Crítica | Apesar de ótima premissa, ‘Maria e João – O Conto das Bruxas’ escorrega em sua execução

Apesar de o primeiro contato com contos de fadas serem versões mais infantis em que o bem vence o mal, acompanhada de uma lição de moral, não é nova a ideia de que todos esses contos na verdade eram originalmente sombrios e trágicos. E com a ideia de contar essa versão sombria, chega aos cinemas Maria e João – O Conto das Bruxas.

No longa, João (Sammy Leakey) e Maria (Sophia Lillis de It – A Coisa), desesperados após serem expulsos de casa por sua mãe, encontram abrigo na casa da estranha Holda (Alice Krige), entrando em uma situação sinistra que mudará suas vidas.

O filme também conta com uma ótima atuação da dupla de protagonistas. Leakey e Lillis conseguem passar uma ótima química entre seus personagens, apesar de serem bem diferentes. Enquanto Maria vê as situações de maneira mais realística, a ingenuidade e perseverança de João acaba sendo um ótimo balanço.

Porém, por contar com um ótimo e promissor primeiro ato, no fim, Maria e João passa a impressão de ser uma obra incompleta e com tremendas oportunidades perdidas. Seja por ter ótimos personagens em seu início, que logo depois não são mencionados novamente, ou por não escolher completamente por qual lado ir, seja o do suspense ou o do terror sobrenatural.

Além disso, por se tratar de uma história mundialmente conhecida, grande parte do suspense, de não saber o que irá acontecer, acaba sendo perdida. O que faz com que seu ritmo mais lento e pessimista, fique quase entediante durante seu segundo ato. Além de contar com uma narração que apesar de ter ótimos momentos, no decorrer do filme soa redundante e óbvia, explicando o que já está em tela.

Maria e João – O Conto das Bruxas (2020) – Imagem Filmes

O longa não é sempre acolhedor, o que faz com que os personagens acabem não tendo nenhum momento de descontração durante toda a trama, algo que funciona muito bem em um terror. Por outro lado, um excelente aspecto é sua ambientação, que entrega a característica pessimista da história logo de início, lembrando o polêmico A Bruxa (2015).

Um bom destaque também vai para Alice Krige (de The OA e Terror em Silent Hill), apesar de desde sua primeira cena sua personagem já mostrar um ar ameaçador aos protagonistas, existem momentos em que a atriz consegue entregar um personagem aparentemente caridoso, mas que tem as cenas mais tenebrosas de todo o terror.

Tendo uma boa premissa, boas atuações e uma ótima ambientação, Maria e João – O Conto das Bruxas deixa o gosto de oportunidades perdidas e mal desenvolvimento em seu fim.

MARIA E JOÃO - O CONTO DAS BRUXAS | GRETEL & HANSEL
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RESUMO:

Apesar de ter uma ótima premissa, Maria e João – O Conto das Bruxas se perde em tramas mal desenvolvidas, deixando o gosto de oportunidade perdida.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.