Crítica | As ‘Aves de Rapina’ finalmente levantam voo e a DC dá mais uma bola dentro

A DC (leia-se Warner) é um caso sério, vive alternando entre produções muito boas e muito ruins e, se formos falar de filmes um pouco mais recentes, Mulher Maravilha (Wonder Woman) e Aquaman são exemplos das produções boas. Agora, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (Birds of Prey) chegou para se juntar ao grupo.

Falando de uma perspectiva estritamente cinematográfica e sem levar em conta os quadrinhos, o filme da diretora Cathy Yan é qualidade do início ao fim, sendo que já na primeira cena – que apresenta uma rápida biografia em desenho de Harley Quinn (Margot Robbie), a Arlequina – começamos a nos divertir. 

Introduzida nas telonas em 2016 com Esquadrão Suicida, a personagem ostenta nesse novo filme uma apresentação diferente, já que, tendo sido produzido por uma equipe essencialmente composta por mulheres, Aves de Rapina é flagrantemente mais feminista, ou menos masculina. Assim, levando em consideração o fracasso de Esquadrão, talvez seja exatamente por isso que o resultado final desse novo longa da DC ficou tão bom.

A ideia de uma película de super-heróis liderados por mulheres foi lançada pela incrível Margot Robbie que, além de tudo, se sentia desconfortável no figurino da Arlequina naquele primeiro filme. Porém, para não perder o público masculino, a equipe tirou um às da manga e transformou Aves de Rapina em um filme de classificação R (quando a produção tem algum tipo de conteúdo adulto). Simples assim. Quanto ao figurino? Nada a reclamar, está muito bom, inclusive – destaque para os sapatos de Arlequina, a camiseta de Montoya (Rosie Perez) e o terno do Máscara Negra (Ewan McGregor).

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (2020) – Warner Bros.

Dessa forma, o girl power está em toda parte, mas muito bem dosado no excelente roteiro de Christina Hodson (Bumblebee), cujas piadinhas bem colocadas arrancam boas risadas ao longo de toda a película.

Ademais, apesar do foco principal ser Harley Quinn, não falta atenção às outras personagens importantes, como Cassandra Cain (Ella Jay Basco) e, é claro, Renee Montoya, Dinah Lance/Canário Negro (Jurnee Smollet-Bell) e Helena Bertinelli/Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), as Aves de Rapina. Os vilões também têm destaque, apesar de essa versão do Máscara Negra ter ficado meio chata.

Quanto aos aspectos mais técnicos, nada a reclamar também, o filme soube até onde poderia chegar sem se comprometer. Nem mesmo o abuso do slow motion atrapalha em nada o que se vê em tela. As cenas de ação são lindas e o cenário, muito bem explorado e totalmente dentro do contexto da história – exagerado e bastante alegórico. Muito interessante notar o uso dos artefatos, como tudo se torna uma arma e como Arlequina parece estar sempre se divertindo.

Na verdade, se formos pensar bem não há nada de novo na película que já não tenhamos visto antes em tantos outro longas de super heróis ou de ação, mas Aves de Rapina agrada bastante e é diversão garantida – lembrem-se, entretanto, daquela classificação R! Quando se trata de palhaço ou arlequim, nesse momento, é o melhor que temos.

AVES DE RAPINA: ARLEQUINA E SUA EMANCIPAÇÃO FANTABULOSA
4.5

RESUMO:

Mr. C deixou a namorada, e agora, em Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, Arlequina está muito mais independente!

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.