Crítica | Em ‘Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe’, Edward Norton homenageia os filmes de detetive ao som de muito jazz

Assumindo a direção, roteiro e o papel principal de Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe (Motherless Brooklyn), Edward Norton investiu em um projeto ousado que, apesar de não ser nenhuma obra-prima, consegue ser bem-sucedido em sua intenção.

O longa é baseado no livro homônimo de Jonathan Lethem, e conta a história de Lionel Essrog (Norton), um irregular detetive que sofre com a síndrome de Tourette (o toque de humor da trama). Ele age ao som de muito jazz quando vai investigar os motivos por trás da morte de Frank Minna (Bruce Willis), que é praticamente seu pai adotivo.

Mesmo assim, apesar de a película conseguir criar um clima de mistério e suspense, típico dos filmes de detetive – com o figurino, a fotografia e a trilha sonora (jazz) certos -, a solução final decepciona um pouco, ficando aquém do que se poderia esperar. O mistério é raso e seu centro gravitacional, que é Moses Randolph (Alec Baldwin), é somente mais uma representação caricatural de um político.

A verdade é que os 144 minutos de duração poderiam ter sido muito melhor explorados, mas, ao contrário, são desperdiçados em cenas desnecessárias ou então que se estendem além da conta. É o caso, por exemplo, da dança lenta de Lionel e Laura (Gugu Mbatha-Raw) no bar da família dela. O romance dos dois, aliás, é outra coisa que ficou bem xôxa.

Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe (2019) – Warner Bros. Pictures

O interessante mesmo é ver como Lionel lida com a síndrome que tem. Ele entende muito bem a dinâmica da doença (que inclui tiques motores e verbais), mas não parece ser conformado com ela – o que se faz notar por todas as milhões de vezes que ele pede desculpa por soltar um comentário inoportuno, constrangedor ou ofensivo, ou quando fica tocando o ombro das pessoas inúmeras vezes, coisa que não pode evitar.

O fato de todos os outros personagens não parecerem se incomodar com a condição de Lionel – o que seria normal para aqueles que o conhecessem desde sempre, mas é totalmente incompreensível para os desconhecidos – é um ponto furado do roteiro, mas não chega a incomodar.

A atuação de Norton é impecável. O primeiro Hulk da Marvel parece realmente ter incorporado a doença e nos faz rir em situações pontuais quando, do nada, começa a gritar “if” (se), sua expressão favorita. Já seu trabalho como diretor, e principalmente como roteirista, ainda pode melhorar bastante.

Apesar disso, Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe (que ainda conta com a participação de Willem Dafoe) consegue distrair e divertir e, apesar de longo, dá para ser assistido sem desviar a atenção.

BROOKLIN: SEM PAI NEM MÃE | MOTHERLESS BROOKLIN
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RESUMO:

Em Brooklyn Sem Pai Nem Mãe, um detetive irregular (Edward Norton) com síndrome de Tourette acaba se envolvendo em uma investigação perigosa.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.