela seria candidata à vereadora, meu peito se encheu de esperança. Marielle era a encarnação do meu sonho – e do sonho de tantas e tantos – de uma democracia pro século XXI, uma democracia verdadeiramente inclusiva e igualitária, onde gênero, raça e classe não sejam marcadores de desigualdade, mas de diferença. Fiz sua campanha, organizei um comício doméstico pra ela na minha casa. E foi Marielle quem, num café com o Marcelo, hoje meu companheiro, disse a ele: “Você devia namorar alguém tipo Antonia Pellegrino”. Marielle foi minha madrinha. Ver Marielle morta, baleada dentro de um carro e depois carregar seu caixão são um rasgo profundo na minha vida, um verdadeiro divisor das águas. Foram dois anos acalentando, gestando, construindo este projeto, de enorme responsabilidade, sempre com a benção e a parceria da família. O assassinato de Marielle não é o único no Rio de Janeiro (cidade marcada pelo crime), mas é o único capaz de fazer o esgoto da cidade vir à tona. A Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional, diz que Marielle foi além em tudo o que fez – até na hora de morrer. Ela se tornou gigante. Para filmar a vida e morte de Marielle Franco, era preciso alguém que, há um tempo, conhecesse o submundo do Rio, e fosse experiente e capaz de levar esta história ainda mais longe: José Padilha, um dos maiores diretores brasileiros de todos os tempos. Eu e o Zé, a gente discorda em muitas coisa, mas a gente concorda que, trabalhar na diferença, além de saudável, é necessário e estimulante. O encontro da nossa produtora, Antifa Filmes, com os estúdios Globo e a Globoplay coroa este percurso. [Continua no primeiro comentário abaixo]

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Marielle Franco foi uma grande defensora do feminismo e dos direitos humanos. Lutou bastante contra a operação de milícias no Rio de Janeiro e contra a intervenção federal, realizada em 2018.

A quinta vereadora mais votada na cidade do Rio de Janeiro denunciava constantemente abusos de autoridade realizados pela Polícia Militar contra os mais pobres. Depois de quase dois anos de sua morte, as investigações ainda não foram capazes de responder uma questão muito séria: Quem está por trás desse crime?

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Paulo Victor Costa

Depois que descobriu "The Truman Show" e "Lost", passou a viver de filmes e séries. Também é muito fã dos filmes do Spielberg. Tenta assistir de tudo para poder debater com outras pessoas.