Crítica | ‘O Preço da Verdade’ explora a fundo a fragilidade humana

Qual é O Preço da Verdade (Dark Waters)? Essa pergunta retórica do título do filme de Todd Haynes poderia muito bem ser feita junto a outra, tão relevante quanto: qual é o preço da ganância? Nesse longa, as duas questões andam de mãos dadas e, apesar de não ser possível respondê-las, é fácil saber que a verdade sempre tem um impacto positivo (pelo menos a médio ou longo prazo), já a ganância…

Bem, tomando por base essa introdução, é preciso dizer que é praticamente impossível criticar O Preço da Verdade sem chafurdar nas águas da filosofia, portanto, preparem-se para pensar bastante depois que saírem da sala de cinema.

Protagonizado pelo enfadonho Mark Ruffalo, estamos falando de uma obra biográfica muito relevante que conta a história de Rob Bilott (Ruffalo), um advogado americano de valiosíssimo caráter moral e retidão admirável que descobriu um esquema criminoso e salvou a vida, talvez, do mundo inteiro (sem exagero). Nesse momento, terei que recorrer a uma frase clichê, mas que é a mais pura verdade: Bilott é um grande herói da vida real.

Falando muito rapidamente, ele revelou como várias empresas – mais especialmente a gigante DuPont -, estavam envenenando as pessoas e o meio ambiente com o politetrafluoretileno, ou teflon, um elemento químico altamente tóxico. A exposição a essa substância é a causa de pelo menos seis tipos de doenças, incluindo várias espécies de câncer e deformidades físicas caso uma mulher grávida entre em contato com ela.

Já seria muito ruim se o O Preço da Verdade contasse uma história fictícia. Saber que é real… Bem, não dá nem para terminar a frase, portanto, vou deixar os detalhes sórdidos para você conhecer quando for assistir ao filme. Continuemos, portanto.

Depois de sermos introduzidos no conceito do Teflon, tudo no longa passa a querer revelar a fragilidade do Homem – não só diante da doença, mas também diante da família e principalmente da ganância. Essa última sim é a grande vilã, a maior e eterna algoz da nossa espécie. Diante dela, somos simplesmente impotentes, no pior sentido da palavra. É exatamente isso o que Rob sente e percebe depois de anos lutando contra a DuPont e sua negligência indefectível em relação à vida.

Por outro lado, tirando a história em si, que é incrível (você vai sair do cinema querendo abraçar Rob Bilott – o real, não o Mark Ruffalo!), a película não é das melhores. O diretor Todd Haynes até que começa bem, apresentando a problematização do filme direitinho. Mas depois as coisas começam a se arrastar. São longos 126 minutos cheio de cenas descartáveis que o tornam um pouco cansativo depois de certo tempo. Haynes incorreu, dessa maneira, no mesmo erro de Clint Eastwood em O Caso Richard Jewell. Ambas as produções poderiam ter sido bem mais enxutas sem correr o risco de perder qualidade.

No entanto, a presença de Anne Hathaway – que interpreta Sarah, a mulher de Rob -, ajuda muito a segurar a atenção na tela, mesmo que sua participação não seja tão grande – o que é uma pena.

De O Preço da Verdade, portanto, podemos tirar muito sumo. Como demonstrado, é possível fazer inúmeras reflexões a partir dele, principalmente no que se refere ao ser humano enquanto espécie. Nós falhamos? Talvez ainda, não, pelo menos enquanto existirem pessoas como Rob Bilott. Todd Haynes, por outro lado, poderia ter feito um filme mais dinâmico!

O PREÇO DA VERDADE | DARK WATERS
3

RESUMO:

Protagonizado por Mark Ruffalo, o filme de Todd Haynes, O Preço da Verdade, tem grande êxito ao mostrar como somos impotentes diante de nossa própria ganância.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.