Crítica | Judy Garland e Renée Zellweger se fundem em ‘Judy’

O trailer de Judy: Muito Além do Arco-Íris (Judy), do diretor Rupert Goold, já nos diz, profeticamente, a maior verdade sobre esse longa biográfico: Renée Zellweger realmente é Judy Garland, numa atuação emocionante e inspirada da última fase da vida da cantora.

Tendo trabalhado um ano inteiro na preparação da voz para fazer jus à grande artista que interpretaria, Zellweger superou a si mesma, voltando com tudo para a temporada de premiações depois de quinze anos ausente. A performance da atriz literalmente rouba a cena, e falar de Judy é falar dela. Tudo mais na película fica eclipsado, e até mesmo a trilha sonora vai para segundo plano quando Renée entra em cena.

Assim, como dito, o filme se concentra na última fase da carreira e da vida de Garland, quando, sem dinheiro e praticamente sem ter onde morar, a cantora viaja até Londres para iniciar uma longa turnê de shows. Há somente alguns momentos em que a história viaja no tempo para deixar claras as razões do problema que ela tinha com o álcool e as drogas – os abusos que sofreu durante a infância e a adolescência por parte do estúdio em que trabalhava são de conhecimento geral.

Em vista disso, com esse longa baseado na peça teatral End of the Rainbow – porém muito mais verdadeiro e preciso e com bem menos elementos fantasiosos -, Goold quis fazer o público finalmente entender o que foi a vida dessa artista e revelar a falácia que era o glamour em que ela supostamente vivia. Era tudo mentira, mas ninguém como ela sabia fazer sua audiência acreditar que era verdade. Afinal, alguém com a voz e o carisma que Garland tinha, não podia querer mais nada… Mas ela queria e, mais do que isso, tinha o direito de querer, depois de tudo por que passou.

Renée Zellweger em “Judy” (2019)

Foi exatamente isso que Goold mostrou com sua produção. Como não podia deixar de ser, há muitas referências diretas e indiretas ao auge da carreira da cantora, o filme O Mágico de Oz (The Wizard of Oz – 1939), em que ela imortalizou a personagem Dorothy. E assim, bastante auxiliado pela excepcional interpretação de Zellweger, o diretor conseguiu provar o quanto Garland estava longe de se parecer com a doce e inocente garota do Kansas.

Não obstante, é claro que muitos outros elementos do filme merecem reconhecimento. Aquela peruca cortada para se parecer com o penteado que a Judy Garland usava rendeu ao filme uma indicação ao Oscar de Melhor Cabelo e Maquiagem, afinal de contas! Mas os holofotes se voltam mesmo é para Renée. Perdoem-me o trocadilho ruim, mas em Judy  ela está muito além do arco-íris.

JUDY: MUITO ALÉM DO ARCO-ÍRIS | JUDY
3.5

RESUMO:

Judy: Muito Além do Arco-Íris é mais um grande exemplo de uma artista que inspira outra artista a encantar mais uma vez o público.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.