Crítica | ‘See’ surpreende com muita ação e distopia

Uma arriscada aposta da Apple TV+, See é uma série bastante cara para ser produzida e que, após ter sido equivocadamente prejudicada pela crítica estrangeira, trata-se de uma obra que com certeza vale a pena ser conferida.

Criada por Steve Knight, a série narra os eventos ocorridos em um futuro distópico, onde uma espécie de vírus erradicou grande parte da vida do planeta e deixou os poucos sobreviventes cegos, criando um novo tipo de sociedade, primitiva e bastante diferente da que conhecemos hoje. Os problemas começam quando o líder de uma comunidade que vive à duras penas nas montanhas, adota como esposa uma mulher grávida de outro homem. Durante um ataque, ela dá a luz à um casal de filhos e conforme o tempo vai passando, descobre-se que essas crianças não eram crianças convencionais. As duas eram capazes de enxergar.

A partir daí, os problemas se multiplicam, uma vez que as crianças são alvo de um famigerado caçador de bruxas, que as quer mortas ou sob sua custódia. Incapaz de se desfazer de seus filhos, Baba Voz (Jason Momoa) parte com sua família em busca de sobrevivência, porém, no mundo cruel onde vivem, sobreviver pode se tornar uma tarefa muito mais difícil do que pode parecer.

Com um visual impressionante, See acerta bastante no que se propõe. A direção de fotografia, ao adotar uma paleta de tons mais frios e com cenas que privilegiam contrastes entre as texturas do que aparece em cena, demonstra um mundo frio, cruel e espinhoso, onde só os fortes sobrevivem e essa característica em muito se identifica com a essência da série e como é brutal a realidade este mundo.

Para uma obra onde os personagens principais se guiam principalmente pela audição (olfato e tato também) o desenho de som é muito bem produzido, imergindo o expectador na história e fazendo-o imaginar como seria viver naquelas condições. Outro fator que auxilia muito nesta imersão é a atuação do elenco, que está extremamente convincente, especialmente no que se refere à adaptação que eles fizeram para interpretar personagens cegos. Cada um deles possui um jeito específico de entregar sua cegueira. O jeito de olhar sem ver, de direcionar os ouvidos ao invés dos olhos, em cada momento de uma forma diferente, demonstra o quão apurado foi o trabalho de preparação para a interpretação. A ponto de os efeitos de CGI, nos olhos de cada ator, ser apenas um pequeno complemento.

See (2019) – Apple TV+

As cenas de ação são um show à parte, especialmente as protagonizadas por Jason Momoa, que é um excelente ator de ação, não só apenas no quesito de performar as complexas e violentas coreografias de luta (com direito à uma boa pitada de gore), mas também no quesito da imponência. Momoa é selvagem e exala uma aura de ameaça que contrasta com os momentos de vulnerabilidade do personagem.

Com uma direção bastante acertada, a trama desenvolve personagens que são fáceis de se conectar, inclusive os vilões, que em alguns momentos, fazem com que o expectador torça contra eles e em outros momentos, que se coloquem (pasmem) a favor de seus objetivos.

A quantidade de episódios também é bastante pontual, chegando inclusive a dar um gostinho de quero mais quando sobem os créditos do último episódio, o que naturalmente cria expectativa para uma segunda temporada. See é uma belíssima série, um deleite para os olhos e também para os ouvidos.

SEE - 1ª TEMPORADA
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RESUMO:

Protagonizada por Jason Momoa, See, série do Apple TV+, apresenta um mundo distópico, com muita ação e bons aspectos técnicos.

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Jeziel Bueno

Cineasta independente e amante de filmes e séries. Nutre uma intensa paixão pela habilidade que só o ser humano tem de transmitir os aspectos de sua alma por meio da Arte...