Crítica | Inofensivo, ‘A Hora da Sua Morte’ não procura entregar nada a mais do que uma diversão escapista

Nos últimos anos, a popularidade do gênero terror vêm crescendo consideravelmente. Inúmeras produções andam conquistado recordes de bilheteria – como é o caso dos dois capítulos de It – ou até mesmo pequenos destaques durante as temporadas de premiações – CorraO Farol e Hereditário são bons exemplos disso -. Mas, ainda assim, a quantidade de filmes, principalmente os lançados no início do ano, costumam atrair o público pelo marketing exorbitante, mas acabam decepcionando pela qualidade duvidosa do produto final.

Ao decidir assistir à algum filme do gênero, é preciso saber a proposta e a temática do mesmo antes de dar o play. Grande parte das produções acabam decepcionando o público por entregar algo aquém do que era esperado, ou pelo marketing tentar ser mais esperto do que espectador vendendo um filme diferente do que ele realmente é. Porém, o subgênero de terror teen costuma manter seus filmes sempre na mesma linha, dificilmente decepcionando quem procura algo mais do que uma diversão escapista.  

A Hora da Sua Morte se encaixa nesse subgênero. Levá-lo a sério demais não é o ideal para aproveitar a experiência que ele proporciona. Tendo como base apenas a existência de um aplicativo que diz o dia e a hora da sua morte, não há muito o que esperar além de algo extremamente absurdo e divertido. A história, simples e rápida, usa da existência desse aplicativo para criar um clima de terror parecido com o da série de filmes Premoniçãocom os jovens tentando fugir da morte, mas falhando nas múltiplas tentativas.  

Mesmo que a principal influência sejam esses filmes, o roteiro não tenta criar mortes mirabolantes e sanguinolentas iguais às que são apresentadas neles. Aqui, o terror inserido é muito mais soft do que na série de filmes antológica. Não há muito sangue, as mortes são rápidas e pouco inventivas, fazendo com que a diversão seja totalmente colocada em cima da premissa do aplicativo e das tentativas de desviar de algo praticamente indesviável.  

A Hora da Sua Morte (2019) – Diamond Films

O elenco não ajuda com que o nível seja elevado, e entrega atuações básicas e imemoráveis. Mas, como dito anteriormente, atuações medianas são praticamente um pré-requisito desse subgênero, tornando-as “perdoáveis”. Óbvio, temos diversos exemplares que conseguiram a maestria de entregar um bom roteiro com boas atuações, como é o caso da série Pânico, mas aqui, pelo menos, as performances não incomodam de forma que a diversão seja afetada. 

Elizabeth Lail, a Beck de You, parece repetir a personalidade de sua personagem na série, entregando uma performance com os mesmos trejeitos vistos anteriormente. É difícil desassociar a atriz de Beck, porém, mesmo com o resto elenco também operante, eles conseguem esbanjar uma pequena química em tela tornando fácil a missão de se importar com os personagens.  

A Hora da Sua Morte é mais um exemplar de terror adolescente que não ofende, mas que também não tenta inovar o gênero. O roteiro, apesar de decair no ato final entregando uma solução pouco palpável e ter diversos furos no meio do caminho, ainda consegue divertir pela premissa intrigante e as inúmeras reviravoltas. Não se enquadra no cargo de pior exemplar de terror do ano (o remake do remake de O Grito continua mantendo o posto), mas pode ser uma boa pedida para quem deseja algo para desligar o cérebro, literalmente. 

A HORA DA SUA MORTE | COUNTDOWN
2.5

RESUMO:

A Hora da Sua Morte entrega aquilo que se propõe: uma diversão escapista que não se leva a sério, com atuações imemoráveis e situações absurdas.

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Gabriel Granja

Jornalista apaixonado pela sétima arte. Acredita que o cinema tem o poder de mudar pensamentos, pessoas e o mundo. Encontra nos filmes e séries um refúgio para o caos da vida cotidiana.