Crítica | Apesar de divertido, ‘As Panteras’ não supera seus antecessores

Aproveitando a onda feminista que cobriu o mundo na era atual, Elizabeth Banks resolveu apelar. É claro que desde o seriado que deu origem às Panteras (Charlie’s Angels) na década de 70, as detetives da Agência Charles Townsend são mulheres lindas, sedutoras e inteligentes (o que as ajuda em suas missões), portanto, não faria sentido que isso mudasse (e nem deveria mudar). Mas na nova versão de As Panteras, a figura masculina, antes representada na história principalmente por Bosley e pelo próprio Charlie, foi praticamente chutada.

E podemos citar as várias formas como isso se deu. Logo nos minutos introdutórios do filme o primeiro Bosley (Patrick Stewart) é aposentado, o segundo (Djimon Hounsou) é morto e então a própria Banks assume a posição. Ponto para as mulheres. Peter Fleming (Nat Faxon) e Alexander Brock (Sam Claflin) são, um após o outro, subjugados pela inteligência infinitamente superior de sua subordinada, Elena Houghlin (Naomi Scott), que desenvolveu a tecnologia mais poderosa já vista na face da terra e que poderia virar uma arma mortal em mãos erradas. Ponto para as mulheres. Além disso, se as Panteras enfrentaram uma mulher que seja em suas lutas durante o longa, não dá para perceber (seus adversários são sempre homens). E finalmente, quando Charlie “aparece”… bem, vou tomar cuidado com spoilers.

O que se quer dizer, enfim, é que isso não era necessário. Nossas heroínas já estavam ali, sendo o centro da trama, prontas para detonar. Mas não como suas antecessoras. Apesar de ser também bastante divertido, com boas piadas e deboches, a qualidade não chega nem aos pés de As Panteras, de 2000, e de As Panteras: Detonando (2003), ambos dirigidos pelo diretor McG.

E o motivo disso talvez seja o simples carisma das protagonistas – já que é claro que o carisma de Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu é muito maior que o de Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska. Bem, talvez Scott se salve dessa, porque ela, sem dúvida, é a melhor coisa do filme, a melhor das três Panteras. Ou seria melhor dizer quatro, já que a personagem de Banks é praticamente uma delas também. Seria algo como Os Três Mosqueteiros, que na verdade eram quatro.

As Panteras (2019) – Sony Pictures

O clima descontraído e as cores tão características do universo das detetives de Charlie também estão presentes na nova versão e tem até a icônica cena da dancinha. Também há muita ação e não há nada que se possa falar mal dos efeitos especiais e das atuações. Mas o filme simplesmente não alcança a mesma aura dos anteriores. A trilha sonora também fica bem abaixo do que se poderia esperar do longa e não tem nada demais.

Enfim, a única coisa em que  As Panteras de 2019 consegue ser superior é na beleza das personagens principais, mas, como se pode notar, isso não quis dizer absolutamente nada! Se é pra se divertir, eu ficaria com os filmes anteriores.

AS PANTERAS | CHARLIE´S ANGELS
3

RESUMO:

A versão atual de As Panteras tem sucesso em recriar muita coisa, mas simplesmente não consegue alcançar a aura dos filmes anteriores.

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Flávia Leão

Cinéfila mineira que ama os filmes desde quando os clássicos da Disney ainda eram em VHS e os seriados desde que Jeffrey Lieber e J.J. Abrams inventaram Lost.