Crítica | Com uma narrativa carismática, ‘Um Lindo Dia na Vizinhança’ destaca o impacto do amor e da bondade no cotidiano

Previsto para estrear em território nacional no dia 23 de janeiro, Um Lindo Dia na Vizinhança traz Tom Hanks na pele do famoso apresentador de programa infantil Fred Rogers. Dirigido por Marielle Heller, o longa, que é roteirizado por Micah Fitzerman-Blue e Noah Harpster, é baseado no artigo “Can You Say … Hero?”, publicado pelo jornalista Tom Junod na revista norte-americana Esquire. A produção aposta em uma narrativa carismática para mostrar como o amor e a bondade podem transformar o cotidiano.

Lloyd Vogel (Matthew Rhys) é um importante e premiado jornalista da revista Esquire, que é destinada ao público masculino. Cínico e com um olhar pessimista em relação à vida, Lloyd se vê diante de um desafio quando aceita a tarefa de escrever um perfil do adorado ícone da televisão norte-americana, Fred Rogers. A perspectiva de Vogel muda após seu encontro com Rogers, transformando não somente as suas atitudes, mas o relacionamento complicado com a sua família.

Esse é um daqueles casos em que o espectador provavelmente sairá inspirado da sala de cinema. Seja pela leveza com que o roteiro trata os temas apresentados, ou pela interpretação sutil e extremamente cativante de Tom Hanks, que recebeu uma indicação ao Globo de Ouro na categoria de melhor ator coadjuvante pelo trabalho. Mesmo se tratando de uma personalidade conhecida da mídia norte-americana, o ator consegue encontrar o tom perfeito do personagem, despertando o interesse do público em querer conhecer mais sobre a sua trajetória.

Embora a falta de dinâmica seja percebida em alguns momentos, o roteiro é bem escrito e entrega diálogos importantes sobre a necessidade de encarar a existência de maneira mais descontraída. Marielle Heller consegue conduzir bem a trama na maior parte do tempo, mesmo que com traços de monotonia. Um dos aspectos mais interessantes do longa é a utilização de maquetes para ilustrar as cidades, o movimento urbano, o amanhecer e o anoitecer. Além de conferir um aspecto lúdico ao resultado final, a escolha é divertida e combina bastante com a aura do filme.

Um Lindo Dia na Vizinhança (2019) – Sony Pictures

A trilha sonora, composta Nate Heller, é outro grande destaque positivo. Além de entender perfeitamente a simplicidade da obra, as músicas compostas ajudam a engrandecer o trabalho e acompanham muito bem o tom da narrativa. Matthew Rhys, que interpreta o protagonista, também está muito bem no papel. Ele consegue absorver bem a ideia de uma pessoa amargurada e sem luz, fazendo um ótimo contrapeso com a figura radiante de Fred Rogers. Chris Cooper, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante pelo drama “Adaptação” (2002), também integra o elenco e interpreta brilhantemente Jerry Vogel, o pai amargurado de Lloyd, que tenta se aproximar do filho após anos de descaso.

Um Lindo Dia na Vizinhança é um sopro de esperança em uma realidade cada vez mais marcada pela violência e pela intolerância. Embora não seja perfeito, a produção consegue transmitir alegria e estimula a prática da bondade como agente transformador no dia a dia. Com a proximidade da temporada de premiações em Hollywood, o filme vem ganhando destaque pelo trabalho de Tom Hanks, que além das indicações conquistadas ao Globo de Ouro, SAG Awards e Critics’ Choice Awards, segue como um dos favoritos a uma vaga no Oscar.

UM LINDO DIA NA VIZINHANÇA | A BEAUTIFUL DAY IN THE NEIGHBORHOOD
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RESUMO:

Dirigido por Marielle Heller e estrelado por Tom Hanks, Um Lindo Dia na Vizinhança mostra como Fred Rogers, um apresentador de programa infantil, consegue transformar a vida das pessoas ao seu redor.

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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.