Crítica | Em ‘O Caso Richard Jewell’, Clint Eastwood nos apresenta um herói injustiçado

Uma das personalidades mais ativas de Hollywood, Clint Eastwood está de volta às telonas, desta vez dirigindo um filme biográfico de um herói injustiçado. O Caso Richard Jewell não é de maneira nenhuma um filme ruim, mas também está longe de ser uma obra-prima.

Velho de guerra e reconhecidamente patriótico, Eastwood veio, mais uma vez, fazer uma crítica ao sistema político e social americano através de figuras comuns que realizam grandes feitos. Foi assim com Chris Kyle em Sniper Americano (American Sniper – 2014), por exemplo, e agora com Richard Jewell, o homem que, em 1996, salvou centenas de vida ao descobrir uma bomba no Centennial Park, em Atlanta, durante os Jogos Olímpicos daquele ano.

Entretanto, mesmo tendo sido o herói da história, minimizando o estrago que o atentado poderia ter causado, Jewell passou a ser considerado o principal suspeito pelas autoridades, e tudo graças ao quarto e mais poderoso de todos os poderes: a imprensa, representada no filme pela excelente Olivia Wilde que, sem dúvida, é a grande vilã do enredo. Uma mulher frustrada e sem nenhum princípio que valha a pena, ela só procurava por um furo de reportagem que alavancasse sua carreira e viu em Richard o bode expiatório perfeito para o papel de culpado, divulgando a matéria que complicaria muito a vida dele.

Os 132 minutos de duração do longa não chegam a ser chatos, mas com certeza são cansativos. É muito tempo para pouca ou nenhuma ação que alivie o drama e é fácil chegar à conclusão de que melhor seria se a história tivesse sido contada na forma de documentário. Quem salva a pátria dessa vez é Sam Rockwell, que interpreta brilhantemente o advogado Watson Bryant, numa atuação digna de Oscar.

O Caso Richard Jewell (2019) – Warner Bros. Pictures

Nas palavras do próprio Richard (Paul Walter Hauser), Bryant era o único que não o tratava como um ser inferior. Um homem branco gordo, solteiro, com um histórico não muito bom em empregos anteriores e que ainda vivia com a mãe, não é difícil imaginar o motivo de Kathy Scruggs (Wilde) ter decidido que Jewell era o culpado perfeito para o atentado do Centennial Park. No final de tudo, ela se retrata, mas não consegue se redimir aos olhos do público, graças à incrível interpretação de Wilde, que consegue ser absolutamente odiosa durante toda a trama.

Sendo assim, e levando em consideração o trabalho impecável na escolha do elenco, figurino, trilha sonora, enfim, de toda a parte técnica, tudo teria sido perfeito, não fosse a escolha errada de formato. Se O Caso Richard Jewell fosse um documentário, já poderíamos levantar e bater palmas, torcendo para uma indicação pela Academia.

O CASO RICHARD JEWELL | RICHARD JEWELL
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RESUMO:

O Caso Richard Jewell traz implícita uma crítica forte ao sistema norte-americano em que a imprensa faz o papel de vilã.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.