Crítica | Apesar de divertido, ‘Dolittle’ é simples e previsível

Dr. Dolittle é um clássico! A primeira versão protagonizada por Eddie Murphy já faz parte da lista de filmes que todo mundo já deu pelo menos uma olhada em uma das inúmeras reprises à tarde, na TV aberta. Ganhando diversas continuações, sendo que a última lançada em 2009, agora, onze anos depois, chega aos cinemas um reboot da famosa franquia, como o primeiro projeto de Robert Downey Jr. fora da Marvel.

Dolittle conta a história de um excêntrico médico que tem a rara habilidade de se comunicar com os mais diversos tipos de animais. Porém, quando o doutor e toda a sua turma são chamados para ajudar a rainha da Inglaterra, que se encontra doente, eles precisam embarcar em uma perigosa aventura para achar a cura.

Um dos maiores destaques do filme fica para o super elenco que conta com nomes como Tom Holland, Emma Thompson, Rami Malek, Selena Gomez, Octavia Spencer, Antonio Banderas e até John Cena. E mesmo com uma lista tão extensa, não há a sensação de que algum personagem é deixado de lado. Todos acabam tendo seu momento, e um bom desenvolvimento durante o longa.

E mesmo contando apenas com a voz para transmitir a emoção de seus personagens, já que grande parte do elenco interpreta os animais de Dolittle, o elenco consegue fazer um bom trabalho. Sem se preocupar em ter a voz o mais reconhecível possível, inclusive outra coisa divertida é descobrir quais animais cada ator dublou em seus créditos finais.

Robert Downey Jr. e Tom Holland em “Dolittle” (2020) – Universal Pictures

No entanto, algo que pode decepcionar alguns fãs do filme de 1998 é que o tom dessa nova adaptação é diferente de sua versão protagonizada por Eddie Murphy. Ao invés de ser uma comédia com tom americano, o filme tem o clima de filmes de aventura ingleses, se assemelhando a produções como Nanny McPhee – Uma Baba Encantada e Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível.

Outro ponto positivo é o roteiro, que apesar de ser simples, consegue entregar boas cenas cômicas e dramáticas, porém sua simplicidade também deixa seu enredo previsível desde o início. Já o ritmo do longa, que ao invés de entregar uma aventura que vai ficando cada vez maior, nos dá uma narrativa que parece ter sido esticada para caber em seus 101 minutos. Mesmo contando bons personagens e atuações convincentes, o roteiro simples de Dolittle acaba passando a sensação de uma narrativa cheia de rodeios.

DOLITTLE
3

RESUMO:

Mesmo divertido, o roteiro simples de Dolittle não consegue manter o ritmo durante todo o filme, passando a impressão de que o filme se sairia melhor se fosse mais curto.

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Matheus Ribeiro

Paulista, jornalista em formação, gamer e viciado em filmes e séries. Acredita que boas histórias nos ajudam a conhecer não só a maneira que a sociedade funciona, mas a conhecer a nós mesmos.