Crítica | Além de ser um ótimo drama de época, ‘Adoráveis Mulheres’ debate o protagonismo feminino de forma consciente e necessária

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On 13 de dezembro de 2019
Last modified:13 de dezembro de 2019

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Em janeiro de 2020 o filme Adoráveis Mulheres, baseado no livro “Little Woman”, publicado em 1868 pela escritora norte-americana Louisa May Alcott, chega aos cinemas brasileiros. O longa, que é dirigido e roteirizado por Greta Gerwig, indicada ao Oscar por Lady Bird: A Hora de Voar, é estrelado por um elenco de peso, com nomes como Saoirse Ronan, Emma Watson, Timothée Chalamet, Meryl Streep, Laura Dern, Chris Cooper e James Norton. Essa é a segunda vez que a história é adaptada para as telas, que ganhou sua primeira versão em 1994, dirigida por Gillian Armstrong e protagonizada por Winona Ryder, Christian Bale e Kirsten Dunst.

A produção narra a trajetória das irmãs March, Jo (Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Watson) e Amy (Florence Pugh), que enfrentam questões pessoais do amadurecimento e da proximidade da vida adulta, em meio aos problemas causados pela Guerra Civil americana. Apesar de possuírem personalidades distintas e objetivos contrários, as irmãs nutrem uma ligação muito forte entre si e mostram a importância do amor e da família para a sobrevivência.

É uma história sobre mulheres contada por mulheres, o que não somente contribui com a representatividade, mas é capaz de mostra toda a versatilidade e a real essência do ser feminino. As quatro irmãs protagonistas dividem a tela de forma precisa para que o público possa entender as diferentes características de cada uma delas, e perceber a pluralidade dos anseios e desejos que as movem.

Jo é a mais independente e a que mais questiona a vulnerabilidade feminina em uma época marcadamente machista, onde o casamento é tido como ascensão econômica e social. Amy, por outro lado, não esconde a sua personalidade tendenciosa e vingativa, sendo a mais preocupada em encontrar um bom partido. Meg é a mais contida e responsável, um bom contrapeso entre o espírito aventureiro de Jo e a instabilidade de Amy. Embora ainda esteja em formação, Beth, a mais nova, visivelmente mostra traços de maturidade e é a mais calma.

Adoráveis Mulheres (2019) – Sony Pictures

A forma como Greta Gerwig conduz a narrativa é primorosa, com um texto inteligente que é capaz de sinalizar os conflitos que surgem na transição da adolescência para a fase adulta. Questões como amor, sexualidade, futuro e quebra de expectativas são abordados de maneira natural e com distinção entre as protagonistas. O antagonismo entre as personagens de Mary March (Laura Dern), a matriarca, e Aunt March (Meryl Streep), a tia rica, é inteligente e ajuda a exemplificar muito bem o futuro que as jovens poderão seguir, optando pela simplicidade de viver um amor verdadeiro ou de colocar a ganância na frente dos sentimentos.

O roteiro é conciso e tem momentos muito impactantes, com frases e discursos que geram debate sobre o papel da mulher na sociedade e a maneira como muitos homens tentam sobrepô-las. Tecnicamente a obra também é um êxito! Destaque especial para a fotografia, que é belíssima e aproveita bem as paisagens da locação, mostrando lindos jardins, campos cobertos de neve, natureza e cenários magníficos. O figurino também é muito bem escolhido, criando um belo contraste entre as peças mais simples das pessoas humildes e os trajes mais ousados e bem acabados daqueles que possuem uma melhor condição financeira.

Com um elenco tão talentoso e competente, é praticamente impossível apontar quem está melhor. Todas as mulheres são impecáveis em seus trabalhos de atuação, desde a inocência de Beth até a amargura de Aunt March. Saoirse Ronan, que já recebeu três indicações ao Oscar, é a que tem mais tempo de tela. Meryl Streep, apesar de aparecer bem pouco, está muito bem, como sempre. Laura Dern, a eterna Ellie Sattler de Jurassic Park (1993), e Florence Pugh também entregam ótimos trabalhos.

Adoráveis Mulheres recebeu duas indicações ao Globo de Ouro e é um forte candidato na temporada de premiações de Hollywood. O longa estreia no Brasil no dia 09 de janeiro.

ADORÁVEIS MULHERES | LITTLE WOMEN
5

RESUMO

Com a ajuda de um elenco primoroso, Greta Gerwig, indicada ao Oscar por Lady Bird: A Hora de Voar, dirige e roteiriza de forma primorosa essa adaptação do romance da escritora norte-americana Louisa May Alcott.

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Iron Ferreira

Carioca e Jornalista graduado. Admirador da comunicação e de suas linguagens. Acredita no cinema como ferramenta capaz de transmitir sentimentos, quebrar preconceitos e mudar o mundo.