Crítica | ‘A Possessão de Mary’: uma enrascada para Gary Oldman

Quando o nome de Gary Oldman aparece na apresentação de qualquer filme, é bom ficar de olho, como acontece com qualquer grande ator e, com A Possessão de Mary (Mary), do diretor Michael Goi, não foi diferente. Nosso Sirius Black estava lá, no papel principal de um filme de terror, interpretando David, um homem cujo sonho, depois de uma vida inteira no mar, era capitanear seu próprio barco.

Assim, tudo começa quando ele bate o olho em uma antiga embarcação alemã – que, coincidentemente, tem o mesmo nome de sua filha mais nova, Mary (Chloe Perrin) – e imediatamente se apaixona por ela. Ocorre que o barco tem uma história sinistra que inclui o desaparecimento de toda as tripulações que já pisaram em seu convés.

Até aí tudo bem! Absolutamente nada contra o roteiro de Anthony Jaswinski, que é até mesmo interessante. Como fã do gênero terror, essa trama com certeza me atrairia para a poltrona do cinema. Porém, a única coisa que se pode dizer quando A Possessão de Mary  termina é socorro. E não no sentido de ser tão assustador que você quer pedir ajuda, mas no outro, aquele de quando uma coisa é extremamente ruim.

Que enrascada, Gary Oldman! Mais um bom ator que ingressa em um projeto mais do que fraco. Juro que tentei, mas não consegui encontrar nada que salvasse na película, nem a própria atuação do homem que já foi o comissário mais importante de Gotham City.

Assim, A Possessão de Mary é um terror que não desperta sensação alguma, nem mesmo medo. É só um filme meio arrastado que não sabe explorar nenhum tipo de relação, seja a de David com a mulher, Sarah (Emily Mortimer), seja a relação do casal com as filhas, Lindsay (Stefanie Scott) e Mary. A própria história por trás da maldição do barco, que deveria ser a parte mais interessante da trama, se resume a duas ou três frases de uma lenda de marinheiros que pouco ajudam a melhorar as coisas.

E não é só isso. As tentativas de introduzir o drama, como a crise no casamento de David e Sarah e o romance entre Lindsay e Tommy (Owen Teague) fracassam uma após a outra, numa corrida ladeira abaixo no entusiasmo e na paciência do espectador, que é obrigado a engolir até os péssimos efeitos visuais do fantasma que assombra a embarcação e que de vez em quando aparece.

Pois é. Nem toda a experiência anterior de Michael Goi, que tem no currículo produções de sucesso como American Horror Story, salvou A Possessão de Mary  do fiasco. É uma pena, mas esse longa já poderá concorrer ao Framboesa de Ouro de 2021. Salve-se quem puder!

A POSSESSÃO DE MARY | MARY
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RESUMO:

Do diretor Michael Goi, A Possessão de Mary é mais um exemplo de produção que nem um grande ator consegue salvar.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.