Crítica | A impressionante redenção de ‘O Chamado da Floresta’

Depois das recentes transações burocráticas das empresas cinematográficas de Hollywood, a única coisa que os amantes de filmes não poderiam aceitar é que a qualidade das produções diminuísse. Ainda bem que esse não foi o caso de O Chamado da Floresta (The Call of the Wild) primeiro longa a ser produzido pela 20th Century Studios sem a Fox.

Em vez disso, pelo contrário, o primeiro live-action do diretor Chris Sanders surpreende não só pelo roteiro competente, como também agrada muito aos olhos quando nos faz viajar pelo belíssimo Alasca na companhia de Buck, o cão metade São Bernardo metade Pastor Escocês que o protagoniza. Imaginem só o tamanho da fofura (e eu falo sério)!

Estamos na época da corrida do ouro, em 1890, quando cães eram usados para puxar trenós até o limite de suas forças. Buck é jogado ali naquelas terras geladas depois de ser tirado contra a vontade da casa rica onde tinha passado toda a vida.

Confesso que nunca fui muito fã de filmes com animais, mas O Chamado da Floresta realmente me tocou fundo. A beleza da aurora boreal e das florestas de coníferas maltadas pela neve é encantadora e serve como a perfeita fotografia do texto competente de Michael Green, que tem no currículo nada menos que Logan (2017), Blade Runner 2049 (2017), Smallville e Sex And The City, além de Morte No Nilo, que estreia este ano.

O Chamado da Floresta (2020) – 20th Century Studios

Muito bem feito e longe de incomodar, o CGI utilizado para construir o personagem principal só faz com que nos apaixonemos ainda mais por ele, uma vez que dá ao cão expressões mais humanas sem apelar para o bizarro em nenhum momento.

O melhor do filme, porém, é que ele não é mais uma obra vazia de passatempo infantil nem tampouco tem a pretensão de querer moralizar os adultos. Sua mensagem é daquelas gostosas que, mesmo se passando no Alasca frio, acalenta os corações alheios (perdoem a expressão brega!).

O Chamado da Floresta fala do encontro de si próprio e fala de redenção enquanto o lado selvagem de Buck se revela a ele mesmo e aflora enquanto o cachorro estreita as relações não só com sua própria espécie, mas também com os humanos.

É nesse ínterim que entram os personagens de Omar Sy (Perrault) e Harrison Ford (John), cada um mais fofo que o outro (esse filme é um campeonato de fofura!), que se alternam como seus “donos” e amigos e dão o peso certo dos grandes atores à película. O vilão fraco e clichê de Dan Stevens nem chega a atrapalhar a história e pelo menos somos brindados com seus olhos impressionantemente azuis.

O Chamado da Floresta (2020) – 20th Century Studios

Sendo assim, se querem uma dica sobre o que assistir no final de semana, recomendo ouvirem O Chamado da Floresta e correrem para o cinema mais próximo. Essa aventura vale muito a pena.

O CHAMADO A FLORESTA | THE CALL OF THE WILD
4.5

RESUMO:

O Chamado da Floresta é daqueles filmes que você chega sem esperar nada, e sai de alma lavada e um sorriso no rosto.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.