Crítica | Além de inábil, ‘O Grito’ é chato

É difícil saber por onde começar a falar de O Grito, tantas são as falhas em meio a um roteiro fraquíssimo e inábil. Já de início é preciso dizer que, nesse filme, nada se salva, nem mesmo o bom elenco que ostenta dois indicados ao Oscar (Demián Bichir e Jacki Weaver).

Assim, abandonando a ideia inicial de produzir uma obra independente da tão conhecida saga pregressa e tentando resgatar a origem da terrível maldição oriental de nome Ju-on – que é a força motriz da história -, o diretor e roteirista Nicolas Pesce se perde completamente.

Depois de uma introdução feita às pressas, com Fiona Landers (Tara Westwood) trazendo com ela do Japão uma entidade maléfica derivada do ódio, a montagem do filme se mostra não só inábil, como confusa e chata. A questão nem é a falta de sustos (ou as tentativas falhas deles), mas a montagem, constituída de várias subtramas não lineares – e até meio difíceis de acompanhar -, que dão sono. E sono em um filme de terror é um sinal de alerta de que não vem coisa boa por aí.

Sendo assim, Pesce não apresenta nenhuma motivação que gere o interesse do espectador, nem ao menos consegue construir uma ponte de empatia entre o público e seus personagens, nem mesmo com a protagonista, que é pouco carismática. A culpa, entretanto, é menos de Andrea Riseborough, que interpreta a detetive Muldoon, do que do próprio roteiro. E veja que, como já mencionado, tem muita gente boa no elenco.

O Grito (2020) – Sony Pictures

Ora estamos em 2004, no Japão, com Fiona, ora em 2006, com Muldoon, ora em 2005, com Peter Spencer (John Cho) e sua mulher grávida, numa colcha de retalhos mal costurada, complexa e, por mais que pareça paradoxal, previsível. Os clichês de O Grito se repetem uma vez atrás da outra até mesmo na paleta de cores mais escuras da fotografia. Para terminar, tudo o que parece ser promissor se dissolve rapidamente no texto ruim de Pesce.

E o pior é que, às vezes, mesmo sendo fraco, um filme consegue divertir. O Grito nem isso faz. É só chato e ponto.

O GRITO | THE GRUDGE
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RESUMO:

Com um roteiro inacreditavelmente ruim, O Grito, do diretor Nicolas Pesce, é uma aula de como não fazer cinema.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.